O Estado do País

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A luta de classes na moribunda neoliberal União Europeia.

Em face da impossibilidade de receber dos (entalados e em fuga) grandes países, a Grécia começou a negociar estado a estado a verba bloqueada no acordo de empréstimo de 21 de julho com garantias em cash. Não chega mas pelo menos dá para conseguir sobreviver. Chegou por isso a acordo com a Finlândia sobre 2% do empréstimo. A Alemanha mostra que quem manda só aceita negócios bilaterais se for a Alemanha a participar neles...

Acho que já não há nenhuma razão para continuarmos a bordo desta jangada de náufragos. Este projecto acabou...

http://www.lemonde.fr/europe/articl...tte-suscite-l-ire-de-berlin_1562199_3214.html

Onde andam o neoliberalismo europeu? É que ainda não o vi.
 
A Grécia cumpriu a esmagadora maioria das condições do empréstimo anterior. Está novamente falida, sem activos, sem capacidade de influenciar a economia e não lhe emprestam mais dinheiro. Acho que não há nada mais neoliberal que isto.
 
A Grécia cumpriu a esmagadora maioria das condições do empréstimo anterior. Está novamente falida, sem activos, sem capacidade de influenciar a economia e não lhe emprestam mais dinheiro. Acho que não há nada mais neoliberal que isto.

A Grécia que viveu anos num profundo e miserável socialismo? a mesma Grécia que ainda continua a ter a esmagadora maioria da sociedade entregue ao estado? Realmente, coisas bastante negativas do liberalismo.

Apenas uma coisa dará resultado na Grécia, a morte do socialismo, enquanto isto não acontecer vão estando cada vez falidos.
 
A Grécia cumpriu a esmagadora maioria das condições do empréstimo anterior. Está novamente falida, sem activos, sem capacidade de influenciar a economia e não lhe emprestam mais dinheiro. Acho que não há nada mais neoliberal que isto.

Cumpriu? Tens a certeza? É que se não sabes eles ainda continuam com mais regalias que nós em Portugal!!! Isto é o PRESENTE
 
inurl: Visto.Blog.pt

Corporativismo @ futebol disse:
Um dos grandes problemas do nosso País é um certo Corporativismo que anda pelo nosso país, neste fim-de-semana mais uma vez lá temos nós de levar com isto. Pela primeira vez falo de futebol sendo que este é um problema transversal na nossa sociedade tão grave como alguma corrupção existente no sistema.

Mas o caricato desta nossa arbitragem é que não querem ser criticados... O sentido de responsabilidade é pouco ou nenhum grave é que a maioria da população tem de ser minimamente responsável pelos seus actos. Estes senhores não. Desengane-se que ganham pouco tirando mais que qualquer deputado se arbitrarem os 4 fins de semana.

Não sendo obrigados a serem profissionais, a terem os seus subsídios de treino, prémios por jogo, motorista ainda podem ser amadores e terem o seu trabalho.

Claro é sem dúvida um extra muito saboroso e com muita fruta pelo meio e ligações obscuras... Uma lavagem é preciso e rapidamente!
 
Governo espanhol quer limitar défice e dívida na Constituição​

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, propôs hoje uma reforma da constituição para lhe inscrever um limite ao défice público e à dívida, uma iniciativa que tem o apoio do líder da oposição, Mariano Rajoy.

A proposta desta “regra para garantir a estabilidade orçamental”, assim a descreveu Zapatero citado pela AFP, tinha sido aprovada em Conselho de Ministros na sexta-feira, no âmbito de um programa mais vasto de combate à crise e reequilíbrio das contas públicas, e foi apresentada hoje no debate parlamentar para validação deste decreto-lei.

Esta reforma constitucional visa estabelecer limites quer para o défice estrutural quer para a dívida pública, e vincularia todas as administrações públicas, segundo explica o diário El Mundo no seu site.

