Não vejo, sei que devemos e como pais honesto e serio que pretendemos ser temos que pagar.
Largos anos a viver à rico não se pagam em dois anos.
Vamos carpir e viver mais pobres algumas dezenas de anos.
Seja que partido for estará refém deste facto.
Fora disto é tudo demagogia...
Não sou economista. Mas vejo as coisas desta forma.
Nos próximos anos não haverá crescimentos económicos milagrosos, a não ser que haja uma revolução tecnológica que traga uma fonte de engeria barata e alternativa aos hidrocarbonetos. Essa energia podeira vir da fissão nuclear ou da biotecnologia. Sem energia barata voltaremos quase a crescimentos económicos pré-revolução industrial, em torno de 1% ao ano, no máximo 2% em anos muito bons.
Com crescimento económico baixo a dívida em percentagem do PIB demorará longas décadas a reduzir, aliás isto já sucedeu num passado recente, depois da nossa bancarrota parcial em 1892. Para além disso a ausência de crescimento obrigará o Estado a cortar na despesa. Os políticos, sejam de Esquerda ou de Direita, serão obrigados a cortar. Aliás já o estão a fazer há anos, na Educação e na Saúde. Mas a despesa total do Estado subiu, porque houve PPP's, swaps, BPN, dívidas das autarquia, empresas municipais, RTP, gastos principescos, reformas altas, etc. Mas tudo isso acabará por força das circunstâncias.
Simultaneamente a globalização trará uma redistribuição brutal da riqueza global. Os países ricos empobrecerão enquanto países anteriormente pobres ficarão muito mais ricos. Isto já está em marcha há mais de uma década e os resultados já são visíveis. Na Europa a classe média será reduzida. Para além disso a mecanização do trabalho e as novas tecnologias matarão muitos sectores, mas outros nascerão. Tendencialmente os jornais, as TV's e as revistas desaparecerão, e no futuro os melhores jornalistas, colunistas ou fotógrafos viverão da publicidade nos seus blogues. As vendas online crescerão e matarão parte do comércio tradicional, mas nascerão novos empregos nas vendas online. Um pequeno artesão em Portugal poderá exportar para todo o mundo a partir da sua oficina.
No meio desta revolução tecnológica e demográfica haverá resistências, sectores que tentarão manter proteccionismos e impedir a sua extinção. Por exemplo, com as novas tecnologias já não se justifica que o Estado pague livros escolares, ainda por cima caríssimos. Também não se justifica que tenhamos dois canais públicos em sinal aberto.
E por aqui fico esta noite.
O país cresceu 0.6% sem subsídios, betão, obra pública. Imaginem se não houvesse impostos tão altos.
Os portugueses podem ir longe mas têm dois problemas: são brandos e têm elites estúpidas.