Pandemia da COVID-19 2021

Se formos a ver, a maior parte do país já cumpre os requisitos para o nível 3, mas parece que independentemente disso, estão a pensar abrir tudo no nível 4.

O Norte e o Centro do país já poderiam estar no nível 2. Mas um dos critérios do plano diz que o desconfinamento será realizado baixando um nível a cada 15 dias.
 
O plano apresentado pela Raquel Duarte e pelo Óscar Felgueiras apenas incide sobre o número de casos a 14 dias e a sua tendência crescente ou decrescente. Não há mais nenhum critério, o que tem toda a lógica, uma vez que todos os restantes factores, repetidos por toda a gente até à exaustão, são função do número de casos.

Ora isso a mim faz-me pouco sentido. Aliás muitos outros especialistas (Todos estes meses ouvimos falar disto) falam que o numero de internados também é muito importante. Hipoteticamente, se houvesse apenas 200 casos por dia, mas os hospitais lotados, faria sentido desconfinar? Todos os restantes fatores são função do número de casos. Mas os internados, podem ficar no hospital 1 mês ou mais.
Ou seja, se tiveres hospitais lotados, vais tentar evitar que haja nova vaga, porque não há espaço para colocar mais ninguem. O que fazes?
Confinas, hajam 300 casos de Covid novos por dia, 1000 ou 20 000.
Tens de esperar que os hospitais tenham vaga, para os novos doentes. E se queres espaço, não desconfinas.

A Raquel Duarte e o Oscar Figueiras, se apenas olham para os novos casos de Covid... Não deixa de ser bizarro. Muito bizarro e simplista.
Também há médicos que afirmaram há uns tempos que as máscaras e distanciamento social não serviam para nada. Há especialistas para tudo, mas na sua globalidade o que ouvimos sempre falar foi que o número de internados também conta.
 
Ora isso a mim faz-me pouco sentido. Aliás muitos outros especialistas (Todos estes meses ouvimos falar disto) falam que o numero de internados também é muito importante. Hipoteticamente, se houvesse apenas 200 casos por dia, mas os hospitais lotados, faria sentido desconfinar? Todos os restantes fatores são função do número de casos. Mas os internados, podem ficar no hospital 1 mês ou mais.
Ou seja, se tiveres hospitais lotados, vais tentar evitar que haja nova vaga, porque não há espaço para colocar mais ninguem. O que fazes?
Confinas, hajam 300 casos de Covid novos por dia, 1000 ou 20 000.
Tens de esperar que os hospitais tenham vaga, para os novos doentes. E se queres espaço, não desconfinas.

A Raquel Duarte e o Oscar Figueiras, se apenas olham para os novos casos de Covid... Não deixa de ser bizarro. Muito bizarro e simplista.
Também há médicos que afirmaram há uns tempos que as máscaras e distanciamento social não serviam para nada. Há especialistas para tudo, mas na sua globalidade o que ouvimos sempre falar foi que o número de internados também conta.

É irrelevante o número de internados actuais desde que mantenhas o número de novos casos inferior ao valor que geram mais de 250 doentes em UCI, pois se assim for o número de internados tenderá a médio prazo para baixo desse valor. A premissa desse plano era que voltávamos ao nível 5 com mais de 240 casos por 100k habitantes em 14 dias (aprox. 1750 casos diários) e estaríamos no nível 3 com 60 (aprox. 450 casos diários) caso a tendência fosse crescente. Com nível 3 os restaurantes só poderiam servir à esplanada e as aulas dos alunos com mais de 12 anos seriam à distância. Logo há alguma segurança face a um crescimento forte que colocasse em stress as UCI, que podem operar de forma tranquila (e cada vez mais conforme for avançando a vacinação dos grupos de risco) com 1750 casos diários.

E neste momento, apesar de estarem com uma ocupação ligeiramente acima do recomendável, as UCI não estão lotadas, estão com menos de 40% da ocupação que se registou no final de janeiro.
 
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É irrelevante o número de internados actuais desde que mantenhas o número de novos casos inferior ao valor que geram mais de 250 doentes em UCI, pois se assim for o número de internados tenderá a médio prazo para baixo desse valor. A premissa desse plano era que voltávamos ao nível 5 com mais de 240 casos por 100k habitantes em 14 dias (aprox. 1750 casos diários) e estaríamos no nível 3 com 60 (aprox. 450 casos diários) caso a tendência fosse crescente. Com nível 3 os restaurantes só poderiam servir à esplanada e as aulas dos alunos com mais de 12 anos seriam à distância. Logo há alguma segurança face a um crescimento forte que colocasse em stress as UCI, que podem operar de forma tranquila (e cada vez mais conforme for avançando a vacinação dos grupos de risco) com 1750 casos diários.

