OS ALGARVIOS
Mantenho há vinte anos uma relação de amor-ódio com o Algarve. Para começar, irrito-me com a antipatia militante do algarvio puro, aquele que é típico de Odiáxere, Vila Real, Monte Francisco, Castro Marim ou Monte Gordo, mas que também aparece em cidades como Portimão ou Lagos. Sim, encontrar um algarvio simpático é quase tão difícil como encontrar um Espírito Santo bom de contas. Até parece que os algarvios fazem gala da sua antipatia. E como se a delicadeza fosse sinónimo de fraqueza ou de hábitos efeminados. Em algumas destas terras, até podíamos fazer o casting para filmes de piratas. A tripulação e os amores de Errol Flynn estão em Odiáxere: elas e eles são sempre figuras enxutas, parecem navalhas tisnadas pelo sol e pela ausência do sorriso. Não há gordos nem sorrisos no Algarve. Ora, como é óbvio, esta atitude torna-se desesperante em agosto. Todos os anos, viro costas a empregados e a proprietários de cafés. Não sabem receber. Parece que estão a fazer um favor. Não se mexem. São indolentes e insolentes ao mesmo tempo. Há uns anos, ainda conseguia enganá-los quando começava a improvisar uns diálogos em inglês ou alemão. Mas agora já não dá, eles afinaram o ouvido e não consigo fugir à sina: o lisboeta não merece respeito, é um intruso que se tolera por razões económicas. E como se eles sentissem que os alfacinhas amaricados só estão ali para roubar ou sugar o Algarve.
De onde é que isto vem? Arrisco uma hipótese: os algarvios têm mesmo razões de queixa, porque estiveram sempre desligados do resto do país. Querem exemplos? Quando fez o guia das praias portuguesas, Ramalho Ortigão não indicou nenhuma praia algarvia. Eis um sinal de um país que viveu um século XIX traumático e desagregador. Para capturar o Remexido, guerrilheiro miguelista e algarvio, os liberais fizeram deslocamentos "estalinistas" de populações na serra algarvia e assassinaram centenas de oficiais miguelistas que já tinham deposto as armas. Mais tarde, mesmo depois da paz de 1851, a lei nunca cobriu o sul do país. O caminho entre Lisboa e o Algarve era difícil devido à escassez de estradas e perigoso devido ao banditismo. O Algarve, portanto, foi sempre uma terra a ferro e fogo. As clavinas camilianas não são apenas do Minho. E este clima de violência era reforçado pelos ataques dos corsários berberes. Não é difícil imaginar populações algarvias a defenderem-se sozinhas destes piratas magrebinos, sem qualquer ajuda do Leviatã que não saía de Lisboa e do Porto. O Algarve só começou a ser português nos anos 60 e, mesmo nessa altura, os "camones", os "bifes" e os "avecs" foram os grandes descobridores.
Se tivermos este passado em mente, compreendemos a tal antipatia algarvia em relação ao lisboeta e a permanente desconfiança perante aqueles que não pertencem à tribo. Mas, lá está, se tivermos a sorte de sermos adotados pela tribo, se conseguirmos convencê-los a baixar a guarda, podemos descobrir que os algarvios e as algarvias podem ser os maiores amigos e as maiores paixões. Um amor algarvio nunca é só um amor de verão. Mas, se não se importam, o lado solar do Algarve fica pró ano.
Henrique Raposo escreve no Expresso Diário de segunda a sexta-feira
Aqui, fica o texto de opinião que saiu no Expresso:
Nem sei como o Expresso publica tal texto, mas este é o país que temos onde a educação e cultura são nulas.
Aqui, fica o texto de opinião que saiu no Expresso:
Nem sei como o Expresso publica tal texto, mas este é o país que temos onde a educação e cultura são nulas.
, com menor poder de compra e as nossas gorjetas são "raquíticas" comparadas com os turistas do norte da Europa. Isso é uma realidade que muitos sentem...Governo aprovou em Conselho de Ministros a lei da cópia privada e espera encaixe de 15 a 20 milhões de euros com taxa de compensação "equitativa". Excedente vai para fundo de fomento cultural.
O Governo aprovou esta quinta-feira em Conselho de Ministros a lei da excepção da cópia privada, que atualiza a legislação sobre a compensação monetária de direitos a autores e artistas. O encaixe esperado com a atualização da lei, datada de 2004, é de 15 a 20 milhões de euros. Ou seja, nem os 30 a 50 milhões que tinham sido previstos pelo Ministério da Economia, nem os 11 milhões que a secretaria de Estado da Cultura falava esta semana.
