Eu também não deixei de viver. Máscara sempre em espaços fechados, álcool-gel na carteira, testes e nada de ajuntamentos. Almoçaradas e jantaradas de grupo, nicles. Café na rua, dentro de portas se não houver ninguém ou em esplanadas se estiver à pinha. Natal com pouca gente e ninguém se sentou à mesa sem dar negativo ao final da tarde de 24. Não querem cotonete no nariz, não jantam à minha mesa. Amanhã tenho de ir às compras para a passagem de ano. Vou à hora de almoço para evitar multidões. Posso ser infectada amanhã (ou até já estar e não saber) mas se me infectar ou infectar alguém não será porque fui irresponsável. Não quero viver com esse peso. É bem possível que ninguém escape à infecção. Não precisamos é de estar todos infectados ao mesmo tempo. Se não fui infectada até agora, não foi por acaso. Numa parte do meu trabalho não há distanciamento social pelo que tenho de compensar com outros cuidados. Agora, não me peçam para entender gente que passa a vida a desvalorizar a situação que vivemos e o alarmismo depois, quando lhes toca a eles, ai, Jesus. Nope.