O Estado do País

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A Ordem dos Médicos tem manipulado os dados entregues à OCDE. Há falta de médicos, mas há excesso de especialistas em algumas áreas. Temos o mesmo número de otorrinolaringologistas que o Reino Unido. Deveremos aumentar a percentagem de médicos de Medicina Familiar, há quem fale em 50%, ou mesmo 80% de vagas para esta especialidade. Há casos que são agora tratados em especialidade que poderão passar para os médicos de Medicina Familiar. Por outro lado creio que se deveriam passar competências para os enfermeiros e farmacêuticos, mexendo obviamente na sua formação académica e no acesso à profissão. O número actual de vagas para formação em Medicina já é suficiente, e dentro de uma década ou menos poderá já haver um desemprego residual em Medicina. Estamos agora a pagar o preço da redução brutal de vagas que ocorreu nos anos 80 e que se manteve até ao início da última década. Mas agora já há mais de 1600 vagas. Deve-se sim aumentar o número de vagas para maiores de 23 anos, método de acesso que não existe em Medicina. Pelo menos 5% das vagas deveriam ser para adultos.
 
A propósito da carta aberta na qual se encontra a assinatura de Mário Soares faz bem lembrar umas coisas acerca deste senhor aquando a última intervenção do FMI. Encontraremos grandes similitudes aquilo que é defendido hoje, pena o circo se ter montado de outra forma a partir do momento no qual o FMI se foi embora, e termos voltado ao estado (ou ainda pior) a que estávamos em 1983.

Em Agosto de 1983, o Governo do Bloco Central PS-PSD, assinou um memorando de entendimento com o Fundo Monetário Internacional. Os impostos subiram, os preços dispararam, a moeda desvalorizou, o crédito acabou, o desemprego e os salários em atraso tornaram-se numa chaga social e havia bolsas de fome por todo o país. O primeiro-ministro era Mário Soares. Veja como o homem que hoje quer rasgar o acordo com a troika defendia os sacrifícios pedidos aos portugueses.

“Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”. DN, 27 de Maio de 1984

“Não se fazem omoletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”. DN, 01 de Maio de 1984

“Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo.” JN, 28 de Abril de 1984

“Quando nos reunimos com os macroeconomistas, todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a política que está a ser seguida é a necessária para Portugal”. Idem

“Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível” RTP, 1 de Junho de 1984. Idem, ibidem

“A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós” RTP, 1 de Junho de 1984

“Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”. Idem

“O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”. Idem, ibidem

“[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores (…). O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego”. JN, 28 de Abril de 1984

“O que sucede é que uma empresa quando entra em falência… deve pura e simplesmente falir. (…) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade. Idem

“Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”. RTP, 1 de Junho de 1984

“Pedi que com imaginação e capacidade criadora o Ministério das Finanças criasse um novo tipo de receitas, daí surgiram estes novos impostos”. 1ª Página, 6 de Dezembro de 1983

“Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários”. DN, 19 de Fevereiro de 1984

“A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar” RTP, 1 de Junho de1984

“A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa.” Der Spiegel, 21 de Abril de 1984

“Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes. Uma verdadeira agressão quotidiana que é intolerável que não seja punida na lei. Sê-lo-á”. RTP, 31 de Maio de 1984

“A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço” La Republica, 28 de Abril de 1984

“As finanças públicas são como uma manta que, puxada para a cabeça deixa os pés de fora e, puxada para os pés deixa a cabeça descoberta”. Correio da Manhã, 29 de Outubro de 1984

“Não foi, de facto, com alegria no coração que aceitei ser primeiro-ministro. Não é agradável para a imagem de um politico sê-lo nas condições actuais” JN, 28 de Abril de 1984

“Temos pronta a Lei das Rendas, já depois de submetida a discussão pública, devidamente corrigida”. RTP, 1 de Junho de 1984

“Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”. 6 de Junho de 1984

http://oinsurgente.org/2012/05/18/mario-soares-o-arauto-do-austeridade/
 
Estou na oposição portanto todas as iniciativas para demitir XIX Governo Constitucional por não cumprir nenhum objectivo económico, são importantes.
 