Zapatero disse também que já tinha apresentado esta propostas ao líder do Partido Popular (maior partido da oposição), Mariano Rajoy, e ao candidato do seu partido (o PSOE) às próximas eleições legislativas de 20 de Novembro, Alfredo Pérez Rubalcaba, e que considera ser possível alcançar um acordo.

O diário El País adianta na sua página electrónica que Rajoy aprova a proposta do Governo, da qual não se conhecem valores para o limite do défice e da dívida.

Segundo disse Zapatero no Parlamento, a proposta de limitar o défice e a dívida permitiria “reforçar a confiança na economia espanhola a médio e a longo prazo”.

Na sua reunião da semana passada, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o Presidente da França, Nicolas Sarkozy, propuseram um “travão constitucional” à dívida pública, pretendendo que o limite ao endividamento esteja inscrito nas constituições de todos os países da moeda única até ao fim do Verão de 2012.

A Espanha, com uma taxa de desemprego superior a vinte por cento na sequência da crise internacional, sofreu nos últimos meses uma forte depreciação da posição dos seus títulos de dívida pública nos mercados secundários, com os juros implícitos a dez anos a dispararem para níveis alarmantes, tal como dos da Itália, o que só foi controlado com uma intervenção do BCE há duas semanas.

link: http://economia.publico.pt/Noticia/...mitar-defice-e-divida-na-constituicao_1508787

Por cá, até o cavaquinho atrasadinho é contra esta medida, que crime!
 
O problema é que o controlo orçamental é baseado em 2 coisas que não controlas.

A concorrência fiscal, as maiores empresas portuguesas tem várias sociedades fora do país para pagarem menos impostos e sempre que os accionistas deixarem de comprar, há sempre a hipótese de lavar num offshore qualquer para subir o resultado global da empresa.

Basta pensarmos no que está a acontecer com os clubes de futebol. Não há absolutamente nenhuma capacidade financeira disponível para adquirir os jogadores nas condições que são descritas. Esta competitividade só aparece porque o dinheiro vem de paraísos fiscais. Estamos a ser competitivos com os grandes campeonatos porque estamos a receber dinheiro de fundos de jogadores registados em paraísos fiscais. A redistribuição financeira devia ser feita pela organização das provas e pelos prémios de formação. Uma coisa centralizada que garantisse o equilíbrio mínimo para haver competitividade sem cairmos neste ambiente predatório de se contratarem miudos com 7 anos na América do Sul..

A capacidade de influenciar os outros países a serem compradores dos nossos produtos. A adjectivação dos produtos com palavras como qualidade, made in Portugal, environment friendly, tudo o que leva as pessoas a escolher depende não só da tecnologia mas do sugestionamento e da geração de modas.

A Nokia pode ser um bom exemplo. Falhou porque se atrasou na tecnologia (eu continuo a preferir os telefones deles porque são os melhores do mercado) ou falhou porque passou de moda?
 
Livre concorrência leva à criação de monopólios privados e regulações débeis ou mesmo inexistentes.

Inscrever o controlo orçamental como obrigação independentemente das condições económicas impede as economias de se tornarem expansionistas. Um Estado será sempre deficitário. Não pode ter superavits porque lhe cabe a ele fazer coisas que nenhum privado aceita fazer.
 
A experiência tem demonstrado que não há outra solução possível para a condução económica. Free will não resulta, o dinheiro não vai para onde devia ir. Os mercados desregulados não são minimamente eficientes, criou-se muito valor fictício, alguns ganharam muito dinheiro, só se socializam as perdas e agora vamos todos ao fundo.
 
link: http://economia.publico.pt/Noticia/...mitar-defice-e-divida-na-constituicao_1508787

Por cá, até o cavaquinho atrasadinho é contra esta medida, que crime!

Explique-me lá como é que é possível constitucionalizar algo que não controlamos??

Dou-lhe um exemplo prático, e eu nem sequer sou socrateiro, mas aqui vai, estavas a pagar 3-4% de juros de dívida externa, de um momento para o outro os juros disparam para 10%, agora pergunto, será que o governo tinha alguma solução para contrariar isto??

