Caixa obtém lucros pela primeira vez em dois anos
A Caixa Geral de Depósitos obteve um resultado líquido de 22,4 milhões de euros no primeiro trimestre, um período que fica marcado pelo regresso do banco do Estado aos lucros, que conseguiu superar o desempenho dos privados BCP, BES e BPI, que ficaram no vermelho.
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) fechou o primeiro trimestre do ano com um resultado líquido de 22,4 milhões de euros, que compara com prejuízos de 36,4 milhões de euros no mesmo período do ano passado, anunciou o banco em comunicado.
O banco do Estado consegue assim regressar a resultados positivos, depois de dois anos seguidos de prejuízos. Desde 2011 que o banco não tinha lucros.
Um desempenho que contrasta com a prestação dos bancos privados BES, BCP e BPI, que no mesmo período registaram prejuízos. Já o Santander Totta, que completa o lote dos cinco maiores bancos portugueses, também fechou o trimestre com lucros.
A melhoria nas contas da CGD resulta da evolução positiva dos indicadores operacionais do banco, com a subida das margens, das comissões, do produto bancário e das operações financeiras, bem com de uma descida das provisões e imparidades. Em sentido inverso continuam as comissões.
A margem financeira subiu 28,2% para 238,1 milhões de euros, os resultados em operações financeiras aumentou 21,7% para 123 milhões de euros e o produto bancário avançou 13,7% para 487,7 milhões de euros. Já as comissões líquidas baixaram 9,1% para 126,5 milhões de euros.
Quanto aos resultados operacionais, mais do que duplicaram para 186,3 milhões de euros, "beneficiando do aumento do produto bancário e da eficiência operativa", refere o banco em comunicado, adiantando que "corrigindo o efeito extraordinário decorrente da reposição do subsídio de férias em Março de 2013" o aumento foi de 57,8%.
O efeito da reposição dos subsídios em 2013 beneficiou os custos operacionais, que caíram 11,2%, bem como os custos com pessoal, que baixaram 17,2%. A CGD adianta que mesmo sem ter em conta este efeito, os custos com pessoal baixaram 4,2%. A descida dos custos e o aumento do produto bancário resultou numa melhoria do rácio "cost- to-income" de 72,3% para 61,6%.
O banco reduziu o crédito a clientes em 7,5%, destacando contudo que as novas operações de crédito a empresas em Portugal aumentaram mais de 50% nos dois primeiros meses de 2014 face ao período homólogo de 2013. No crédito à habitação as novas operações aumentaram 14,3%. Já os recursos captados de clientes baixaram 0,5%.
Desinvestimentos em participações financeiras e Espanha contribuem de forma positiva
A contribuir ainda para a evolução positiva da CGD esteve a descida das provisões para fazer face à diminuição de participações financeiras, bem como a recuperação da actividade em Espanha.
As provisões e imparidades desceram 3% para 171,9 milhões de euros, apesar de as imparidades de crédito terem sido reforçadas em 14,4% "em resultado da política prudente e conservadora que a Caixa continua a prosseguir.
Contudo as provisões baixaram 15,7 milhões de euros e as imparidades de outros activos desceram 10,9 milhões de euros, "essencialmente por via dos desinvestimentos em participações financeiras".
O banco, nos últimos anos, desinvestiu em várias empresas, o que permitiu agora reduzir o montante das provisões para fazer face à desvalorização destes activos.
A CGD destaca ainda o contributo positivo da actividade internacional para os resultados do grupo. "A rede internacional contribui de forma visível para o resultado líquido consolidado em 22,7 milhões de euros, bem como para a captação de recursos", refere o comunicado.
A actividade em Espanha levou à constituição de fortes provisões que penalizaram os resultados no ano passado, tendo melhorado neste primeiro trimestre. O BCG Espanha regressou aos lucros no primeiro trimestre (7,1 milhões de euros) e a sucursal diminui as perdas para 13,8 milhões de euros, "em resultado do processo de saneamento e melhoria da qualidade da carteira de crédito".