O Estado do País

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Eu também quero ser funcionário público, é uma maravilha. :D Aqui, onde eu moro tenho jardim, quando o pessoal muito trabalhador da câmara vem cortar a relva, vem cá uma companhia são pelo menos uns 5. Vieram umas 11 horas mas só um trabalhou até às 12 horas, os outros encostaram-se à parede à sombrinha à espera das 12 horas para que a carrinha os viesse buscar. Começam às 14 horas e lá trabalham todos até às 16 horas, mas como a carrinha já vem atrasada, nem os sacos do lixo com a relva apanham, porque já passa da hora e fica tudo espalhado, no dia seguinte é que passam e apanham os sacos do lixo.

Existem funcionários públicos trabalhadores, mas a grande maioria vive na maior.

Se eles trabalhassem no sector privado assim, há muito que tinham ido para a rua e ainda reclamam os funcionários públicos onde trabalhar é um festim. :rolleyes:
 
Já precisei de ir ao serviço de águas da Maia, devido a um erro na leitura do contador, cheguei lá e o serviço para pagar as facturas em dívida tinha apenas uma pessoa a atender, e fila, já o serviço que tratava dos meus casos tinha seis secretárias... vazias! Eram 10h00 e as funcionárias tinham ido tomar café. E ali fiquei, sem exageros, quase vinte minutos, até que uma voltou e me atendeu. Imagino se não sucederá todos os dias, entra-se às nove, meia hora para café depois das 10, almoço às 12h... numa manhã farão 2h30 de trabalho, isto se não chegarem com 5, 10 ou 15 minutos de atraso. Ainda falam em produtividade? Há países na Europa onde se entra às 7h num emprego, almoça-se em meia hora e à tarde vai-se para o segundo emprego :lmao:

De qualquer das formas, temos de ser democráticos e perceber que se os portugueses querem conversar muito, conviver, ir à praia e trabalhar pouco, bem têm todo o direito, agora isso tem um preço, e o Estado terá de se adaptar à riqueza que os portugueses produzirem. O que implica também um novo desenho do Estado Social...
 
Gerofil, existe uma grave crise no sector privado há mais de 5/10 anos, dum país que não cresce, de desemprego que ia sempre aumentando, emigração sempre em crescendo, fábricas sempre a fechar, desemprego jovem cada vez maior. A economia do país tem sido destruída por impostos cada vez mais altos para sustentar um Estado inviável que gasta cada vez mais acima das suas posses. Olha por exemplo para a taxa de IVA máxima, durante 15 anos esteve sempre nos 16/17% entre 1986 e 2002, a partir de 2002 começou o descalabro, foi sempre a crescer, vê onde já vai hoje.... Parece que só desde finais do ano passado é que alguns descobriram que havia uma grave crise e que ela teria consequências para o seu modo de vida. Há muitos anos que se previa que teríamos o maior empobrecimento colectivo da nossa historia moderna por esta altura, mais ano menos ano, os mais pessimistas apontavam para 2012-2014, mas até os mais pessimistas se enganaram, acabou por ser antes. Quanto à emigração, apenas razões familiares muito especificas me impedem a mim próprio de ir embora, às vezes interrogo-me como tantos ainda continuam por aqui, este país não trata bem os seus, presumo que os melhores portugueses já tenham ido todos embora.

Para quem estava nos sectores tradicionais, tipo agricultura, pescas e indústria a crise já tem mais tempo, começou com Cavaco Silva e a entrada na CEE. A minha família empregava 20 e tal pessoas nas pescas, cerca de 15 em pequena indústria, caseiros, mais empregados em part-time. Tudo isso acabou com os abates da frota pesqueira, o fim dos lucros na agricultura, aumentos sucessivos de carga fiscal, etc. Tudo começa aí, entrada na CEE e política dos governos de Cavaco Silva. Se querem dar um pai a este modelo económico, esse pai é indubitavelmente o Professor Cavaco.
 
Nesses idos anos 90, um dia, um juíz disse ao meu avô que era altamente injusto que ele, sendo licenciado, auferisse no final do mês muito menos do que o meu avô, com apenas o sexto ano antigo mas patrão. O que esse juíz se esquecia é que o meu avô dava emprego, gerava riqueza, não tinha direito a férias, fins-de-semana, ou noites bem dormidas, acordava às 4 horas por vezes para estar no porto de Olhão à chegada dos barcos. É esta a mentalidade em Portugal, a nova elite são parte dos funcionários públicos mais os boys que pululam entre política e poder económico, os proprietários de PME's são uns «rascas», mas sustentam o país e não têm qualquer valorização social, são vistos por parte dos empregados como uns «fássistas» malvados, e por parte dos funcionários públicos como uma «casta inferior» que não teve «acesso» a empregos «dignos» no funcionalismo ou nos monopólios ou oligarquias do Regime. Enquanto esta mentalidade não mudar nunca teremos um tecido económico saudável, mas parece-me muito difícil que algum dia mude.
 
