Os salários no sector privado são muito regulados pelos salários no sector público, digamos que os salários da função pública são uma referência para o sector privado, embora os números digam que no sector privado, geralmente, são mais baixos 10 a 15% que no sector público. E depois há regalias no sector público, como o direito à ADSE, reformas mais elevadas e outros extras que há nalguns cargos e profissões (prémios, telemóvel, cartão de crédito, motorista, etc).
Nas últimas décadas os salários de juízes, médicos, militares, directores, gestores públicos, enfermeiros, professores, funcionários da TAP e de outras empresas de transportes públicos, etc. cresceram desmesuradamente atendendo à nossa realidade económica. Esse crescimento desmesurado dos salários da função pública motivou a subida dos preços das habitações e das rendas, dos preços dos serviços, e motivou também o crescimento do sector terciário (ginásios, spa's, centros comerciais, etc.). Claro que depois há a questão das diferenças salariais, profissões menores têm salários muito baixos dentro da função pública, e esse é um dos mecanismos que o Estado tem para gerar diferenças sociais gritantes.
Informem-se bem sobre o perfil de quem compra segunda habitação no Algarve. De quem compra nas lojas caras da Baixa de Faro, ou de quem frequenta o Holmes Place. Ou ainda de quem faz férias no Brasil ou em Cuba. A maioria são funcionários públicos. Quem trabalha no sector privado, os donos das PME's, com frequência, nem têm direito a descansar ao fim-de-semana, quanto mais ir de férias para o estrangeiro.
Já depois do corte do 13.º e do 14.º mês a Troika disse que o peso dos salários continua muito elevado, portanto não se admirem que o Estado corte ainda mais em salários e reformas.