A questão é mesmo essa, Portugal precisou de Programa de Assistência e cumpriu, de um modo geral. Os gregos, já tiveram dois programas, praticamente não cumpriram nada do que prometeram, e ainda queriam mais dinheiro sem dar nada em troca. Foi contra essa injustiça que Portugal e Espanha lutaram.
David Portugal não cumpriu a maior parte das medidas negociadas e não foram lançadas as bases de um desenvolvimento sustentável. As contas hoje estão mais equilibradas porque a loucura de obras públicas parou, os impostos aumentaram e há um maior controlo da economia paralela e da fuga ao fisco, ao ponto de hoje estarmos ao nível dos países nórdicos no que diz respeito à fuga ao fisco no IVA.
O nosso esforço fiscal é talvez o maior da zona euro, possivelmente 170% acima da média europeia. A Reforma do Estado não avançou, foi bloqueada não só pela Esquerda e comunicação social a ela associada como pela Direita cavaquista e pela velha guarda do CDS. Dentro do Governo havia quem soubesse que é necessário reduzir o número de concelhos ou de funcionários públicos, alterar radicalmente o modelo do SNS e da Escola pública, mudar o sistema de aposentações, tudo para tornar o Estado mais eficiente, reduzir a despesa e reduzir os impostos.
A emigração de jovens e o desemprego jovem derivam muito desta carga fiscal brutal, por exemplo, é desmotivante para um trabalhador independente saber que em de entregar cerca de 50% (entre IVA, IRS ou Segurança Social) do que ganha o Estado, e ainda tem de lidar com uma economia onde o poder de compra é baixo ou as rendas das casas e os preços de bens e serviços estão muito inflacionadas em relação ao rendimento médio das famílias.
