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E continua... a papelada dos submarinos escafedeu-se. Os tanques PANDUR apodrecem no Barreiro. A Zita Seabra mandou toda a gente comprar ventoinhas porque os comunistas escutam pelos aparelhos de ar condicionado.

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E continua... a papelada dos submarinos escafedeu-se. Os tanques PANDUR apodrecem no Barreiro. A Zita Seabra mandou toda a gente comprar ventoinhas porque os comunistas escutam pelos aparelhos de ar condicionado.

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Eu cá assim que soube fui logo a correr comprar uma ventoinha. Até porque tenho crianças em casa e serem comidas ao pequeno almoço não é de todo agradável....

Realmente é preciso ter lata, não tarda vão dizer que o PCP foi financiado pela União das Republicas Socialistas Soviéticas.
 
Alqueva é um projecto agrícola cada vez mais importante. Todo o dinheiro que fugiu do imobiliário entrou nos cereais. Há hoje 30 vezes mais dinheiro a circular no mercado de culturas futuras do que nas vendas entre produtores e a industria de colheitas presentes. E todos sabem o que é que significa ter 30 vezes mais dinheiro enfiado numa coisa que não existe...

A CGD preferiu emprestar dinheiro para comprar uma empresa de autoestradas. São opções. Não sabemos as garantias exigidas ao Grupo Mello para a operação. Não estamos em condições de comparar. Mas declarações do compradores são interessantes. "Vasco de Mello: Recuperar valor da Brisa vai ser um longo caminho" ou "Vasco de Mello lembra que o acordo com a Arcus (fundo financeiro internacional, o parceiro na OPA) é válido por 12 anos." ou ainda "O investimento da José de Mello na Brisa para 30% do capital estava avaliado em 1,3 mil milhões de euros nas contas de 2011 do grupo. Mas a preços de mercado, a participação valia menos 840 milhões de euros, ou seja, um terço do valor contabilizado. Esta disparidade pressionou os accionistas e os bancos financiadores da oferta, BES, BCP e Caixa, que são também financiadores do Grupo Mello, a avançarem com a OPA sobre a Brisa. Números dos bancos financiadores, citados pelo “Jornal de Negócios”, revelam a expectativa de que a Brisa possa valer o dobro depois da OPA e depois da saída de bolsa – um cenário que interessa à banca, que tem como principal garantia dos empréstimos concedidos ao Grupo Mello as acções da Brisa."

Podemos tentar comparar a Brisa e o Roncão d'El Rei. Mas já sabemos que não são a mesma coisa.
 
Alqueva é um projecto agrícola cada vez mais importante. Todo o dinheiro que fugiu do imobiliário entrou nos cereais. Há hoje 30 vezes mais dinheiro a circular no mercado de culturas futuras do que nas vendas entre produtores e a industria de colheitas presentes. E todos sabem o que é que significa ter 30 vezes mais dinheiro enfiado numa coisa que não existe...

Tudo certo, concordo plenamente. Só que me parece é que a única prática agrícola no projecto do Roncão d'El Rei seria a plantação de relva nos campos de golfe.

Infelizmente, os empresários portugueses e o próprio Estado acham mais importante construírem-se primeiro as marinas, empreendimentos turísticos, e deixar a agricultura para segundo plano. É a lógica do dinheiro fácil. Se o Bloco quer criticar alguma coisa na gestão do Alqueva, que questione por que é que a conclusão da rede de regadio está parada, uma vez que foi esse o objectivo da construção da barragem.
 
Vou explicar basicamente como isto funciona, de maneira muito grosseira.


Um pequeno investidor se quiser construir numa zona agrícola, parque natural ou reserva ecológia não pode. Mas os grandes projectos que são aqueles que têm maior impacto ambiental, no nosso país, têm todos aprovação garantida. São considerados Projectos de Interesse Nacional e avançam.

Entretanto, os investidores normalmente são pessoas ligadas ao círculo do poder. Conseguem financiamento via BES, CGD ou BCP. Ou melhor, conseguiam. Entretanto, há um intermediário local que recebe uma comissão e consegue negociar com os donos dos terrenos.

