Espírito Santo International vive 'grave situação financeira'
O Espírito Santo International, o grande conglomerado português cujas práticas financeiras têm sido alvo de críticas de especialistas externos, está em "grave situação financeira" e suas contas exibem "irregularidades", segundo documento publicado por uma das afiliadas da empresa.
O Espírito Santo International é uma das maiores empresas de Portugal, com presença que vai desde uma participação num grande banco português até hotéis, passando por uma operadora hospitalar. Pelo fato de não ter capital aberto, a empresa não é obrigada a divulgar publicamente seus resultados financeiros.
Documento encaminhado à autoridade reguladora das bolsas na noite de terça-feira pelo Banco Espírito Santo, BES.LB -1.81% que é parcial e indiretamente controlado pelo conglomerado, informava que auditoria externa encomendada pelo Banco Central do país sobre os resultados de 2013 do Espírito Santo Internacional revelou uma série de problemas.
A auditoria, a KPMG, "identificou irregularidades em suas contas e concluiu que o Espírito Santo International está em grave situação financeira", disse o banco no prospecto que emitiu, num momento em que se prepara para vender € 1 bilhão em ações. Embora o banco não seja responsável pelos problemas da companhia mantenedora, advertia o documento encaminhado à reguladora da bolsa, o banco poderá enfrentar danos na esfera de sua reputação.
Por meio de uma subsidiária, o Espírito Santo International controla parcialmente a holding do banco. Até março, o principal executivo do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, era um dos membros do conselho de diretores do Espírito Santo International.
O "Wall Street Journal" informou em dezembro que o Espírito Santo International estava altamente alavancado e grandemente dependente da venda de títulos para um fundo de investimento mantido pela principal holding do banco, o Espírito Santo Financial Group, e comercializado para clientes do banco. Informou também que os auditores levantaram questões sobre o valor que o Espírito Santo International atribuiu à sua participação no Espírito Santo Financial. A avaliação era muito superior ao valor de mercado do Espírito Santo Financial.
As práticas levantaram preocupações, no BC de Portugal, sobre a exposição do grupo financeiro ao Espírito Santo International. Em decorrência disso, o Espírito Santo Financial foi obrigado a fazer uma reserva de € 700 milhões para cobrir potenciais prejuízos decorrentes de sua exposição ao Espírito Santo International.
No prospecto, o Banco Espírito Santo informou que seus clientes de varejo detinham € 395 milhões em títulos do Espírito Santo International, e que subsidiárias e clientes institucionais possuíam € 564 milhões aplicados nesses papéis. Em dezembro, essas duas categorias possuíam, juntas, um total de € 3 bilhões.
Na semana passada o banco divulgou um prejuízo líquido de € 89,2 milhões de euros no primeiro trimestre e informou que tentaria captar até € 1,045 bilhão numa emissão de ações para fortalecer seus níveis de capitalização.
A exemplo de outros bancos portugueses, o Banco Espírito Santo está sofrendo os efeitos de uma recessão que se estendeu desde o fim de 2010 até o segundo trimestre do ano passado.
Além da auditoria realizada por auditor externo a pedido do supervisor, a comissão de auditoria do Espírito Santo Financial Group ESFG, estrutura de topo do braço financeiro do GES, detectou "irregularidades materialmente relevantes nas contas da ESI".
No documento, o BES avisa que "um agravamento da situação financeira [daquela ‘holding’] bem como as irregularidades detectadas nas suas contas e eventuais consequências daí resultantes, podem afectar a reputação do BES e a cotação das suas acções". Um efeito de contágio que, receia o banco, pode resultar do facto de"alguns dos anteriores membros do conselho de administração da ESI são administradores do ESFG e do BES".
No entanto, o banco sublinha que "não é responsável pela situação financeira da ESI e que o ESFG implementou medidas para salvaguardar eventuais situações de incumprimento por parte da ESI que possam ter impacto no BES". Em causa está a provisão de 700 milhões contabilizada pelo ESFG no final de 2013 e que se destina a fazer face ao risco da exposição do BES à Espírito Santo International, designadamente através do papel comercial emitido por esta "holding" e que foi colocado junto de clientes de retalho do banco.
Papel comercial do retalho ascende a 395 milhões
A 19 de Maio, o valor do papel comercial da ESI colocado junto de clientes de retalho do BES era de 395 milhões de euros, cerca de um quarto dos 1.565 milhões colocados junto deste tipo de investidores no final do ano passado e menos 121 milhões do que o valor de 30 de Abril.
Já os investidores institucionais têm ainda títulos de dívida da Espírito Santo International de 564 milhões de euros, pouco mais de um terço dos 1.470 milhões detidos no final do ano passado.





Que o BES anda a vender papel comercial fazendo passar isto por depósitos a prazo, isso toda a banca sabe, mas além de andarem a vender gato por lebre andaram a martelar as contas das empresas do grupo que constituem esses títulos...![]()
Neste país tudo é possível...
