O Estado do País

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Os políticos tem uma profissão (ocupação profissionalizada por eles) para sustentar os seus interesses e interesses corporativistas. Nada de novo então...apenas que nenhum dos deputados do governo ou da oposição propuseram a efectiva redução dos seus vencimentos nesta época de crise - dali não virá o exemplo que precisamos!
E já que estamos numa redução, para quando uma redução de deputados e respectivas mordomias? Já repararam que nenhuma, mas mesmo nenhuma força política se propôs a tal? São todos diferentes mas todos iguais. Só um tolo bate nele próprio...
Até nem são funcionários públicos.
Compete-nos a todos sermos a peneira que separa o trigo do joio, não só nas eleições mas na vida diária, apontando despesismos e má gestão do nosso dinheiro. As manifestações tem pouco valor se passarmos por um cano furado a jorrar agua na via publica e nada fizermos, percebem?
 
Desculpa Mago, compreendi mal..

É claro que concordo com o método! Agora compreendo que é apenas um de vários métodos de formação: expositivo, demonstrativo, etc..
Claro que um exame final irá atestar o nível de conhecimentos obtidos! O e-learning é uma ferramenta excelente para reciclagem de conhecimentos e nos manter atualizados. Já fiz vários cursos e-learning, embora em contexto profissional.

Desculpa a confusão.. :)

:thumbsup: sim Paulo

Isto tudo vem no seguimento da conversa da fusão e extinção de politécnicos e Universidades. Sabemos que é contraprocedente criar barreiras ao acesso ao ensino. No entanto não somos um país rico para manter tanto organismo presencial em funcionamento. O ensino à distância pelo seu rácio de preço/aluno pode sem dúvida ser uma solução, claro somente em cursos teóricos.

Cumprimentos,
 
E já que estamos numa redução, para quando uma redução de deputados e respectivas mordomias? Já repararam que nenhuma, mas mesmo nenhuma força política se propôs a tal? São todos diferentes mas todos iguais. Só um tolo bate nele próprio...
Até nem são funcionários públicos.
Compete-nos a todos sermos a peneira que separa o trigo do joio, não só nas eleições mas na vida diária, apontando despesismos e má gestão do nosso dinheiro. As manifestações tem pouco valor se passarmos por um cano furado a jorrar agua na via publica e nada fizermos, percebem?

Mesmo que consegui-se-mos colocar C4 nas cadeiras dos deputados na assembleia, muitos dos palhaços faltam às sessões e seria um estrago de material :lmao:
Aquilo é tudo a mesma laia. Querem é os bolsos deles mantidos, os outros que se ****... lixem :p (e.g. O gajo da vespa que depois virou carrão)
Como é que vamos fazer para mudar isto? O problema é que os partidos são todos a mesma porcaria desde sempre e quem sucede dentro do partido é cunha (amigo, familiar). Acredito que seja muito dificil gerir um país, mas estes gajos, a vida deles gerem-na bem. Só se ouve PSD, PS, CDS, Comunas. Será que os outros não conseguem safar isto. E se criássemos um partido: Partido dos Meteoloucos :p
Só que lá está, somos todos seres humanos, todos temos ideais diferentes e maneiras de pensar diferentes e todos cometemos erros, faz parte da natureza humana. Aqui neste fórum lêem-se tantas ideias distintas e conflituosas que é dificil arranjar a solução que agrade a todos. A procura do meio-termo pode levar muito tempo, mas é o mais acertado (penso eu).
 
No ciclo básico do curso de Medicina (3 primeiros anos) há muita gente que faz cadeiras sem pôr os pés nas téoricas. Estuda-se em casa pelos livros, sebentas, resumos dos professores ou diapositivos. É perfeitamente possível fazer muitas cadeiras assim e até com boa nota. Portanto se num curso difícil como Medicina isto é possível... também o será noutros.
 
