Paulo H
Cumulonimbus
Crime muito grave não será certamente.
Deixemos de lado a proveniência do leite, e discutamos um caso genérico. Eu tenho um produto novo, quero lançá-lo no mercado. Tenho um fundo de maneio que me permite aguentar com prejuízos durante um ano, vendendo abaixo do custo de produção. Assumo esse risco, posso perder dinheiro se não conseguir implantar o produto no mercado, mas é um risco meu. Deve o Estado impedir-me de fazer isso? É uma discussão ideológica interessante, para mim o Estado não deve intrometer-se. O dinheiro dos meus impostos não deve ir para pagar operações deste tipo. É a minha opinião, aceito quem tenha outra.
Entre o direito a promover um produto (existem descontos e época de saldos), e o direito a ser protegido de ameaças internas e externas de concorrência desleal, existe uma linha muito tênue comparável à física com a química! É como tudo na vida, por vezes dá jeito uma lei ou a sua ausência, mas tal como na sociedade existem regras também as regras na economia servem ou deveriam servir para proteger todos aqueles têm responsabilidade social para com os trabalhadores vendendo os seus produtos ou serviços, sem o risco de serem prejudicados desregradamente por quem recebe subsídios do estado para produzir, ou por quem coloca em Portugal excedentes que não se vendem na sua origem a qualquer preço, ou por concorrentes que se submetem à pressão dos grandes capitais de médias/grandes superfícies!
As regras de mercado neste caso, não as considero de esquerda nem de direita, não existe ideologia política que não se preocupe um pouco com os seus contribuintes ou com os seus beneficiários! Não é só a economia e a luta contra a formação de monopólios/oligopolios, é a luta por uma nação! Sem regras de mercado, viveriamos de quê? De subsídios do estado, economia de mercado paralela, troca de produto x por produto y, sem impostos? Não de certeza que não! Alguém iria pagar os impostos em falta, e como é costume, seriam os pobres de sempre! Regras de mercado são essenciais na democracia, logo a seguir ao direito ao voto e à justiça em primeiro lugar!