O empreendimento avança e os campos de golfe são cavalos de Tróia, tal como a hotelaria, para o que realmente interessa, o imobiliário. Entretanto, profissionais que têm rendimentos elevados garantidos -médicos, gestores de empresas públicas, funcionários de fundações, administradores do sector Estado e do Estado paralelo, arquitectos, advogados- endividam-se na Banca para comprar segunda habitação. Outro alvo apetecível são os clientes estrangeiros, mas aí tudo se complica pois outros países como Grécia, Itália ou Espanha oferecem alojamentos com melhor qualidade arquitectónica em «iconic regions» como a Toscânia, com melhor relação qualidade/preço.

É assim um negócio chorudo que beneficia:

- autarquias e ju8ntas de freguesia, que se aproveitam destes aprovamentos para falar em emprego e desenvolvimento(?), para além disso as autarquias recebem o dinheiro dos impostos diversos que estes empreendimentos pagam;

- Banca, que empresta dinheiro e recebe os lucros dos juros;

- intermediários do forte sector imobiliário local;

- empresários com ligações à Banca e ao poder político.

Indirectamente, estes empreendimentos dependem do Estado, via CGD, programas de desenvolvimento ou funcionários do Estado e Estado paralelo, com remunerações elevadas e emprego garantido. Os pequenos, médios e até grandes empresários que conheço não compram segunda habitação nestas condições, pois dão outro valor ao dinheiro e muitos nem têm férias, aliás quem tem negócios que envolvem exportação com frequência nunca pode tirar férias e tem de estar disponível todos os «business days» para tratar dos assuntos com os clientes.

Muitos destes grandes empreendimentos estão tecnicamente falidos ou à beira disso. Não acreditem na propaganda, conheço por exemplo um mega PIN que tem quase todas as habitações por vender há mais de 5 anos e o campo de golfe quase não tem clientes! Ainda se está a manter porque a Banca portuguesa é paciente...

Outro caso que se fala é o empreendimento dos Salgados, ao que parece está falido mas há quem queira avançar com outro PIN na lagoa dos Salgados, uma área protegida. É de loucos, e fica a questão: se o mercado está há muito saturado, por que motivo a Banca portuguesa ainda financia estes projectos?

Fala-se que a Comporta, de Ricardo Salgado, não foi o sucesso previsto, tal como Tróia. Antigamente negócio do imobiliário no Algarve era sustentável, vendiam-se quintas e casas velhas que os estrangeiros restauravam, e os empreendimentos feitos de raiz eram de pequena dimensão e adequados ao cliente habitual da região, as classes médias do Reino Unido, Holanda ou Alemanha, pois as classes altas preferem outros destinos, o Sul de Itália, as ilhas gregas ou o Sul de França, o Algarve não tem tradição nas classes altas europeias nem nunca terá.

Vejo por isso com muitas preocupação a situação da nossa Banca, financiaram mega projectos na costa algarvia ou na costa alentejana, e elefantes brancos como o Autódromo do Algarve, e agora têm este «lixo imobiliário» sem compradores. Em breve as moradias de luxo começarão a ficar velhas e degradadas, e aí então os potenciais clientes de classe alta fugirão ainda mais destes empreendimentos.

O chumbo dos empreendimentos do Alqueva denota que há uma mudança de política na CGD, apareceu logo o Basílio Horta que era muito socrático na TV, se ainda estivesse o PS no poder estes empreendimentos avançariam, mas depois se corressem mal quem pagaria a factura? Se na costa algarvia há n hotéis e empreendimentos falidos ou à beira disso, alguém acredita na viabilidade destes mega projectos no Alqueva? Quem quereria comprar um vivenda de luxo no Alentejo, uma região sem iniciativas culturais de relevo ou comércio decente, quando pode comprar no Sul de Itália a preços mais reduzidos e ter acesso a zonas com festivais de ópera, grandes museus ou comércio de luxo? Os empresários, banqueiros e políticos portugueses vivem num mundo de ilusão e são na sua maioria uns incompetentes.
 