:thumbsup: sim Paulo

Isto tudo vem no seguimento da conversa da fusão e extinção de politécnicos e Universidades. Sabemos que é contraprocedente criar barreiras ao acesso ao ensino. No entanto não somos um país rico para manter tanto organismo presencial em funcionamento. O ensino à distância pelo seu rácio de preço/aluno pode sem dúvida ser uma solução, claro somente em cursos teóricos.

Cumprimentos,

Para mim o importante é que haja igualdade de acesso para quem se dedica. Que ricos ou pobres concorram em pé de igualdade às vagas disponíveis no Ensino Público. E isso não acontece neste momento. Que tem dinheiro para comprar mais manuais de preparação para os exames, para pagar explicadores ou o colégio certo, daqueles onde se «compram» notas de Secundário está em vantagem.

Isto só poderá ser ultrapassado da seguinte forma:

1) Livro único de preparação para cada examenacional, lançado pelo GAVE, a custo reduzido. Esse livro deve ter todos os conteúdos necessários para aprovação com nota máxima (20), e deve ser lançado a custo reduzido (não mais de 10 a 15 euros).

2) Separar o acesso ao Superior da conclusão do Secundário. Acesso feito apenas por provas feitas em colaboração com as Universidades, tal como sucede noutros países.
 
1) Livro único de preparação para cada examenacional...

:lol:
Desculpe. Não consegui evitar a gargalhada. Já pensou na enorme guerra que as editoras iriam mover contra tudo e todos? Isto para não falar em tantos outros lobbies já bem instalados (cimentados até!) ... :(

Que se lixem as editoras. Que se lixem os interesses. E o interesse de centenas de milhar de famílias não conta?

Para quem lê ter uma noção...

Quando frequentei o 12.º ano tinha de comprar 3 livros a Matemática: um livro para cada capítulo da matéria. As editoras dizem que fazem isto para os alunos terem menos peso na mochila, mas a verdade é que tal encarece muito os manuais. Mas esses três manuais, que eram da Porto Editora, tinham muitas deficiências, e várias partes da matéria estavam mal explicados. Então comprava-se o Guia de Acesso. Entre Guia de Acesso e manual obrigatório gastava-se então ~60 euros, hoje em dia poder-se-á gastar 75 euros ou mais. E quem comprar um livro de exercícios extra, de outra editora, poderá gastar mais de 100 euros.

Em Biologia usava-se o manual da Porta Editora, que estava dividido em dois livros. Só que não tinham a matéria toda, e então recomendava-se o Anaia para quem queria Medicina. O Anaia já não se publicava, então tinha de ser fotocopiado. Era também necessário comprar o Guia de Acesso, pois o manual das aulas não preparava para o exame. Mais uns 75 euros. Quem comprasse um livro de exercícios extra gastaria mais de 100 euros.

O mesmo raciocínio poderia ser aplicado às outras disciplinas de então, num total de 5. Sei que no final do ano gastei cerca de 500 euros em livros. Quantas famílias se poderão dar a esse luxo? Se houvesse manuais únicos poderia ter gasto menos de 125 euros.

É por estas e por outras que por culpa deste falso Estado Social não há mobilidade, e o acesso ao Superior fica muito dificultado para os mais carenciados.
 
Perante a declaração do FMI o gago mental das Finanças só tem um coisa a fazer: demitir-se, ou então demiti-lo!

Abebe Selassie diz que “se houver apenas austeridade”, a economia portuguesa “não vai sobreviver” e revela que a ideia de cortar o salários dos trabalhadores do privado foi do Governo e não uma exigência da troika.

Para o chefe de missão do FMI em Portugal, o aumento da contribuição dos trabalhadores é uma forma “criativa” de resolver o problema do défice e da competitividade. Quanto ao impacto no salário dos trabalhadores do sector privado, Selassie admite que a medida “tem de ser calibrada, para que o impacto sobre os pobres seja tido em conta”.

[...]