E neste momento, apesar de estarem com uma ocupação ligeiramente acima do recomendável, as UCI não estão lotadas, estamos com menos de 40% da ocupação que se registou no final de janeiro.
Eu não entendo esse argumento. Todos sabemos que desconfinando, se espera um aumento do número de casos. Logo isso de ser irrelevante o número de casos internados atuais, para mim é muito estranho, e sem sentido.

Então se tivesses hipoteticamente hospitais lotados, vais arriscar desconfinar, podendo dai a 15 dias ter um número absurdo de novos internados, e vais colocá-los onde? No gabinete da senhora que disse que só o número de novos casos interessa? :D

Aparte a ironia, mas entre todos os argumentos para desconfinar, a meu ver, essa parece uma das piores versões. Estamos a caminho de desconfinar, e até podemos achar que tal já devia ter acontecido. Mas isso de dizer que só os novos casos Covid interessa...
 
Então se tivesses hipoteticamente hospitais lotados, vais arriscar desconfinar, podendo dai a 15 dias ter um número absurdo de novos internados, e vais colocá-los onde? No gabinete da senhora que disse que só o número de novos casos interessa? :D

Não tens os hospitais lotados, logo a questão não se põe. E se propõem que assim que se passe dos 1750 casos diários se confine tudo, parece-me extremamente improvável que a afluência às UCI se aproxime sequer da metade dos valores que tivemos. Passámos 3 meses no outono com o dobro desse valor e nunca houve grande stress na UCI, porque não havemos de conseguir gerir a situação agora?
Em 12 meses de pandemia, estivemos 8 deles com poucas medidas implementadas (e muitas delas não tinham qualquer relevância no controlo da pandemia como o fecho dos supermercados à hora de almoço e a proibição de circulação nas estradas ao fim de semana) e a situação só se descontrolou uma vez. Por que haveria um número absurdo de novos internados 15 dias depois de um desconfinamento ocorrido com cerca de 500 novos casos diários???
 
As unidades UCI continuam tecnicamente lotadas. O normal funcionamento das UCI está desenhado para 245 camas (85% da lotação). O que aconteceu em Janeiro/Fevereiro, com quase 900 internados em UCI, foi um "disparate" e creio que haja o risco de haver uma certa banalização/naturalização perigosa se a população achar que essas 900 ou 1000 camas são o limite de capacidade do SNS. Ao contrário do que é vendido, o sistema não é elástico. O sistema deformou e tão cedo não volta à normalidade.

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Não tens os hospitais lotados, logo a questão não se põe. E se propõem que assim que se passe dos 1750 casos diários se confine tudo, parece-me extremamente improvável que a afluência às UCI se aproxime sequer da metade dos valores que tivemos. Passámos 3 meses no outono com o dobro desse valor e nunca houve grande stress na UCI, porque não havemos de conseguir gerir a situação agora?
Em 12 meses de pandemia, estivemos 8 deles com poucas medidas implementadas (e muitas delas não tinham qualquer relevância no controlo da pandemia como o fecho dos supermercados à hora de almoço e a proibição de circulação nas estradas ao fim de semana) e a situação só se descontrolou uma vez. Por que haveria um número absurdo de novos internados 15 dias depois de um desconfinamento ocorrido com cerca de 500 novos casos diários???
Os hospitais a 15 de fevereiro estavam praticamente lotados, ainda a adiar consultas de outras doenças por causa da pandemia. A 15 de fevereiro estava tudo demasiado mau para desconfinar. Mas por esse argumento que só os novos casos interessa, desconfinava-se a 15 de fevereiro. É isto que não faz sentido.
Liguei agora a Tv e ouvi logo dizer que a maioria dos especialistas falam que já se pode começar o desconfinamento, ou pelo menos pensar nisso.

Nunca tinha lido, ou não me lembro, de se falar em desconfinar a 15 de fevereiro...

Início de Fevereiro: Estado desastroso nos hospitais como nunca tivemos em democracia, filas de ambulâncias com esperas de 》4 horas.
15 de fevereiro: Hospitais ainda num estado muito crítico, continuação de adiamento de consultas, porque os doentes Covid eram muitíssimos. E posso te dizer que pelo menos em Loures estava muito crítico mesmo a meados de Fevereiro. O número de internados e mortos por essa altura dizem tudo.

Desconfinar a 15 de fevereiro? Para quê? Para no início de Março haver novos doentes (Quando se desconfina, pode haver uma nova vaga) e não ter capacidade nos hospitais para os receber?

Não é por acaso que se falou sempre em 3 fatores para desconfinar, e não apenas 1.
 
As unidades UCI continuam tecnicamente lotadas. O normal funcionamento das UCI está desenhado para 245 camas (85% da lotação). O que aconteceu em Janeiro/Fevereiro, com quase 900 internados em UCI, foi um "disparate" e creio que haja o risco de haver uma certa banalização/naturalização perigosa se a população achar que essas 900 ou 1000 camas são o limite de capacidade do SNS. Ao contrário do que é vendido, o sistema não é elástico. O sistema deformou e tão cedo não volta à normalidade.