A Ordem dos Médicos tem manipulado os dados entregues à OCDE. Há falta de médicos, mas há excesso de especialistas em algumas áreas. Temos o mesmo número de otorrinolaringologistas que o Reino Unido.

Excesso de otorrinolaringologistas em Portugal? Só se for em Lisboa e Porto, porque em Faro só existe 1, e se eu fosse ao Hospital quando tenho problemas de ouvido há muito que estava surdo. Uma vez até fui ao hospital que era um fim de semana, por tanta sorte, o único otorrinolaringologista estava de férias, logo tive que passar o fim de semana completo sem ouvir nada, porque não existe especialistas no Algarve. Para ter um serviço bom de otorrinolaringologistas, tenho que ir a uma clínica privada.
 
Excesso de otorrinolaringologistas em Portugal? Só se for em Lisboa e Porto, porque em Faro só existe 1, e se eu fosse ao Hospital quando tenho problemas de ouvido há muito que estava surdo. Uma vez até fui ao hospital que era um fim de semana, por tanta sorte, o único otorrinolaringologista estava de férias, logo tive que passar o fim de semana completo sem ouvir nada, porque não existe especialistas no Algarve. Para ter um serviço bom de otorrinolaringologistas, tenho que ir a uma clínica privada.

Era o que diziam os meus professores...
 
A propósito da carta aberta na qual se encontra a assinatura de Mário Soares faz bem lembrar umas coisas acerca deste senhor aquando a última intervenção do FMI. Encontraremos grandes similitudes aquilo que é defendido hoje, pena o circo se ter montado de outra forma a partir do momento no qual o FMI se foi embora, e termos voltado ao estado (ou ainda pior) a que estávamos em 1983.

Curiosamente, também houve suspensão de subsídios nesse período, não me lembro se foi o 13o ou o 14o ou os dois, mas sei que foram devolvidos por inteiro finda a intervenção do FMI no ano seguinte... um empréstimo portanto.
 
Excesso de otorrinolaringologistas em Portugal? Só se for em Lisboa e Porto, porque em Faro só existe 1, e se eu fosse ao Hospital quando tenho problemas de ouvido há muito que estava surdo. Uma vez até fui ao hospital que era um fim de semana, por tanta sorte, o único otorrinolaringologista estava de férias, logo tive que passar o fim de semana completo sem ouvir nada, porque não existe especialistas no Algarve. Para ter um serviço bom de otorrinolaringologistas, tenho que ir a uma clínica privada.

Infelizmente é assim. Em anestesiologia e obstetrícia também se passa o mesmo e vamos ter um problema em breve nessas especialidades, fruto das politicas de finais dos anos 80, inícios de 90, numerus clausus por exemplo.
(especialmente nos algarves e interior)

É bom não esquecer que sem o financiamento do estado através dos subsistemas a saúde privada em Portugal é uma nulidade... não existe.
(são os nossos impostos que suportam a saúde privada, os seguros e terceiros pouco ou nada)
 
O cavaco tem o tal estigma da falta de regulamentação na agricultura e na pesca, que na verdade foram os proprietários quem se venderam! Mas ainda assim, nenhum ministro de qualquer partido que veio posteriormente fez melhor, todos fizeram o mesmo na agricultura e pescas: abandono em troca de fundos.
/QUOTE]

Posso estar errado e esquecido, mas quase que jurava que a A1 foi financiada, paga, pela então CEE tendo como contrapartida a redução da frota pesqueira e produção agroalimentar, o leite por exemplo.

Não me crucifiquem, mas o último ministro da agricultura do Sócrates virou o tabuleiro em muito pouco tempo.
 
A Ordem dos Médicos tem manipulado os dados entregues à OCDE. Há falta de médicos, mas há excesso de especialistas em algumas áreas. Temos o mesmo número de otorrinolaringologistas que o Reino Unido. Deveremos aumentar a percentagem de médicos de Medicina Familiar, há quem fale em 50%, ou mesmo 80% de vagas para esta especialidade. Há casos que são agora tratados em especialidade que poderão passar para os médicos de Medicina Familiar.