Na entrevista ao “Público”, o responsável do FMI alerta também que “se o programa for apenas austeridade, a economia não vai sobreviver”, sendo por isso que foi dado mais um ano a Portugal para o País atingir um défice abaixo dos 3%.

Jornal de Negócios, 12 Setembro 2012 | 20:23

Ministro Gaspar pede aos portugueses seis vezes mais do que precisa cortar para nova meta do défice

O Diário de Notícias fez as contas e escreve hoje que o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, só precisa de cortar 850 milhões de euros mas está a pedir seis vezes mais. De acordo com o jornal, o Governo pediu aos portugueses um esforço de redução do défice "na ordem dos 4,9 mil milhões de euros", um valor quase seis vezes superior à redução necessária combinada com a troika para cumprir a meta de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do défice no próximo ano.

Notícias ao Minuto/ Diário Notícias, Quarta, 12 de Setembro de 2012

Ficámos hoje a saber três coisas importantes:

— o ministro das finanças apresentou medidas drásticas de austeridade destinadas a reduzir o endividamento do país, usando como justificação uma previsão do défice para este ano 1pp abaixo da estimativa mais realista e negativa que escondeu dos portugueses, cenário prontamente denunciado pelo BNP Paribas.
“As previsões do BNP Paribas apontam para que [...] o défice deste ano fique em 6% do PIB, ou seja, um ponto percentual acima da nova meta.

Mas não é só nas metas do défice que o BNP Paribas acredita que o Governo está a ser optimista. “Para 2013 vemos riscos significativos de revisão em baixa da meta para o crescimento”, diz o BNP Paribas.

Mesmo antes das novas medidas de austeridade anunciadas para 2013, o banco francês já antevia uma contracção de 1,3% no PIB português no próximo ano. Agora o BNP vai rever em baixa esta previsões, que serão certamente piores do que as estimativas do Governo.

Jornal de Negócios, 12 Setembro 2012 | 11:18

— o ministro deixou flutuar a ideia de que o recurso à austeridade unilateral, com escandalosa e canina submissão aos bancos e ao Bloco Central da Corrupção, suas PPPs e monopólios rendeiros, teria sido uma exigência da Troika, quando não foi!

— o ministro anunciou a intenção de levar a cabo mais uma expropriação fiscal dos rendimentos do trabalho, da poupança e da propriedade, seis vezes acima das supostas necessidades de financiamento do défice previsível, sem que tenha dado alguma justificação para semelhante exibição de insensibilidade e de verdadeiro terrorismo fiscal.

A explicação dada esta tarde para a punção fiscal seria a de uma medida de precaução. Se é verdade, há que esmiuçar os argumentos. Se a prudência se deve à mentira ministerial sobre a previsão do défice para este ano, e sobre a previsão otimista da recessão em 2013, então o gago mental das Finanças e a parelha dos Condes de Abranhos que dirigem este governo devem ser postos na rua. Ou seja, o presidente da república só tem que fazer uma coisa: demitir o governo e chamar o PSD a formar outro governo!

Mas há outra explicação para o terrorismo fiscal em curso: é que as privatizações da TAP e da ANA marcam passo, sendo que só a TAP, além de precisar em breve de 500 milhões de euros, tem um buraco escondido na ordem dos TRÊS MIL MILHÕES DE EUROS — sendo o grupo BES um dos seus mais interessados credores!

Se se investigar a sério isto, começando por divulgar os contratos e anexos das PPPs, bem como as contas da ANA, talvez venhamos a constatar que as duas enfadonhas horas de comunicação do gago das finanças tentou tão só esconder mais um caso de polícia!

A queda deste governo está em curso, e quanto mais depressa corrermos com o dito, melhor!

Passos Coelho é um Sócrates laranja. É urgente despedir com justíssima causa semelhante criatura, como é urgente esmagar de vez o Bloco Central da Corrupção!


