Não deixa de ser surpreendente a pouca atenção dada pela imprensa aos atentados na Arábia Saudita. Está-se a falar do maior produtor de petróleo do mundo em conjunto com os aliados americanos. Não têm tradição militar. E muito menos capacidade para combater a guerra moderna, que é urbana, longa e com grandes danos humanos.
Num outro tópico, um assunto recorrente nos media americanos, como por exemplo a CNN ou a Fox News (incluo ambas para não ser seletivo) é a fraqueza americana relativamente à política externa (postura face ao EI e Rússia). Penso que há vários fatores para isso. A capacidade financeira não é a mesma de há 10 anos, o exército já está no limite da operacionalidade e a própria população já está um pouco farta da guerra. Qual é a diferença entre o Iraque e o Vietname (os EUA retiraram deste país e sabe-se os massacres que houve em seguida)? Petróleo. O Iraque não se pode tornar num estado falhado. Isso alastrar-se-ia aos vizinhos e cortaria o acesso ao crude. O Irão é o inimigo do momento. Também devido às alianças com os árabes (os Iranianos são persas). É uma luta que os EUA não podem estar excluídos e há que escolher lados. Sem surpresa nenhuma o poderio americano está a sofrer devido a uma multitude de fatores. Não denegrindo a inovação dos americanos, há vários fatores que lhes beneficiaram. A globalização é recente, tem o quê? Menos de 40 anos? A Europa experienciou 2 guerras devastadoras. Durante muito tempo a indústria americana foi suprema porque não sofreu com a guerra. Pelo contrário, floresceu com ela. O petrodólar assegurou um financiamento relativamente barato ao longo de muitos anos. Hoje em dia os fluxos de capital são mundiais. E é uma corrida para o fundo. A indústria em massa só voltará para a Europa quando voltar atrás nos seus maiores avanços: Proteção ambiental, proteção social (o estado social cresceu porque as pessoas são incapazes de ver a miséria nos seus países e por mais que os preponentes do neo-liberalismo defendam a iniciativa privada é insuficiente) e... um estilo de vida elevado quando comparando com a gigantesca maioria do mundo. Não é supresa nenhuma que a entrada da China na WTO mudou o paradigma económico. E quando a China tiver salários elevados, serão outros a ser explorados (Laos, Vietname e países africanos). E aí começa(rá) a decadência da China. Isso é o normal. Para uns terem excedentes outros têm que ter défices crónicos. Se os países do sul da Europa crescessem os países do norte iam definhar (refiro-me ao comércio intra-europa). Os colapsos económicos são inevitáveis. Sempre aconteceram com consequências bastante significativas. Aliás, os governos intervêm na economia mesmo para evitar a instabilidade em massa derivada dos colapsos económicos. Às vezes resolvem noutras apenas adiam. E o grande problema, como já referi antes, é o excesso de dívida no mundo. Um último motivo, e o texto já está muito grande, diz respeito a lutas em que não há vencedores. Desde o ano 2001 as guerras americanas incidiram em países fracos e com poucos aliados (Afeganistão e Iraque). Agora os adversários principais são a China e a Rússia (e respetivos aliados). Tal como na crise dos mísseis de Cuba não há vencedores nesse tipo de conflito logo o atacante recua. Neste caso os EUA deixaram a Rússia anexar a Crimeia e pouco poderá fazer para impedir o alastramento da China. 3º Guerra Mundial é inevitável. Mais cedo ou mais tarde virá.
Termino a minha intervenção com mais uma teoria da conspiração que virou facto. Infelizmente a histeria da imprensa só se foca numa determinada narrativa. Faltam pessoas que conjuguem tudo. Quem o faz é considerado como anti-ocidente ou coisas piores (agora em português):