Banco controlado pelo BES em Angola tem um "fosso" comercial superior a 3,1 mil milhões de euros. Excesso de alavancagem levou o próprio Estado angolano a prestar garantias soberanas sobre os créditos das empresas angolanas.
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À proporção entre créditos e depósitos chama-se rácio de transformação. Quando o valor é superior a 100% (ou seja, quando um banco concede crédito em valor superior aos depósitos que captou), isso significa que o banco contraiu ele próprio endividamento. O excesso desta alavancagem é considerada hoje como uma das razões que levou à bolha financeira que rebentou nos Estados Unidos e na Europa depois de 2007, na crise do subprime.
No caso do BESA, o rácio de transformação é de 220%, revela o prospeto de hoje. Ou seja, no final de 2013 o banco angolano controlado pelo BES tinha créditos a clientes no valor de €5.712 milhões e depósitos recebidos de €2.597 milhões. A diferença é de € 3.115 milhões, do que resulta o rácio de 220%. Para ter uma referência, o rácio máximo imposto pelo Banco Central Europeu neste momento é de 120%.
Para baixar o rácio, o BES Angola quer captar mais depósitos. No entanto, reconhece-se no prospeto, o BES "não pode garantir que irá ser bem-sucedido na sua estratégia de captação de recursos, podendo ser forçado a recorrer a outras fontes de financiamento mais onerosas ou reduzir a sua carteira de crédito".
O presidente do BPI, Fernando Ulrich, disse esta quinta-feira, 22 de Maio, na conferência "Embrace your Future" em Vale de Cambra, que nem sempre foram concedidos créditos às entidades certas por parte da banca. "Há alguns créditos que tenho que reconhecer que não devíamos ter dado. A culpa não é só da crise, também houve más avaliações", afirmou o banqueiro.
Ulrich disse ainda que a crise ficará na memória por muito tempo. "Não vamos esquecer isto tão cedo, nem nós nem os auditores. Os modelos que servem de base ao cálculo do risco não se esquecem. Não voltamos ao passado na gestão do risco. Vai haver uma descriminação ainda maior entre os bons e maus riscos. Os maus riscos poder-se-ão arriscar a não conseguir [o empréstimo]", explicou o banqueiro.
Faria de Oliveira: "Bancos são vítimas e não responsáveis pela crise"
"Em Portugal, os bancos são vítimas e não responsáveis pela crise", afirmou o responsável, em entrevista à agência Lusa, na qual fez um balanço do impacto dos três anos de ajuda externa no sector bancário.
Afinal a ex-líder do PSD Manuela Ferreira Leite, também acedeu o convite para participar na campanha da coligação PSD/CDS às eleições europeias do próximo domingo.
Amanhã de manhã bem cedo estará num encontro com Paulo Rangel e com Nuno Melo para sinalizar o seu apoio a esta candidatura.
Ao que o SOL apurou o contacto com a ex-líder e ex-ministra das Finanças foi feito pelo próprio cabeça-de-lista, Paulo Rangel.
Até ao final ainda vão aparecer também ao lado dos candidatos da Aliança Portugal o ex-líder Pedro Santana Lopes e o fundador do PSD Francisco Pinto Balsemão.
Adição:
Fico à espera de um banqueiro dizer: "Gastámos acima das nossas possibilidades. Agora temos que sofrer austeridade". Pois, é pedir de mais. Isso só se aplica ao "povinho".

Grupo BES obrigado a vender empresas para garantir sobrevivência
As irregularidades nas contas da holding que controla o Grupo Espírito Santo, está a obrigar o grupo a vender grande parte das suas empresas para conseguir sanar as suas contas e sobreviver. Segundo o Dinheiro Vivo, o Grupo não voltará, tão cedo, a ser o que era, depois da venda de empresas como os Hotéis Tivoli, a seguradora Tranquilidade ou a NetViagens.
Um dos grupos mais influentes e importantes do país, o Grupo Espírito Santos, está a passar por uma reestruturação que fará, garantidamente, com que as coisas não voltem a ser como eram. Em causa, está a sobrevivência do grupo que até então tinha influência nas mais diversas áreas: saúde, construção, segurança, turismo, entre outras.
O grupo está obrigado a sanar contas, resultado da má gestão das áreas não financeiras de que foi alvo nos últimos anos, e precisa de vender os seus ativos.
Depois de já ter alienado as participações financeiras na EDP e na Zon, vender a NetViagens, dispersar 49% da Espírito Santo Saúde, o grupo tem, ainda, à venda a Escom, os HóteisTivoli e já recebeu seis propostas pela seguradora Tranquilidade.
E em todas estas alterações, refere o Dinheiro Vivo, nem o BES investimento está imune. O banco está a negociar a entrada de investidores de Abu Dhabi que poderão ficar com 45% do capital, dividindo-se as restantes ações pelo BES (45%) e pela gestão (10%).