ÚLTIMA HORA

Manuela Ferreira Leite arrasa governo e desafia deputados laranja a chumbar o Orçamento! É imprescindível ver toda a entrevista à TVI (quando estiver disponível).

Manuela Ferreira Leite desafiou os deputados a travarem o Orçamento de Estado para 2013, por discordar das novas medidas de austeridade anunciadas por Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar.

«Em relação ao orçamento, cada um de nós, em consciência, faça aquilo que deve fazer para tentar inverter a orientação política que tem estado a ser seguida... Estou à espera de ver como vão reagir os deputados. Estou para ver se votam a favor, se votam contra, se aceitam tudo...», afirmou, em entrevista à TVI24.

MFL é uma menina bem comportada do Cavaco (que abomino!), mas creio que daria uma PM à altura do momento, ao contrário dos agentes que a Goldman Sachs colocou em Lisboa, e do produto fabricado pelo Ângelo com dinheiro do BES a que chamam primeiro ministro.

A entrevista de MFL, depois do Grito do Ipiranga dado pelo deputado da JSD, Duarte Marques, é o tiro de partida para o afundamento deste governo. De Passos de Coelho e do burro diplomado Relvas não há mais nada a esperar.

http://o-antonio-maria.blogspot.pt/
 
É um país de gente muito "inteligente", como se fosse possível mudar quase 40 anos de socialismo de um ano para o outro, é claro que nunca ninguém vai entender certas medidas num país de impossíveis em que até a própria constituição é socialista e extraordinariamente benéfica e protectora para os serventes que a criaram, uma espécie de casta especial que agora anda muito indignada, duas gerações que nos endividaram até não poderem mais e passaram 40 anos a combater arduamente todo o tipo de reformas.
Num país que assistiu durante décadas aos maiores regabofes sem ninguém se queixar de nada, se calhar deviam fazer uma pausinha, e questionarem-se a vocês próprios, porque é que agora todos se queixam, depois de décadas de passividade ? Talvez encontrem aí uma reposta....

Parece-me que de um lado se estão a pôr a jeito para deitar abaixo o Governo. E o Governo está-se a pôr a jeito para isso.
 
Oxalá que caia, para todos vermos realmente o verdadeiro fundo do poço, tão do agrado dos radicais quer de esquerda quer de direita ... pois já não há pachorra alguma para tanto génio com a solução fácil na ponta da língua.

Se cair o Presidente da República nomeia alguém ligado ao PSD. Talvez António Borges, Manuela Ferreira Leite, não sei. Ou quem sabe, Paulo Portas. Teremos Governo de Salvação, resta saber se o PS será convidado.
 
Esses do PSD não teriam absolutamente nada de diferente ou novo para oferecer, para além de tentarem proteger as suas próprias reformas douradas, o motivo porque andam tantos "ilustres" do próprio PSD enfurecidos ultimamente... O Portas, estás a brincar ? Para além de passar a vida em viagens que tem feito ele por este governo ? Nada ! Apenas a mandar os seus peões inventarem mais taxas e taxinhas para depois ficarem todos muito indignados com aumentos de impostos como se eles não tivessem feito outra coisa até aqui.... Do PS nem vale a pena falar.... é só gente louca.

Desde o início que Paulo Portas se está a pôr de lado. Agora aparece como o salvador que tenta bloquear o aumento dos impostos. Digam o que disserem é um bom estratega.
 
O facto do anterior governo ter sido uma tragédia, e de na oposição as alternativas serem ridículas, não isenta este governo de críticas. Um governo de coligação entre dois partidos que prometeram uma liberalização da economia, um alívio da carga fiscal, reformas estruturais, que já se tinham reunido com a troika antes das eleições, portanto não podem alegar desconhecimento da situação do país, e chegam ao poder e são de todos os governos desde 1974 aquele que mais impostos subiu e taxinhas criou, merece críticas ferozes e algum repúdio da nossa parte.

