Enfim parece que poucos conseguem perceber o que se está a passar. Não sou nenhum génio ou iluminado. Mas gostaria de ver alguns tópicos em cima da mesa, na discussão pública portuguesa.
1) Os combustíveis fósseis caros vieram para ficar. Sem petróleo barato não há crescimento económico elevado. Enquanto a Humanidade não encontrar uma alternativa ao petróleo (fusão nuclear?, algas geneticamente modificadas?) teremos de passar a contentar-nos com um crescimento lento, de 0 a 2% ao ano.
2) A Europa, para voltar a crescer, precisará de colocar barreiras à importação de produtos de países com baixos salários, sem protecção social e sem preocupações ambientais. Não é justo para os empresários sediados em países europeus. Simultaneamente será necessário baixar salários, retirar regalias, desburocratizar, desregular, liberalizar, um pouco por todo o Velho Continente!
3) O aumento da esperança média de vida e a redução da natalidade obrigarão a fortes mudanças no nosso Estado Social. Este terá de evoluir para a garantia exclusiva do básico: acesso a cuidados de saúde para todos, instrucção até aos 18 anos de idade, Superior garantido apenas para quem tem talento, e cheque alimentação, habitação social e cheque farmácia para os necessitados! Em tudo o resto os cortes terão de ser brutais, tendo de sobrar alguns trocos para a protecção do património (histórico, cultural, ambiental) das Nações e para a investigação científica. Terão de acabar, tal como conhecemos: abonos de família, subsídios de natalidade, fundos de desemprego, indemnizações por despedimento, finaciamento a fundações, observatórios, associações ou IPSS's, regalias de políticos, empresas públicas, reformas altas para funcionários do Estado, etc.
4) Teremos de voltar a viver no centro das cidades, ou nas cidades do interior, perto do local de trabalho e de transportes públicos. O modelo que temos actualmente é insustentável. O futuro passa pelo repovoamento das cidades e pelo renascer do comércio tradicional, ou pela migração dos serviços dos subúrbios para os centros! E claro, pela redução da utilização do carro!
Em suma, reduzir o Estado ao mínimo. Haverá coragem?