Hoje fui marcar uma consulta no médico de família para a minha mãe mostrar umas análises. Um frio de rachar, chuva, etc...
Cheguei ao centro às 7h30 (abria às 8h) e estavam mais de 60 pessoas à minha frente (na rua).
Resultado, já não consegui consulta para o mês de Dezembro. Agora, só para Janeiro.

Fiz umas análises no inicio de 2009 que nunca cheguei a mostrar...

E é assim em Odivelas. Felizmente que até ver não tenho tido grandes problemas de saúde.

Excesso de otorrinolaringologistas em Portugal? Só se for em Lisboa e Porto, porque em Faro só existe 1, e se eu fosse ao Hospital quando tenho problemas de ouvido há muito que estava surdo. Uma vez até fui ao hospital que era um fim de semana, por tanta sorte, o único otorrinolaringologista estava de férias, logo tive que passar o fim de semana completo sem ouvir nada, porque não existe especialistas no Algarve. Para ter um serviço bom de otorrinolaringologistas, tenho que ir a uma clínica privada.

Há 3 anos, estive de férias com uns amigos no Algarve, e devido a uma otite, fomos com uma amiga minha ao centro de saúde de Loulé. Disseram-nos que só havia otorrinos no hospital de Faro mas aconselharam-nos a ir a uma clínica privada. Achámos aquilo escandaloso e fomos na mesma ao hospital. (Nunca tinha ido ao hospital de Faro...)
Estivemos lá 8h, perderam a ficha da minha amiga 3 vezes, ao final das 8h disseram que o médico tinha-se ausentado e só voltava daí a 3 dias!
Reclamámos, pedimos o livro de reclamações, etc...

Passados 3 anos estou a ver que continua tudo na mesma...
 
Excerto de um mail que me mandaram da caridade pagar imposto.

(...) Decorreu num destes fins de semana mais uma acção, louvável, do programa da luta contra a fome mas.... façam o vosso juízo! A recolha em hipermercados, segundo os telejornais, foi cerca de 2644 toneladas, ou seja 2 644 000 Kilos.

Se cada pessoa adquiriu no hipermercado 1 produto para doar e se esse produto custou, digamos, 0.50 € (cinquenta cêntimos), repare que:

2 644 000 kg x 0,50 € dá 1 322 000,00 € (1 milhão, trezentos e vinte e dois mil euros), total pago nas caixas dos hipermercados.

Quanto ganharam???

- o Estado: 304 000,00 € (23 % iva)
- o hipermercado: 396 600,00 € (margem de lucro de cerca de 30 %).

Nunca tinha reparado, tal como eu, quem mais engorda com estas campanhas...
Devo dizer que não deixo de louvar a ação da recolha e o meu respeito pelos milhares de voluntários.

A minha pergunta é, isto é mesmo assim ?
 
Não é inteiramente verdade porque não compras tabaco para oferecer, logo o IVA não é de 23%. Mas os centros comerciais não dependem destas campanhas para vender... senão eles próprios as fariam...

O conceito agora é criar clínicas em centros comerciais. Ao lado do MacDonalds.
 
A propósito da carta aberta na qual se encontra a assinatura de Mário Soares faz bem lembrar umas coisas acerca deste senhor aquando a última intervenção do FMI. Encontraremos grandes similitudes aquilo que é defendido hoje, pena o circo se ter montado de outra forma a partir do momento no qual o FMI se foi embora, e termos voltado ao estado (ou ainda pior) a que estávamos em 1983.

O Mário Soares é apenas mais um pulha no nosso país, farto de andar a "mamar" da teta da Republica.

O problema português é bastante profundo.

Um problema de valores, de politicas, de simbologia, de regime, de Constituição.

Precisamos dos melhores dos melhores, fora a classe política claro, em cima da mesa a debater tudo isto. A olhar, a ir ao fundo das coisas.

Até lá, andaremos a debater inconsequências...
 
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