Fico à espera das tão propaladas reformas estruturais prometidas vezes sem conta, do fim das burocracias que provocam uma diminuição da produtividade, o fim de vários institutos governamentais inúteis e parasitários e uma remodelação da Segurança Social para um sistema misto e parcialmente voluntário. E de uma diminuição efectiva de impostos.
 
Portugal deu a bancarrota parcial em 1892. O país arrastou-se em crise e em 1910 o Regime de então caiu. O que veio depois foi ainda pior. Entre 1910 e 1920 Portugal empobreceu, meteu-se num guerra onde não deveria ter entrado e o país andou em clima de guerra civil.

Quando as coisas se compunham um pouco começou a ditadura e depois o Estado Novo. As contas públicas ficaram em dia, mas veio o condicionamento industrial, ou seja, rendas protegidas a patrões ineficientes e preguiçosos.

Há mais exemplos. Historicamente revoluções e mudanças radicais, bruscas, em Portugal, só trazem mais miséria e falta de liberdade. Depois são décadas até que as coisas mudem um pouco.
 
E é mesmo possível ? Não sabes em que país vivemos ? Repara, devíamos andar a fundir municípios, e nem freguesias conseguimos, fazem-se logo manifestações. Racionalizar o SNS, os coitados dos médicos fazem greve. Sector dos transportes, dos maiores buracos do Estado que se andou a tapar durante anos, maquinistas andam em greves desde que este governo entrou em funções. Empresas como a TAP cujo governo e administrações até os pouparam a cortes, responderam com greves ou ameaças de greve que custaram milhões e provavelmente afugentaram futuros investidores de que a empresa desesperadamente necessita. Cortar nas PPP's, algumas delas já estão mesmo falidas (como é o caso de várias concessões de autoestradas), as restantes faliriam se o Estado cortasse mais. Rendas na energia, a mesma coisa, o Estado inventa negócios inviáveis por razões políticas e faz contratos, cortar neles significa levar à ruína tudo o que se construiu (parques eólicos por exemplo). Acabar com a RTP, o Relvas (que se pôs a jeito por culpa própria, teve o que merece) foi basicamente cilindrado por todos os interesses instalados contra a privatização da RTP. Fundações, mal se falou em acabar com algumas, foi uma barulheira enorme... Etc, etc,etc, é tudo assim.

Podia de facto haver um governo que actuasse de forma mais firme, radical e liberal, não sei é se os efeitos não seriam ainda muito piores do que os que já estamos a sentir. Leio por aí muitos textos de liberais que também acho que são utópicos, ao nível da irresponsabilidade dos discursos da extrema esquerda. Não é de forma simples que mudamos de um modelo assistencialista da sociedade em que quase tudo depende do Estado para outro modelo. Os liberais por vezes o que defendem seria equivalente a um elefante numa loja de porcelanas e os estragos que causariam apenas contribuiria para vivermos em mais socialismo umas décadas, seria preferível deixar falir o país.

Obviamente este governo já era, perde rapidamente a sua base eleitoral, mas tenham medo do que se seguirá, não pode ser nada de bom.

E qual seria a solução? Esta que o governo tem tentado implementar, de fazer umas "cócegas" na despesa e continuar a aumentar exponencialmente os impostos?

Se formos a ver, tudo isso que tu referes, greves, manifestações, gritaria já temos. O governo cairá o mais tardar daqui a dois anos e meio, quando termina o seu mandato, e é inevitável que seja o PS a vencer as eleições seguintes com maioria absoluta. Portanto ficará tudo na mesma. Não seria melhor arriscar qualquer coisa, uma receita nova?

Não seria mais simples tomar medidas para melhorar a produtividade, o principal problema do nosso mercado laboral, reduzindo drasticamente a burocracia, os papelinhos a preencher, as licenças, autorizações, fiscalizações de ASAEs e afins? Teria certamente um efeito superior ao cerca de 2% que as empresas vão poupar pelo corte na TSU, e ainda por cima não implicaria a perda de 7% do salário bruto de todas as pessoas que trabalham.

