...No contrato seguinte o seu valor é menor. Trabalhadores mais velhos têm menos capacidades. Trabalhadores mais novos são mais “rentáveis”...
Há para aqui muita confusão. Não tua Agreste

Refiro-me à questão dos trabalhadores mais velhos terem menos capacidades.
Este conceito só existe porque não temos uma sociedade evoluída, ao estilo "liberal" como por vezes se afirma.
Os trabalhadores mais jovens podem ter maior capacidade física, maior disponibilidade intelectual por força da sua "juventude".
Mas os mais velhos podem ter não só conhecimentos como SABEDORIA.
Não se confunda conhecimento com sabedoria. Esta última é algo que se adquire com a prática e com a experiência.
O que habitualmente se refere à perda de capacidades dos mais velhos, tem a ver em primeiro lugar com os trabalhos mais pesados, com a indústria que exige um desgaste físico maior. Não com grande parte dos trabalhos que temos neste momento em Portugal, principalmente no sector terciário.
Aí, muitas vezes, o maior desgaste dos mais velhos tem a ver com a imposição de condições de trabalho penosas, no sentido de explorar ao máximo o trabalhador pelo menor esforço financeiro. E claramente porque se coloca a componente salarial em 1º lugar e não a excelência no trabalho, muitas das vezes há uma tentação de substituir o trabalhador mais velho por um mais novo, a ganhar muito menos mas a trabalhar o mesmo ou mais
em termos meramente quantitativos.
A chave do mercado de trabalho em Portugal passa, no futuro, por apostar na
QUALIDADE.
E é nessa componente que o trabalhador mais velho, mais experiente, mais "sabedor", ocupa uma posição-chave.
Precisamos talvez de apostar numa formação interna das empresas, de reformar métodos de trabalho, aprimorar conhecimentos, atualizar competências e explorar melhor as qualidades inatas de cada trabalhador.
Por isso é que condenei o programa "novas oportunidades", porque mais importante do que dar o "canudo" era dar conhecimentos e isso claramente foi deficitário.