Pandemia da COVID-19 2022

O excesso de mortalidade continua a aumentar Junho fora (ao contrário da tendência normal de diminuação no Verão, à excepção dos desvios provocados pelas ondas de calor). E continua a não haver nenhuma declaração oficial que justifique esta tendência.

Ontem, morreram +110 pessoas do que a média dos últimos 12 anos (+40%).
O que curiosamente até pode ser justificado exatamente por causa do calor, aliado aos constrangimentos no SNS já bem conhecidos. Algo semelhante aconteceu em julho de 2020... :facepalm:
 
  • Gosto
Reactions: hurricane
O que curiosamente até pode ser justificado exatamente por causa do calor, aliado aos constrangimentos no SNS já bem conhecidos. Algo semelhante aconteceu em julho de 2020... :facepalm:

Julho de 2020 teve 3 períodos de onda de calor, um dos quais durou mais de 10 dias na região centro do país. Junho de 2022 já teve ondas de calor?
 
Julho de 2020 teve 3 períodos de onda de calor, um dos quais durou mais de 10 dias na região centro do país. Junho de 2022 já teve ondas de calor?
Tendo em conta que estamos num fórum de meteorologia, acho que a resposta é bem óbvia. Recomendo que vejas o relatório de maio do IPMA para Portugal Continental e de seguida vejas a monitorização diária de junho no site deles. :rolleyes:
 
Tendo em conta que estamos num fórum de meteorologia, acho que a resposta é bem óbvia. Recomendo que vejas o relatório de maio do IPMA para Portugal Continental e de seguida vejas a monitorização diária de junho no site deles. :rolleyes:
Ondas de calor em maio são facilmente atingidas com temperaturas máximas banais e que não afectam a saúde pública. Não deverá haver qualquer efeito do calor na mortalidade de maio. Eventualmente haverá na de ontem, que é claramente excessiva.

Se retirarmos os óbitos atribuídos à Covid-19 estamos com uma anomalia global de mortalidade de +7% desde 1 de março, quando comparado com a média do período homólogo 2014-2021 (2020 e 2021 descontados da mortalidade Covid). É uma anomalia demasiado elevada para se dever apenas e só ao envelhecimento da população.

É interessante calcular a anomalia da mortalidade por grupos etários. Neste aspecto, e descontando novamente a mortalidade Covid-19, a única anomalia positiva de mortalidade situa-se no grupo etário acima dos 85 anos (e no grupo 15-24 anos, mas neste grupo o valor é pouco significativo estatisticamente). Seria interessante saber-se a razão pela qual esta anomalia está a ocorrer. Menos cuidados médicos prestados a estas pessoas? Se sim, devido ao receio de irem ao centro de saúde ou por falta de atendimento? Long covid?
 
Tendo em conta que estamos num fórum de meteorologia, acho que a resposta é bem óbvia. Recomendo que vejas o relatório de maio do IPMA para Portugal Continental e de seguida vejas a monitorização diária de junho no site deles. :rolleyes:
Conforme referiu o @David sf é preciso alguma cautela na correspondência entre a definição técnica de "onda de calor" e o seu impacto na saúde pública. De acordo com o próprio IPMA, os episódios mais prolongados e frequentes de ondas de calor ocorrem historicamente em Maio e Junho. No entanto, a mortalidade excessiva associada a episódios de ondas de calor acontece em Julho e Agosto porque para a saúde pública é mais relevante os extremos atingidos e sua duração do que o desvio em relação a uma média. Além disso, é necessário ter em conta a distribuição geográfica dessa onda de calor e a sua demografia. Nas ondas de calor de Julho e Agosto associada a excessiva mortalidade, estamos a falar de fenómenos que atigem as áreas metropolitanas e mais povoadas durante vários dias. Não tem correspondência com o que se passa em Maio ou Junho.
 
Original -> https://www.imperial.ac.uk/news/237315/omicron-infection-poor-booster-covid-19-immunity/

Se calhar as vacinas recondicionadas não vai fazer muito... ou talvez pior.

They found that people with no prior SARS-CoV-2 infection who then had Omicron showed enhanced cross-reactive immunity to previous variants – with enhanced B and T cell immunity against Alpha, Beta, Gamma and Delta – but they showed a reduced boosting against the Omicron spike protein itself.
According to the researchers, the impact of immune imprinting means that after infection with Omicron people who had previously been infected during the first wave are not immune boosted against a subsequent infection with the variant, and potentially its subvariants BA.4 and BA.5.
“We show that ‘hybrid immune damping’ can occur. For example, infection with the ancestral virus strain impairs the boosting effect of a subsequent Omicron infection. The broad diversity of infection history in our population means that further exposure to the current vaccine has different implications for different people.”
 
Última edição:
  • Gosto
Reactions: "Charneca" Mundial
Para a discussao do excesso de mortalidade, os dados do Eurostat para Abril mostram que na verdade Portugal nem foi dos piores.

https://ec.europa.eu/eurostat/en/web/products-eurostat-news/-/ddn-20220615-2
A diferença maior verificar-se-à a partir de Maio, onde a curva de mortalidade começou a subir quando normalmente desce. Estamos em meados de Junho com mortalidade diária típica de meados de Março. E a curva ainda está a subir.


Screenshot-20220615-195055-Chrome.jpg
 
Para a discussao do excesso de mortalidade, os dados do Eurostat para Abril mostram que na verdade Portugal nem foi dos piores.

https://ec.europa.eu/eurostat/en/web/products-eurostat-news/-/ddn-20220615-2
Tendência crescente da anomalia em quase todos os países. Seria interessante mostrar esta anomalia descontando as mortes por Covid-19, se queremos comparar com a situação de Portugal, onde a Covid-19 é responsável por apenas metade da anomalia registada nos últimos 4 meses.

A anomalia em Portugal está ao nível de todos os países nórdicos com excepção da Suécia, que é o único dos 30 países da UE+EFTA que está com a mortalidade abaixo do normal e que, nos últimos 8 meses foi o país com menor anomalia em 6 deles.
 
  • Gosto
Reactions: "Charneca" Mundial

"Pedro Sousa, meteorologista operacional do Instituto Português do Mar e da Atmosfera e investigador do Instituto Dom Luiz, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa - com vários trabalhos publicados nesta área, entre os quais um estudo recente sobre como o impacto de uma onda de calor no verão de 2020 foi “amplificado” pelo contexto da pandemia e possível menor recurso a assistência médica, - sublinha que existe, no padrão atual da mortalidade, um sinal de impacto do calor intenso dos últimos dias, salientando no entanto que a tendência de excesso de mortalidade já era anterior a este episódio metereológico. Atualmente, com uma média a sete dias de 367 mortes, a mortalidade está cerca de 40% acima do esperado, nota, salientando que esta altura do ano regista tradicionalmente o nível de mortalidade mais baixo do ano, com uma média de 260-270 óbitos.

Para o investigador, o contexto pandémico e a mortalidade específica por covid-19, acima do ano passado, poderão ser alguns dos fatores explicativos. “Neste momento é mais difícil isolar o efeito de uma onda de calor por haver vários fatores ao mesmo tempo e o excesso de mortalidade já vinha de trás, mas nos últimos dias parece haver já o efeito da onda de calor”."