Só para dar um exemplo, conheço duas mulheres, desempregadas de longa duração, que pretendiam lançar-se num negócio de fazer bolos e salgados para vender em cafés. Até já tinham apalavrados alguns acordos, quando souberam que para terem a licença da ASAE necessitavam de um investimento inicial nas suas cozinhas que só teria retorno, num cenário bastante optimista, 5 anos depois. Vale a pena iniciar um pequeno negócio desta forma? Nisto é facílimo de cortar, ninguém reclamará, e não venham com histórias que é a União Europeia que obriga, pois em vários países da Europa Central não se passa nada disto, se há alguma lei nesses países a fiscalização é branda e tem bom senso.

Outro aspecto, custa alguma coisa, para acelerar a justiça, outro dos grandes entraves do nosso desenvolvimento, se o Estado deixasse de legislar em matérias que não interessam ao bem comum. Processos de divórcio, que não envolvam a guarda de menores, pequenos discussões (tipo o casal de namorados a quem saiu o Euromilhões), não deveriam ser julgadas sumariamente, em 30 minutos, e sem hipótese de recurso (até porque em 90% das ocasiões a decisão é salomónica).

(E ainda há algo que ninguém discute, por um lado felizmente, que é tentar perceber a razão pela qual as pessoas que não se endividaram, que sempre tiveram as contas em dia, e que todos os meses conseguem poupar parte do ordenado, têm que estar sujeitas a sacrifícios para pagar uma dívida que não contraíram; talvez aqui esteja o cerne da questão).
 
Eu discordo de que não se ande propriamente a fazer nada. De contrário não haveria tanta gritaria.... O que digo é que não se anda a fazer ao ritmo do que muitos desejam, mas não sei é se seria possível outro ritmo neste país...

Mesmo por exemplo sobre a questão da redução da TSU, infelizmente a ter que suportada pelos trabalhadores em vez de uma diminuição das despesas do Estado (que por si não ignoremos que também significaria toneladas de desemprego, contracção do pib, diminuição do consumo, falências, etc, o dinheiro na economia quando tiras de um lado ou metes noutro tem sempre consequências). Mas independentemente disso, leio empresários e confederações de empresários a dizer que a medida não serve para nada. Como podem dizer essas coisas ? Que porcaria de empresários temos nós ?

a) As empresas de boa saúde, bem geridas e que valorizam a sua força laboral, aumenta os salários na mesma proporção do que poupam na TSU, o resultado final será completamente neutro. E acredita que pelo menos algumas o vão fazer. As boas empresas. Ou em alternativa aproveitam para criar mais emprego com essa poupança caso tenham a sorte de estar num sector expansivo apesar da crise. Ou aproveitam para baixar preços, o que se reflectirá no consumo ou ajudará por exemplo nas exportações. As más empresas de boa saúde geridas por patos bravos não o farão. Só isto é bastante estrutural na economia ...

b) Empresas em situação difícil, uma poupança desta ordem é pelo menos um pequeno balão de oxigénio que poderá ajudar a evitar mais despedimentos, no fundo, os actuais empregados suportam que se evitem mais desempregados.

As boas empresas e com boa saúde financeira (são muito poucas), irão compensar os trabalhadores com o aumento do salário bruto. A medida é neutra e serve apenas para (tentar) enganar o Tribunal Constitucional, fazendo parecer os cortes equitativos.

Para as empresas em dificuldade, 2% (5,75% multiplicado por um terço, que é o peso médio dos salários nas despesas das empresas) é uma ninharia, não é relevante. O impacto no desemprego é muito marginal.

De qualquer modo, acho que haveria medidas fáceis de tomar, como as que referi, que seriam mais favoráveis à recuperação económica.
 
Estado
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