É que ao contrário do que as pessoas pensam, o défice abrange exactamente as variáveis que não podemos controlar... Dou um exemplo da vida prática, suponha-mos que você ganha 12 000€ anuais, e esse é o seu orçamento anual, mas você sofre um acidente que o deixa incapacitado durante 6 meses, fica de baixa e em vez de auferir a totalidade do seu vencimento, passa a auferir apenas os 80% devidos da baixa médica, mas por outro lado você tem despesas fixas, o que significa que você vai entrar em incumprimento (défice)...

O que o nosso amigo Cavaco não concorda é apenas com a variável que não pode-mos controlar.

Este é o género de medidas que o comunismo defende.... É uma utopia, e sendo uma utopia, mais vale nem sequer estar a gastar guito com ela.
 
No fundo um valor variável é o mesmo que não ter lá valor nenhum.

O meu princípio é outro. Fazer com que a economia seja muito mais estável. Devem-se evitar quer a escassez de capital de uns quer as acumulações brutais de capital de outros. É preciso controlar. Já tivemos 125 crises financeiras desde 1970. Competir não é capturar nem monopolizar.

Os estabilizadores funcionam durante um período limitado de tempo e pressupõem poupanças anteriores. Não se pode poupar com uma economia imprevisível. E esta crise consumiu as poupanças de todos porque se desregulou e se criou muito valor fictício.

Não concordo com o princípio. As pessoas podem aumentar ou diminuir o seu gasto rapidamente ajustando o consumo. Os Estados não porque nos fornecem coisas que nós não podemos produzir e se fizessem como nós teríamos de incorporar no nosso balanço essas despesas de forma brutal.

«Chile’s approach is to reject both the procyclicality of a strict annually balanced budget and the long-run unsustainability of asymmetrical policy unconstrained by rules. Instead Chile aims for annual balance of its structural budget. The structural budget balance is the surplus or deficit excluding automatic stabilizers, that is, the difference between the expenditures that would be made and the revenues that would be collected if the economy were operating at potential GDP. A structurally balanced budget guarantees long-run sustainability of the national debt. At the same time, it permits automatic stabilizers to operate freely, with symmetrical surpluses during expansions and deficits during recessions to smooth the peaks and troughs of the business cycle.»

O princípio é falso. A expansão e a contracção económica não são soma zero. As crises podem ser cumulativas e acrescentar-se umas às outras. Esta crise de dívida soberana soma-se à crise de dívida financeira.

«Unfortunately, measuring the output gap is not a cut-and-dried matter. A recent study from the Federal Reserve explains that various methods produce estimates of the output gap that differ by as much as two percentage points. That is just the technical side of the problem. In practice, it is necessary also to ensure that the output gap estimate is not politically biased. That means the estimation cannot be left to the current government’s own staff. Politically appointed budget directors and finance ministers have a consistent record of looking at the numbers through rose-colored glasses in order to justify greater expenditures or lower tax rates. (See this earlier post for a discussion of how chronic budget optimism helped dig the fiscal hole that the United States currently finds itself in.)»

Elege-se um governo mas depois entrega-se a fixação dos limites orçamentais a uma entidade independente. O Governo é responsável se falhar a execução das suas políticas. A comissão independente não.
 
Vamos por o problema numa perspectiva contabilística...

Uma empresa atribui X valor para manutenção de estruturas, como a inflação é algo previsível, esta mesma empresa vai atribuir mais Y valor na forma de provisão (que pode ser usado na totalidade ou até não ser necessário)...

Já o estado, sempre que constitui uma provisão caem-lhe os jornalistas em cima, a falar de sacos azuis... Este é apenas parte do problema, por um lado existem muitas pessoas que confundem sacos azuis com provisões...

Uma empresa normal orçamenta por excesso, o Estado vai sempre por defeito, e no fim temos défice... Mesmo o pessoal da Assembleia da Republica, sempre que se tenta orçamentar por excesso começa logo a levantar problemas...