Hoje fiquei a saber, a telenovela Equador da TVI recebeu mais de um milhão de em apoios do Estado. Enfim... não admira que a despesa pública atinja níveis tão elevados. Provavelmente nem temos país para 4 canais, daí que Pinto Balsemão não queira a RTP1 privatizada. Ou pelo menos 4 canais a produzir telenovelas e programas a torto e a direito, em vez de meterem na programação produtos estrangeiros, comprados lá fora, como se fazia no passado, tal como séries, filmes, documentários, desenhos animados.
 
A velha curva de Laffer. Já ninguém leva o Laffer a sério...

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Arthur Laffer tentou aplicar o "lado bom" da curva na administração Reagan. Falhou. A curva de Laffer não passava de mais uma aldrabice neoliberal. A ideia era que os cortes de impostos sobre os mais ricos e as empresas aumentavam a actividade económica, criavam postos de trabalho e por isso pagavam-se a eles próprios. Pareceria a qualquer partido de direita o truque perfeito. No primeiro ano o défice começou em 2,8% em 1982, passou para 6% em 1983 e manteve-se sempre nos 5% até ao final de 1986. No total os impostos sobres os ricos baixaram de 50% para 28% (a tal ideia do lado bom da curva - menos impostos, mais riqueza que se paga a ela própria) mas para compensar a quebra de receita que imediatamente se verificou, os impostos dos pobres aumentaram de 11% para 15%. Além disso alargou-se a base tributável para abranger mais rendimentos. Portanto a curva de Laffer tratou-se de uma aldrabice neoliberal para transferir riqueza do trabalho para o capital.
 
Arthur Laffer tentou aplicar o "lado bom" da curva na administração Reagan. Falhou. A curva de Laffer não passava de mais uma aldrabice neoliberal. A ideia era que os cortes de impostos sobre os mais ricos e as empresas aumentavam a actividade económica, criavam postos de trabalho e por isso pagavam-se a eles próprios. Pareceria a qualquer partido de direita o truque perfeito. No primeiro ano o défice começou em 2,8% em 1982, passou para 6% em 1983 e manteve-se sempre nos 5% até ao final de 1986. No total os impostos sobres os ricos baixaram de 50% para 28% (a tal ideia do lado bom da curva - menos impostos, mais riqueza que se paga a ela própria) mas para compensar a quebra de receita que imediatamente se verificou, os impostos dos pobres aumentaram de 11% para 15%. Além disso alargou-se a base tributável para abranger mais rendimentos. Portanto a curva de Laffer tratou-se de uma aldrabice neoliberal para transferir riqueza do trabalho para o capital.

Então, se aumentaram os impostos das classes mais baixas, como podes chamar a isto de liberalismo, seja ele "neo" ou não? (Já agora, qual a diferença do liberalismo para o neoliberalismo, e qual foi o ponto em que o velho liberalismo se tornou "neo"?)

O que a administração Reagan fez não passou de um pseudoliberalismo (já que gostas tanto de prefixos), que serviu para beneficiar os amigos que lhe financiaram a campanha à custa dos restantes contribuintes americanos.

Quanto à curva de Laffer é óbvio que existe e se aplica, basta ver a quebra nas receitas fiscais em Portugal nos últimos tempos.
 
Se existe "exaustão fiscal" porque é que não existe "fôlego fiscal"? Se existe a parte má da "curva" porque é que não existe a parte boa da "curva"?
 
Mas creio que estamos de acordo que o Estado português é ambas as coisas. Mesmo que não fosse corrupto, e fosse só mau gastador, por que razão haveria de ser sustentado pelos impostos sobre o trabalho de cada contribuinte?

O Mexia governa. O Mexia já mandou o recado. O Mexia sabe do que fala. O Mexia não quer pagar impostos.

O presidente executivo da EDP, António Mexia, considerou esta segunda-feira que «não faz sentido» que «haja mais impostos para o setor privado».

http://www.agenciafinanceira.iol.pt...vado-edp-agencia-financeira/1369097-1728.html

O índice PSI20 tem 18 empresas. Nenhuma paga impostos em Portugal e todas têm a contabilidade organizada em "sistemas fiscais mais competitivos".
 
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