Não sei o que queres dizer com "amada ideologia neo-clássica", presumo que foi apenas um lapso, e querias na verdade dizer "neo-liberal".
Já me cansei de repetir aqui que não sei de que neo-liberalismo vocês falam num país com tanto peso do estado na economia e que está afundado em dívidas, em que durante anos se tentou o keynesianismo para forçar um crescimento que nunca chegou. Portugal tem sido das economias menos liberais do mundo, certamente uma das menos liberais da Europa.
Já agora, sobre as transportadoras rodoviárias, elas sempre tiveram um regime de excepção em Portugal, muitas empresas transportadoras espanholas e francesas do sector até constituíram aqui sede fiscal, daí Portugal ser uma espécie de paraíso do transporte rodoviário de mercadorias face à realidade europeia, num país de autoestradas, sacrificando o mais eficiente, económico e ambiental transporte de mercadorias por ferrovia.

Sim queria dizer neo-liberalismo , foi lapso, o neo-clássico nem existe penso em termos politicos. Podem ter tido alguns apoios, e devem tê-los ou não fosse Portugal um País periférico cuja logística se tonaria menos competitiva que a de outras de Países do centro da Europa.
Mas isso compensava, uma empresa com 100 camioes, alem das centenas de postos de trabalho, imagina o Imposto tipo IA, Iva, etc na aquisição de viaturas.
Algumas delas como têm um grande carteira de clientes no estrangeiro fixaram-se na deprimida Beira Interior, sendo um sector que poderia potenciar esta região. Há dias fui a covilhã, fui pela A23 e depois andei uns km pela nacional, acredita, essas cidades que até aqui eram um Oásis no Interior do País, ( Viseu, Covilhã, Vila Real, Guarda, Bragança) serão em breve cidades fantasmas. Capitais do deserto...
 
Eu o meu maior medo que tenho destes sacrifícios não é dos sacrifícios mas sim do PS de 2015 que irá estoirar tudo o que se vai fazer nos próximos 4 anos. É um ciclo vicioso neste país infelizmente, o PSD poupa o que tem e não tem e o PS gasta o que tem e o que não tem. Mas talvez aprendamos alguma coisa até lá o que não me parece, pois vai sair muita gente traumatizada destes próximos 4 anos que irá votar PS.
 
E desde quanto o que se vai fazer nos próximos 4 anos vai ser positivo?
Ainda alguém se convence que é com medidas que geram recessão e desemprego que o pais vai sair da crise?
e em 2015 só ganha o PS ou o PSD se os portugueses continuarem cegos, o que tenho receio que aconteça, porque já vi que a maioria dos portugueses gosta de ser enganado
 
E desde quanto o que se vai fazer nos próximos 4 anos vai ser positivo?
Ainda alguém se convence que é com medidas que geram recessão e desemprego que o pais vai sair da crise?
e em 2015 só ganha o PS ou o PSD se os portugueses continuarem cegos, o que tenho receio que aconteça, porque já vi que a maioria dos portugueses gosta de ser enganado

Mas será assim tão complicado perceber que devemos dinheiro ao exterior que é preciso pagar ? Que construímos um modelo social insustentável assente no endividamento constante que é preciso mudar reestruturar tornar mais eficiente e acima de tudo ser sustentável (ou quase). Deviam estar há espera que Passos Coelho desse tudo a toda a gente, que baixasse impostos, se deixa-se tudo como estava por esta hora já não haveria dinheiro pra ninguém.
 
E desde quanto o que se vai fazer nos próximos 4 anos vai ser positivo?
Ainda alguém se convence que é com medidas que geram recessão e desemprego que o pais vai sair da crise?
e em 2015 só ganha o PS ou o PSD se os portugueses continuarem cegos, o que tenho receio que aconteça, porque já vi que a maioria dos portugueses gosta de ser enganado

Os portugueses teriam votado nestas últimas eleições noutros partidos, caso tivessem apresentado algum programa, claro! Quais são as soluções do PCP e do BE, posso saber? Como pagar as dívidas contraídas, podemos saber? Claro que não! Não têm soluções nenhumas, a não ser mais endividamento! O problema nem é endividar, o problema é o juro e aquilo que temos de pagar do passado!
 
Eu tenho a certeza que mais 6 meses este governo cai. A situação será económica será exactamente a mesma que a actual. E o governo cairá exactamente porque não faz qualquer ideia do que se está a passar e porque os ventos lá fora já não são a austeridade. Relembro que a Alemanha que esmaga salários há 10 anos vai ter um crescimento económico próximo de 0% e estou em crer que os trabalhadores alemães não vão suportar esta tralha conservadora durante muito mais tempo. Retirar ao trabalho para dar ao capital vai acabar. Este sistema económico está ligado à máquina. Dos escombros sairão defices elevados durante 5-6-7-10 anos, o tempo que for necessário até que o crescimento económico sustentável se materialize.
 
Eu tenho a certeza que mais 6 meses este governo cai.

O último que feche a porta, porque o país então terminará aí. E caso isso aconteça a decisão não virá do Banana Silva.
 
Mais despesa.

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Sol
 
Mais despesa.

Esta manif é bastante mais política. A outra de março era folclórica e tinha gente a mais. Havia a corrida ao poder.

Mas percebe-se a lógica. Para determinados quadrantes será sempre a gente suja e andrajosa que não obedece a quem manda. Basta ler o que se escreve por ai. Ainda bem que há 37 anos que é assim.
 
espero que se repitam manifestações como as de hoje , mas nao venham com histórias de manifestações pacíficas, porque isto nao vai la com pacificidade, neste momento é precisa violência.
e que ninguem tenha medo da policia porque o povo unido jamais será vencido

Sim, que a policia não é gente. Nem são afectados pelas medidas de austeridade.
 
Estado
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