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Está aqui tudo. É "só" e apenas isto que explica ainda não se ter dado o desconfinamento.
Porque em número de novos casos, estamos nós muito bem nestas últimas 2/3semanas.
 
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Desconfinar a 15 de fevereiro? Para quê? Para no início de Março haver novos doentes (Quando se desconfina, pode haver uma nova vaga) e não ter capacidade nos hospitais para os receber?

Não é por acaso que se falou sempre em 3 fatores para desconfinar, e não apenas 1.

Mas porque há-de haver uma nova vaga apenas porque as creches reabrem e as lojas podem vender ao postigo??? Qual é a probabilidade de isso acontecer?
 
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Mas porque há-de haver uma nova vaga apenas porque as creches reabrem e as lojas podem vender ao postigo??? Qual é a probabilidade de isso acontecer?
Desde que se falou em desconfinamento, nunca falámos apenas em vender ao postigo ou creches. Fala-se de tudo. Começar pelas creches, e depois passar para ensino médio, e ensino superior umas semanas mais tarde. Começar por vender ao postigo, e depois passar a abrir restaurantes etc..

Nunca em nenhum local ouvi alguém dizer que se podia desconfinar a 15 de fevereiro. É essa a minha dúvida, essa, e a de só olhar para o número de casos como o único argumento para desconfinar. Faz pouco sentido, e é por isso que nunca se olhou apenas para esse fator.
 
Desde que se falou em desconfinamento, nunca falámos apenas em vender ao postigo ou creches. Fala-se de tudo. Começar pelas creches, e depois passar para ensino médio, e ensino superior umas semanas mais tarde. Começar por vender ao postigo, e depois passar a abrir restaurantes etc..
Fala-se em abrir creches e vendas ao postigo e a resposta é "Não, não se pode abrir tudo porque isso é má ideia"? Eu nem acho que abrir as creches seja assim tão inofensivo, mas não misturem alhos com bugalhos...
As medidas de (des)confinamento não devem ser pensadas apenas em relação aos números que temos no momento, mas em relação também à tendência de crescimento/redução, porque 1500 casos com tendência de subida pode ser bem pior do que 2500 com tendência de descida - o que torna a demora a confinar em janeiro e posterior demora a desconfinar ainda mais estúpidas
 
Desde que se falou em desconfinamento, nunca falámos apenas em vender ao postigo ou creches. Fala-se de tudo. Começar pelas creches, e depois passar para ensino médio, e ensino superior umas semanas mais tarde. Começar por vender ao postigo, e depois passar a abrir restaurantes etc..

Nunca em nenhum local ouvi alguém dizer que se podia desconfinar a 15 de fevereiro. É essa a minha dúvida, essa, e a de só olhar para o número de casos como o único argumento para desconfinar. Faz pouco sentido, e é por isso que nunca se olhou apenas para esse fator.

Este é o plano de desconfinamento proposto:


A ter sido implementado há meses, teríamos passado a nível 4 no dia 22/02 e hoje teríamos entrado no nível 3. Duvido muitíssimo que se estivermos em níveis acima de 2 o número de casos possa subir acima daquele que temos hoje.
 
As medidas de (des)confinamento não devem ser pensadas apenas em relação aos números que temos no momento, mas em relação também à tendência de crescimento/redução, porque 1500 casos com tendência de subida pode ser bem pior do que 2500 com tendência de descida - o que torna a demora a confinar em janeiro e posterior demora a desconfinar ainda mais estúpidas

Pois. E é isso mesmo que é proposto. Em tendência crescente agrave-se um nível e em tendência decrescente desagrava-se um nível. Tenho estado a tentar encontrar o ábaco apresentado no Infarmed, mas não me aparece em nenhum dos sites que acompanharam a apresentação.
 
Se necessário clicar na imagem para ampliar.


Esta é a proposta de desconfinamento apresentada hoje ao Governo:

Raquel Duarte, ex-secretária de Estado da Saúde, apresentou, na reunião do Infarmed, um plano de desconfinamento com medidas "faseadas", e que começará pelas creches. O documento propõe uma escala de cinco patamares, em que o nível 1 prevê o menor número de restrições e o nível 5 corresponde ao grau mais grave.


aawxMQY.jpg


https://www.jn.pt/nacional/esta-e-a...nto-apresentada-hoje-ao-governo-13432316.html
Eu acho que se poderia usar esta classificação por município, neste momento já há 8 concelhos sem qualquer infectado na última semana. A apresentação oficial do programa de desconfinamento está marcada para dia 11, se não me engano, aguardemos.
 
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