Não há volta a dar: em 2015, o Estado tem de cortar dois mil milhões de euros na despesa. A receita está definida e implica cortes definitivos nos salários e pensões, mas com as europeias à porta o assunto tem sido tratado com pinças pelo Governo e tudo aponta para que as medidas só sejam aplicadas depois das eleições.
Apesar de Maria Luís Albuquerque ter já admitido que o encerramento da 11.ª avaliação da troika depende da apresentação de “medidas para 2015”, o Governo vai tentar gerir os prazos de aplicação das medidas, seguindo o guião que ficou definido na 10.ª avaliação.
O discurso sobre os cortes é claro, mas os portugueses só devem sentir no bolso o efeito das medidas depois de a troika sair do país. “Não podemos regressar ao nível salarial de 2011, não podemos regressar ao nível remuneratório das pensões de 2011” - resumiu o primeiro-ministro, esta quarta-feira, no Parlamento, lembrando que “há uma diferença entre usar uma cinta e emagrecer de facto”.
A fórmula para o emagrecimento duradouro passa por reduzir os vencimentos e as pensões no sector público. Há quem defenda, como tem vindo a apontar a Comissão Europeia, que o caminho passará também por reduzir as rendas excessivas no sector energético, mas o Governo terá pouca margem de manobra nessa área e a redução que possa ser conseguida será sempre uma percentagem muito pequena do corte total de despesa que há a fazer.