O plano de reestruturação do Banco pretende separar a área financeira da não financeira e pretende aumentar o capital da empresa em 1045 milhões para reforçar os rácios de capital e preparar-se para o stress a que vai ser submetido pelas autoridades europeias, juntamente com outros bancos.
O BES e o regime
A decisão do Banco de Portugal de obrigar o Grupo Espírito Santo a fazer provisões de 700 milhões de euros, devido a receios sobre a capacidade de reembolsar a totalidade de emissão de dívida vendida a clientes do BES, é um momento muito importante para o sistema financeiro português. Por um lado, porque mostra finalmente o nosso banco central a actuar como um verdadeiro regulador, após anos e anos de uma supervisão narcoléptica, que acabou por enterrar o país no caso BPN. Por outro, porque é um sinal público de que o BES, eterno banco do regime e porta-giratória de inúmeros ministros e deputados, tem, de uma vez por todas, de mudar de cultura e de vida.
Na última década, o nome Espírito Santo esteve envolvido em investigações relacionadas com: 1) o caso Portucale, que meteu o abate de sobreiros numa zona protegida, após a aprovação de empreendimentos imobiliários em contra-relógio, em vésperas das legislativas de 2005, por parte de ministros do CDS-PP; 2) o caso dos submarinos, onde se suspeitou de financiamento partidário por parte do consórcio vencedor; 3) o caso Mensalão, mais financiamento partidário, desta vez do PT de Lula da Silva (as notícias do caso levaram a um corte de relações entre o BES e a Impresa); 4) o caso das contas de Pinochet, com dinheiro do ditador chileno a passar, segundo uma investigação americana, pelo banco português, via Miami; 5) o caso das fraudes na gestão dos CTT, incluindo a mediática venda de um prédio em Coimbra, valorizado em mais de cinco milhões de euros num só dia; 6) a interminável Operação Furacão, megaprocesso de investigação de fraude fiscal; 7) o caso Monte Branco, onde Ricardo Salgado constava da lista de clientes da Akoya, rede suíça de fraude fiscal e branqueamento de capitais; 8) o caso dos 8,5 milhões de euros que Salgado se esqueceu de declarar ao fisco, detectados na sequência das investigações à Akoya, e que teria recebido por alegados serviços de consultadoria prestados a um construtor português a actuar em Angola; 9) o caso da venda das acções da EDP pelo BES Vida, feita dias antes da aprovação da dispersão em bolsa da EDP Renováveis, o que levantou suspeitas de abuso de informação privilegiada; 10) o caso do BES Angola, uma investigação por branqueamento de capitais que acabou por transformar Álvaro Sobrinho, antigo presidente do BESA, num dos inimigos de Ricardo Salgado (o BES, por sua vez, veio acusar Sobrinho de utilizar os jornais da Newshold – o i e o Sol – para ataques pessoais ao presidente do banco); 11) o caso da recente multa (1,1 milhões de euros) em Espanha, devido a infracções “muito graves” de uma norma para a prevenção de branqueamento de capitais (em 2006, a Guardia Civil já havia feito uma rusga a uma dependência espanhola do BES). É possível que me esteja a esquecer de alguma coisa.
Manda o rigor, e a boa tradição portuguesa, sublinhar que muitos destes casos resultaram em absolvição dos arguidos. Mas, das duas, uma: ou o BES é menos popular no DCIAP do que Hitler entre os judeus, ou, de facto, há uma cultura de gestão altamente problemática, a que urge pôr cobro. Tendo em conta a importância da reputação num banco sistémico, é impossível viver com a sensação de que valia a pena a polícia abrir uma dependência dentro do BES, tendo em conta o tempo que passa a investigar o banco. Daí a importância simbólica do gesto do Banco de Portugal – é um enorme passo em frente na transparência do nosso sistema financeiro e, sobretudo, um motivo para termos esperança de que fazer negociatas à moda antiga venha a ser, no futuro, muito mais difícil.

Jerónimo de Sousa confirmou, este domingo, após o conhecimento dos resultados das eleições europeias, a apresentação de moção de censura ao Governo.
«Após informação às componentes da CDU, o PCP anuncia hoje a sua decisão de apresentar uma moção de censura ao Governo, uma censura a uma política e uma prática de permanente confronto com a constituição da república, de afronta a lei e de comprometimento de funcionamento normal das instituições. Uma moção de censura que é também uma condenação à política da troika e às manobras para manter por outra via, agora por tratado orçamental que PS, PSD e CDS impuseram e apoiam, o mesmo rumo de exploração», afirmou o líder do PCP.
Jerónimo de Sousa afirmou ainda que estas eleições representam uma «pesada derrota para os partidos do Governo».
«Os resultados conhecidos confirmam uma derrota dos partidos do governo e uma contundente condenação da sua política», reiterou.