Trata-se de uma “atualização da legislação em função do mercado interno”, disse o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que garante ter havido uma quebra de 90% da receita para os autores entre 2006 e 2013 devido ao facto de a maioria dos aparelhos eletrónicos sobre os quais incidia a anterior legislação estarem obsoletos.
A lei aprovada esta quinta-feira prevê assim, segundo o secretário de Estado, a atualização da tabela anexa à legislação, que previa um conjunto de dispositivos de armazenamento de conteúdos e não contemplava os novos dispositivos do universo digital que surgiram com o avanço tecnológico dos últimos anos.
A taxa será aplicada com base do princípio da compensação “equitativa”, ou seja, todos os utilizadores-compradores contribuem para colmatar a “possibilidade de copiar documentos autorais” e, dessa forma, compensar os autores/artistas. “Não é possível saber pessoa a pessoa o que é que cada um copia”, defendeu o secretário de Estado da Cultura, respondendo às críticas sobre o facto de quem compra uma obra ter de pagar uma taxa para cobrir a hipótese de vir a copiar esse mesmo conteúdo que adquiriu.
De acordo com o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, o valor da receita com a lei da cópia privada ascendia em 2006 a cerca de 7 milhões de euros, ou seja, muito inferior aos 15 milhões que agora se prevê. O que, segundo Marques Guedes, se explica pela “obsolescência dos equipamentos tecnológicos que resultou numa perda de receita para os autores” e pelas novas “exigências do universo digital” nos dias de hoje.
Questionado sobre o destino do montante encaixado com a aplicação da taxa, o secretário de Estado da Cultura limitou-se a dizer que a distribuição das fatias que vão para os autores e os artistas se mantém conforme já estava previsto na diretiva de 2004. E acrescentou que se houver excedente, o dinheiro vai reverter para o fundo de fomento cultural “para evitar que haja desequilíbrio”. “Caso contrário, a compensação equitativa deixava de ser equitativa e passava a ser excessiva”, disse.
O Governo aprovou ainda um plano de combate à violação dos direitos de autor e direitos conexos, com o objetivo de combater a pirataria, adiantou ainda Barreto Xavier, acrescentando que o plano se vai concentrar numa ação conjunta entre as várias tutelas do Governo e a sociedade civil para evitar a pirataria no universo digital.
http://observador.pt/2014/08/21/governo-aprova-lei-da-copia-privada-e-preve-encaixe-de-15-milhoes/
![]()
Você pode fazer cópias privadas. Quando compra um CD está a comprar o direito ao usufruto em privado da música nele contida. Com a lei da cópia privada terá que pagar uma taxa para poder criar uma cópia para ouvir no carro ou no iPod, em privado. A ideia é que, sem a taxa, você está a impedir o autor de receber royalties pela compra de um segundo CD para ter no carro. O corolário deste princípio é que os leitores de CD dos carros deverão vir a ter um detector do número de passageiros para evitar o risco de uma pessoa que não adquiriu o CD o vir a escutar durante a boleia para o trabalho. Ou então, em alternativa, uma ranhura onde se introduzem moedas para escutar faixas de discos comprados para usufruto em privado. Tecnicamente, pode ouvir música no carro mas não é aconselhável que o faça com o vidro aberto se outras pessoas estiverem nas imediações: é que são menos cópias do disco que são vendidas, entendem? A alternativa, se pretende circular num carro onde ouve música em CD devidamente comprado na lojinha, é pedir uma licença de radiodifusão e pagar a respectiva taxa. Há muito espaço para ampliar esta brilhante lei: falem comigo, vamos extorquir dinheiro à malta.
Em alternativa, podem começar a fazer as compras de suportes digitais na empresa dos capitalistas neoliberais da figura.
Alerta aos pais. Mochilas não podem pesar mais de 10% do peso dos alunos
A mochila deve ser adequada à estatura das crianças e quando está vazia pesar menos de meio quilo, segundo a Direcção-Geral do Consumidor (DGC), que explica que as crianças só devem carregar 10% do seu peso.
A poucas semanas do início das aulas e com as principais papelarias e hipermercados a lançarem as campanhas de venda de material escolar, a DGC divulgou umabrochura com conselhos práticos que os pais devem ter em conta na hora de ir às compras.
