Aurélio, esqueçamos as diferenças ideológicas de esquerda e direita, que não nos leva lado nenhum!
Nisto não concordo. talvez devêssemos todos parar uns dias para pensar e discutir ideologicamente. Falta uma discussão ideológica na política portuguesa, uma pessoa ouve os debates na AR, na TV, e noutros locais e não se discutem ideologias, só a política rasteira, pormenores menores que simplesmente estão na voga.
Não se trata de discutir a esquerda e a direita, acho que neste momento já está uma misturada total. Para dar um exemplo em Portugal, acho muito mais conservadores e dignos de se sentarem do lado direito nas cortes francesas do início do século XIX a maioria dos dirigentes do PCP do que a ala liberal do CDS.
O texto d'O Insurgente pôs certamente os cabelos em pé à maioria das pessoas. Existe uma tendência para associar aquilo a que chamamos esquerda, com todo o seu Estado Social, aos "bons da fita" e o liberalismo aos "maus". Aliás, chamar a alguém de "neo"liberal ultimamente, é quase tomado como insulto.
Trata-se de discutir que modelo de governação queremos para o nosso país. Não só o modelo económico, mas também o modelo social. Até 1974 vivíamos presos numa gaiola de 10 m3. Agora vivemos numa gaiola de 1000 m3, e há 3 tipos de pessoas:
- os que se acham livres, e ainda nem repararam nas grades da gaiola, por terem como referência os 10 m3;
- os que querem a gaiola fechada, pois acham que sem a gaiola o "povo" não se saberia comportar;
- os que acham que devemos sair a gaiola e voar livremente.
A maioria dos portugueses está nas duas primeiras. Eu voto na última opção. Acho que só evoluímos e ganhamos responsabilidade enquanto pessoas quando temos liberdade para decidir. Quando perguntas a alguém se era capaz de matar uma pessoa, a maioria das pessoas responde que não. Quando perguntas por quê, as respostas são mais perigosas:
- Porque vou preso;
- Porque vou para o inferno.
Raros aqueles que dizem, "porque respeito a vida humana". Este valor, entre outros está-se a perder, porque ninguém tem responsabilidade de nada. Ninguém se assume como crescido para decidir. Não há qualquer evolução ética na sociedade, há apenas leis e castigos.
Somos animais racionais, temos defeitos (e por isso não defendo a anarquia, que seria o melhor sistema numa sociedade perfeita), mas devemos limitar o controle sobre as nossas liberdades, sobre as nossas responsabilidades, ao mínimo possível. Quem acha que a humanidade precisa de trela para conviver, não lhe está a dar qualquer oportunidade para evoluir.
Ao contrário do que dizem, nunca em nenhum país se aplicou o liberalismo a sério. Talvez a Holanda seja o exemplo mais próximo e mesmo assim anda longe. Países que aplicaram o liberalismo económico, EUA de Reagan, UK de Thatcher, Chile de Pinochet, não tinham qualquer liberdade social. E não concebo o liberalismo sem a aplicação da sua vertente social, tão importante como a económica.
Termino com um excerto d'A Internacional:
O crime de rico, a lei o cobre
O Estado esmaga o oprimido