Em suma, temos que reorganizar a forma como orçamentamos, e não limitar a forma do orçamento de estado...

Esta proposta do PSD/CDS, para constitucionalizar o OE, é algo de difícil concretização, é como começar a montar um carro montando os estofos e só depois o levar à pintura. Primeiro temos que aprender a orçamentar, segundo temos que inventariar o que temos (o Estado nem sequer sabe quantos funcionários públicos tem) seja ele recursos humanos, materiais ou imateriais, temos que contabilizar as despesas, sejam elas correntes ou fixas, e só no final estabelecer metas (impostos Vs investimento)... Em suma, neste momento, temos um OE socialista, com um governo de centro-direita, num país onde o Estado nem sequer tem os gastos correntes contabilizados, no final só podia dar barraca...

Soluções?? É isso se tem que estudar, mas sem os requisitos que já citei, é como aumentar a potência do motor de um barco, para manter a velocidade... Num barco que está a meter água... Não, constitucionalizar da forma que foi sugerido obviamente que não, mas, concordo com medidas destinadas a uniformizar o OE, de forma as provisões possam ser feitas sem que se corra o risco de estas serem indevidamente utilizadas, por exemplo. Mas constitucionalizar margens que incidem sobre um valor variável, que tanto pode ser favorável como desfavorável, é um erro.

Por fim temos os problemas legais... Vamos supor que que isto vai avante, altera-se a Constituição e depois?? Depois temos um hiato, está na Constituição, mas como não existe Lei regulamentar, é exactamente a mesma coisa que lá não esteja nada, criminaliza-se ou não??? Se não porquê alterar a Constituição?? Desculpem, mas não vejo sentido nesta proposta.
 
O medo não faz parte de nenhum modelo económico.

O Estado faz provisões por excesso. Não pode é fazer negócios com privados contra o interesse público porque isso chama-se corrupção.
 
O que nos mandaram fazer é isto:

«The most basic neo-liberal lie which forms a core of mainstream macroeconomcis.»

Cut private spending + Reduce Net exports + Cut net public spending = economic growth

Evidentemente nunca lá chegarão. Estamos apenas a começar a ver que todos os indicadores vão começar a apontar na direcção exactamente contrária ao que o FMI + PSD + CDS esperam.


«The Neo-liberal claim is that if governments cut their spending the private sector will fill the gap. Mainstream economic theory claims that that private spending is weak because households and firms are scared of the future tax implications of the rising budget deficits. But, the overwhelming evidence shows that firms will not invest while consumption is weak and households will not spend because they scared of becoming unemployed and are trying to reduce their bloated debt levels.»

«Neoliberals claim that governments, like households, have to live within their means. They say budget deficits have to be repaid and this requires onerous future tax burdens, which force our children and their children to pay for our profligacy. They argue that government borrowing (to “fund” the deficits) competes with the private sector for scarce available funds and thus drives up interest rates, which reduces private investment—the “crowding out” hypothesis. And because governments are not subject to market discipline, neoliberals claim, public use of scarce resources is wasteful. Finally, they assert that deficits require printing money, which is inflationary.

But they go further than this. They claim that quite apart from these alleged negative impacts, deficits are not required to achieve the aims of the Keynesians. It used to be considered noncontroversial that government deficits could stimulate production by increasing overall spending when households and firms were reluctant to spend. In a bizarre reversal of logic, neoliberals talk about an “expansionary fiscal contraction”—that is, by cutting public spending, more private spending will occur. This assertion comes with the fancy name of “Ricardian Equivalence,” but the idea is simple: consumers and firms are allegedly so terrified of higher future tax burdens (needed, the argument goes, to pay off those massive deficits) that they increase saving now so they can meet their future tax obligations. Increased government spending is therefore met by reductions in private spending—stalemate. But, neoliberals argue, if governments announce austerity measures, private spending will increase because of the collective relief that future tax obligations will be lower and economic growth will return.»
 
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