A mochila dos alunos é um dos temas que mais polémica tem causado, devido ao peso que os alunos continuam a carregar diariamente para a escola.
Segundo a DGC, o peso da mochila cheia não deve ultrapassar 10% do peso do aluno, ou seja, uma criança de 25 quilos não deveria carregar mais de 2,5 quilos em livros e material.
Algumas sugestões
Uma das formas de conseguir reduzir o peso da mochila é verificando regularmente o seu conteúdo de forma a garantir que o estudante transporta apenas o material de que necessita.
Quem vai comprar material novo deve optar por uma mochila que, vazia, pese menos de meio quilo e que seja adequada à estatura da criança.
"Prefira os modelos anatómicos, com alças largas e acolchoadas. Para se certificar de que está a comprar o modelo adequado, a criança deve experimentar a mochila", sugere a DGC, explicando que as alças da mochila devem ser reguladas de forma a que fique colocada acima das ancas da criança.
A DGC aconselha ainda os encarregados de educação a comprar materiais de qualidade e que apresentem alguma durabilidade e alerta para o facto de as compras na internet poderem ser trocadas no prazo de 14 dias "sem qualquer encargo ou apresentação de justificação".
A alimentação saudável e o vestuário são outros dos item abordados na brochura que também aponta os cuidados a ter com o uso da internet, tal com ter o computador numa divisão da casa onde a família passa a maior parte do tempo.
Instalar uma ferramenta que filtre e bloqueie o acesso a determinados conteúdos e usar o computador em conjunto com as crianças são outras das sugestões presentes na brochura informativa "Regresso às aulas em segurança".
Fonte: RR

com esta lei, aparentemente, podes fazer a difusão de qualquer conteúdo, o direito intelectual cai quando pagas o equipamento.
O endividamento total do sector privado português atingiu os 465,4 mil milhões de euros no final do primeiro semestre, quase três vezes o PIB nacional. Os 279,6 do produto representam uma queda 1,4 mil milhões de euros face ao final de 2013, mas um aumento de 765 milhões de euros em relação ao final de Março de 2014, mostram dados do Banco de Portugal divulgados quinta-feira.
Este tropeção na trajectória de queda que marcou o arranque do ano é mais um dos indicadores da difícil e lenta desalavancagem do sector privado nacional que, no final de 2011, com a troika a instalar-se no País, acumulava um stock de dívida 484,5 mil milhões, ou seja, 283,1% do PIB, apenas 4 pontos de PIB acima do valor agora registado pelo banco central.
Os vários sectores da economia têm dado contributos distintos para a desalavancagem do sector privado.Do lado das famílias, o esforço começou mais cedo e com maior intensidade. Entre o final de 2011 e o primeiro semestre deste ano os particulares reduziram as suas dívidas de 16,3 mil milhões de euros (cerca de 9,3%) para um total de 157,6 mil milhões no final do primeiro semestre (94,6% do PIB). Já a redução verificada do lado empresaral no mesmo período ficou-se pelos 0,9% (de 310,6 para 307,8 mil milhões de euros).
O desempenho dentro do sector empresarial é também heterogéneo, dependendo da dimensão das empresas em causa. No caso das grandes empresas, o nível de endividamento face a 2011 até aumentou de 76,7 para 88,8 mil milhões de euros em 2011 e 2014. Já entre as PME registou-se uma queda expressiva de 179,5 mil milhões de euros para 160,8 mil milhões.
A redução do endividamento privado é um dos objectivos das políticas de ajustamento macroeconómico que têm vindo a ser adoptadas e, desejavelmente, deveria acontecer o mais rapidamente possível, de forma a permitir o relançamento da economia e dos fluxos de crédito.
Para tal, a redução do dívida deveria ocorrer em articulação com um processo de limpeza dos balanços dos bancos, em particular dos créditos incobráveis que permanecem em níveis elevados. A clarificação e limpeza dos livros contabilísticos da banca é uma das consequências positivas que se espera da avaliação de activos bancários que está a ser conduzida pelo BCE, em antecipação à sua entrada como supervisor único em Novembro deste ano.
O endividamento total da economia, incluindo sectores público e privado, continua em máximos, tendo atingido os 740,5 mil milhões de euros no final do primeiro semestre (444% do PIB), revela ainda o Boletim Estatístico do Banco de Portugal. Trata-se de um aumento de 2,1% face ao final de 2011.
