Porque é que não vou à manif de sábado, entre outras razões
Critiquei duramente as novas medidas de austeridade, é verdade, mas parece-me extraordinário que alguém possa pôr em causa a inteira legitimidade democrática do Governo de Passos Coelho, como já li e ouvi por aí, nos sítios do costumes.
Parece-me ainda mais extraordinário que entre os que promovem a manifestação de sábado, estejam muitos dos que apoiaram incondicionalmente as políticas desastrosas dos governos de José Sócrates que nos enfiaram no buraco de que ainda hoje tentamos sair, como é o caso de alguns deputados-mirins do PS - e jornalistas adjacentes - que agora se descobriram subitamente justiceiros quase lacrimosos - e demagógicos - em nome do povo português.
A demagogia vergonhosa de feira que exibem deve ser suficientemente repugnante para afastar da manifestação qualquer democrata que se preze. O espectáculo montado por alguma esquerda folclórica que se julga dona da democracia também deve contar com alguns idiotas úteis, incluindo uma personagem lamentável que ganha a vida a dizer-se de "direita liberal" - ainda que ninguém, de direita e/ou liberal, se sinta representado pelas suas opiniões - e que pactuou com o estado das coisas antes de 5 de Junho de 2011.
Ao contrário de outros, eu não esqueço como todos eles atacaram despudoramente a então candidata a primeiro-ministro, quando Manuela Ferreira Leite se limitava a dizer a verdade sobre as obras faraónicas que Sócrates continuava a prometer antes das eleições de 2009. Não, não vou a uma manifestação que, na verdade, é profundamente anti-democrática, porque quer afastar do governo quem foi eleito pelo povo português. Criticar é uma coisa, estar ao lado dos que destruíram impunemente o País, é outra muito diferente.
Fonte:
http://abcdoppm.blogs.sapo.pt/1078091.html