E é mesmo possível ? Não sabes em que país vivemos ? Repara, devíamos andar a fundir municípios, e nem freguesias conseguimos, fazem-se logo manifestações. Racionalizar o SNS, os coitados dos médicos fazem greve. Sector dos transportes, dos maiores buracos do Estado que se andou a tapar durante anos, maquinistas andam em greves desde que este governo entrou em funções. Empresas como a TAP cujo governo e administrações até os pouparam a cortes, responderam com greves ou ameaças de greve que custaram milhões e provavelmente afugentaram futuros investidores de que a empresa desesperadamente necessita. Cortar nas PPP's, algumas delas já estão mesmo falidas (como é o caso de várias concessões de autoestradas), as restantes faliriam se o Estado cortasse mais. Rendas na energia, a mesma coisa, o Estado inventa negócios inviáveis por razões políticas e faz contratos, cortar neles significa levar à ruína tudo o que se construiu (parques eólicos por exemplo). Acabar com a RTP, o Relvas (que se pôs a jeito por culpa própria, teve o que merece) foi basicamente cilindrado por todos os interesses instalados contra a privatização da RTP. Fundações, mal se falou em acabar com algumas, foi uma barulheira enorme... Etc, etc,etc, é tudo assim.
Podia de facto haver um governo que actuasse de forma mais firme, radical e liberal, não sei é se os efeitos não seriam ainda muito piores do que os que já estamos a sentir. Leio por aí muitos textos de liberais que também acho que são utópicos, ao nível da irresponsabilidade dos discursos da extrema esquerda. Não é de forma simples que mudamos de um modelo assistencialista da sociedade em que quase tudo depende do Estado para outro modelo. Os liberais por vezes o que defendem seria equivalente a um elefante numa loja de porcelanas e os estragos que causariam apenas contribuiria para vivermos em mais socialismo umas décadas, seria preferível deixar falir o país.
Obviamente este governo já era, perde rapidamente a sua base eleitoral, mas tenham medo do que se seguirá, não pode ser nada de bom.
E qual seria a solução? Esta que o governo tem tentado implementar, de fazer umas "cócegas" na despesa e continuar a aumentar exponencialmente os impostos?
Se formos a ver, tudo isso que tu referes, greves, manifestações, gritaria já temos. O governo cairá o mais tardar daqui a dois anos e meio, quando termina o seu mandato, e é inevitável que seja o PS a vencer as eleições seguintes com maioria absoluta. Portanto ficará tudo na mesma. Não seria melhor arriscar qualquer coisa, uma receita nova?
Não seria mais simples tomar medidas para melhorar a produtividade, o principal problema do nosso mercado laboral, reduzindo drasticamente a burocracia, os papelinhos a preencher, as licenças, autorizações, fiscalizações de ASAEs e afins? Teria certamente um efeito superior ao cerca de 2% que as empresas vão poupar pelo corte na TSU, e ainda por cima não implicaria a perda de 7% do salário bruto de todas as pessoas que trabalham.
Só para dar um exemplo, conheço duas mulheres, desempregadas de longa duração, que pretendiam lançar-se num negócio de fazer bolos e salgados para vender em cafés. Até já tinham apalavrados alguns acordos, quando souberam que para terem a licença da ASAE necessitavam de um investimento inicial nas suas cozinhas que só teria retorno, num cenário bastante optimista, 5 anos depois. Vale a pena iniciar um pequeno negócio desta forma? Nisto é facílimo de cortar, ninguém reclamará, e não venham com histórias que é a União Europeia que obriga, pois em vários países da Europa Central não se passa nada disto, se há alguma lei nesses países a fiscalização é branda e tem bom senso.
Outro aspecto, custa alguma coisa, para acelerar a justiça, outro dos grandes entraves do nosso desenvolvimento, se o Estado deixasse de legislar em matérias que não interessam ao bem comum. Processos de divórcio, que não envolvam a guarda de menores, pequenos discussões (tipo o casal de namorados a quem saiu o Euromilhões), não deveriam ser julgadas sumariamente, em 30 minutos, e sem hipótese de recurso (até porque em 90% das ocasiões a decisão é salomónica).
(E ainda há algo que ninguém discute, por um lado felizmente, que é tentar perceber a razão pela qual as pessoas que não se endividaram, que sempre tiveram as contas em dia, e que todos os meses conseguem poupar parte do ordenado, têm que estar sujeitas a sacrifícios para pagar uma dívida que não contraíram; talvez aqui esteja o cerne da questão).