22 dias depois depois da identificação da Omicron na África do Sul ainda não há qualquer subida relevante no número de óbitos com Covid-19:
Na Europa a variante começa a tornar-se relevante em países socialmente diferentes da África do Sul, e a baixa virulência da Omicron parece estar a confirmar-se com clareza. Vejamos alguns exemplos.
No Reino Unido, existe uma grande "explosão de casos" nos últimos dias, com uma tendência crescente desde dia 4 de dezembro, após uma subida lenta e consequente estabilização ainda causada pela Delta:
No entanto, no que diz respeito a hospitalizações e óbitos não se nota nenhuma tendência crescente, parece clara a estabilização e até uma tendência ligeiramente descendente dos óbitos:
No UK esta estabilização pode ser provocada pela quantidade já significativa de imunizados com a 3ª dose (cerca de 30% tomaram-na há mais de 15 dias).
Porém, na Dinamarca, terceiro país do mundo com maior prevalência da Omicron, apenas 15% da população está nessa situação.
Na Dinamarca, atinge-se agora o maior pico de casos positivos de Covid-19 alguma vez registado neste país. A evolução do número de casos parece demonstrar uma subida normal, semelhante à onda do inverno passado, até final de novembro, seguida de uma tendência de estabilização, que não se confirmou, havendo um fortíssimo aumento nos últimos 10 dias devido ao aparecimento da Omicron:
No entanto, o número de hospitalizados parece estar com tendência para estabilizar, E o número de óbitos com Covid-19 está a diminuir:
É impossível aferir quantos dos casos graves são causados pela Omicron ou pela Delta. Com excepção da África do Sul, a Omicron está a atingir países onde a Delta já estava nos seus máximos históricos, e não se sabe qual o potencial da Omicron para "erradicar" a Delta. Mas podemos comparar estes dois países com a Polónia, que registou hoje o seu primeiro caso de Omicron, importado, pelo que não há ainda transmissão comunitária desta variante. E o que vemos na Polónia: o gráfico das hospitalizações e dos óbitos é um espelho (com um delay de uma ou duas semanas) do número de casos - algo que não ocorre em nenhum dos outros 3 países que apresentei:
Começa a ser muito provável que a Omicron é a variante que tornará a doença endémica e irrelevante.