Política e economia internacional 2015

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Estado
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Quando referi que não criava perigo falava do ponto de vista ocidental. Obviamente que para a Coreia do Sul é chato ter um vizinho desses.

http://www.ibtimes.co.uk/north-kore...apable-reaching-us-top-official-warns-1523001

Isto também pode ser daquelas notícias para defender o escudo anti-míssil. Se bem que mais depressa o Irão atacaria Israel e os EUA do que a Europa. A Coreia do Norte é um bom candidato a ser a próxima anexação chinesa se o regime colapsar.
 
A NATO, que comprovadamente organizou durante vários anos ataques terroristas na Europa, existe alegadamente para garantir a segurança da Europa e América do Norte, mas todas as suas intervenções só têm gerado o efeito contrário. O Pacto de Varsóvia dissolveu-se, felizmente, há várias décadas. A NATO, organização comprovadamente terrorista, em sentença transitada em julgado na Bélgica e nas conclusões de uma comissão de inquérito do Parlamento Italiano, tem que ser também dissolvida. O mundo ficaria mais seguro.

Esqueceste de nomear: Operação Gladio.
 
E fica novamente o vídeo:



Aliás, o que se está a assistir é a dissolução do acordo Sykes-Picot. O Médio Oriente foi dividido usando régua e esquadro. É tudo artificial. No Iraque e Síria eram minorias que governavam. O Iraque já não existe. Os curdos vão puxar pela independência. Mesmo a Síria é apenas mais um estado satélite:

http://www.spiegel.de/international...sian-protection-from-ally-iran-a-1056263.html

Fear of his enemies was the primary reason for Bashar Assad's call for help to Moscow. "But right after that came the fear of his friends," says a Russian official who long worked in his country's embassy in Damascus. The friend he refers to is Iran, the Syrian regime's most important protector.

"Assad and those around him are afraid of the Iranians," the Russian says. Anger over the arrogance of the Iranians, who treat Syria like a colony, is also part of it, the Russian continues. Most of all, though, the Syrians "mistrust Tehran's goals, for which Assad's position of power may no longer be decisive. That is why the Syrians absolutely want us in the country."

Os iranianos e os sauditas e companhia vão lutar pelo controlo da Síria até ao último sírio. Beirute, Teerão, Bagdade. Com Damasco, o crescente xiita estende-se desde o Mediterrâneo até ao Golfo Pérsico. Intolerável para os sunitas.
 
Última edição:
Eu penso que a Nato poderia ser uma boa solução, se tivesse como objetivo primordial a defesa de um grupo de estados associados contra algum tipo de agressão militar externa.
Nos primórdios da NATO, esse seria o seu principal objetivo, mas desviou - se imenso dele.
Não sou contra o fim da NATO, mas penso que deve ser reinventada.

Orion, concordo em parte no que disseste, mas discordo numa coisa: se calhar, nunca houve um grupo terrorista com tão ampla capacidade de organização, com um território, um exército, fronteiras, cidades, um território organizado de forma administrativa com instituições, capacidade extraordinária de passar a sua mensagem nos media, como o Estado islâmico. Pessoalmente, considero talvez a maior ameaça para a Europa desde a segunda guerra mundial, a Europa se quiser salvar a própria pele tem que se mexer depressa, antes que seja demasiado tarde.

Claro que para que essa acao não seja incompleta, terá de se apertar o cerco ( a nível diplomático) a Turquia e Arábia Saudita.
 
Esqueci - me de referir um pormenor importante é que faz toda a diferença. O Isis e expansionista.
Já tivemos diversos Estados que apoiam o terrorismo, mas geralmente tem um denominador comum - visam essencialmente o poder e o seu grande objetivo é ter um território fechado, de forma a perpetuar o seu poder. Se eventualmente fomentar um ato terrorista, e feito sob a forma de toca e foge, para que o seu poder não seja ameaçado por forcas externas.
O isis não, é expansionista, tem um radicalismo tal quase baseado na recriacao das cruzadas e já fez abertamente mira a Europa.
E enquanto que a Europa vai discutindo questões filosóficas e atacando os refugiados ( que são no essencial desesperados a fugir como podem do isis, que tem também feito de outros muçulmanos os seus alvos preferenciais, acho que muita gente ainda não percebeu isso), o isis vai - se armando e crescendo exponencialmente e já está as portas da Europa ( com território) e dentro da Europa ( com operacionais) .
 
o que esta a acontecer é um conjunto de factores. jovens de 2 ou 3 geração sem emprego e que começam a olhar para o Islão de maneira enviesada e conhecem outros como eles e sentem uma unidade de grupo. Geralmente este jovens iam parar a gangs mas o isis tem um ambiente mais militarista o que é muito atractivo.
 
Orion, concordo em parte no que disseste, mas discordo numa coisa: se calhar, nunca houve um grupo terrorista com tão ampla capacidade de organização, com um território, um exército, fronteiras, cidades, um território organizado de forma administrativa com instituições, capacidade extraordinária de passar a sua mensagem nos media, como o Estado islâmico. Pessoalmente, considero talvez a maior ameaça para a Europa desde a segunda guerra mundial, a Europa se quiser salvar a própria pele tem que se mexer depressa, antes que seja demasiado tarde.

O EI tem uma componente mais moderna devido aos recrutas que tem. Jovens europeus muito dedicados às novas tecnologias. Diga-se de passagem que os ocidentais facilitam o recrutamento. Um muçulmano diz que os 'cruzados' querem destruir o islão. Com tanta invasão no MO como é que se contraria essa versão?

Claro que para que essa acao não seja incompleta, terá de se apertar o cerco ( a nível diplomático) a Turquia e Arábia Saudita.

A Turquia usa os refugiados como arma. Já os sauditas usam os petrodólares como arma para americanos e os lucrativos contratos para europeus. Na teoria parece fácil mas na prática não é. Daí que se fala muito e pouco se faz. O Assad é ditador inútil ao contrário de outros. No Sudão do Sul até há canibalismo. Alguém está preocupado?

E enquanto que a Europa vai discutindo questões filosóficas e atacando os refugiados ( que são no essencial desesperados a fugir como podem do isis, que tem também feito de outros muçulmanos os seus alvos preferenciais, acho que muita gente ainda não percebeu isso), o isis vai - se armando e crescendo exponencialmente e já está as portas da Europa ( com território) e dentro da Europa ( com operacionais) .

Invades a Síria, algo que não pára o terrorismo. E depois? Voltamos a 2001 como os 7 países em 5 anos? O que é que de bom isso trouxe? É um bocado difícil derrubar esse tipo de grupos dispersos. O governo do Iémen fingia que combatia a Al-Qaeda para receber mais dinheiro dos EUA.

o que esta a acontecer é um conjunto de factores. jovens de 2 ou 3 geração sem emprego e que começam a olhar para o Islão de maneira enviesada e conhecem outros como eles e sentem uma unidade de grupo.

Não estão a fazer nada que o 'profeta' deles não fez. Fazem apenas de forma diferente. A atual Arábia Saudita só surgiu depois de uma conquista militar que uniu a península.
 
Esses ditadores do mundo árabe como o Sadam, o Kadafi ou o Assad são de Esquerda, são adeptos de uma espécie de socialismo adaptado aos seus países de maioria muçulmana. A ditadura tem sido uma das formas de manter a paz e de evitar o Islão político. Não é fácil manter a estabilidade em países com quadros étnicos e religiosos complexos e com sociedades ainda de cariz tribal. Essa região não passou por todas as metamorfoses que houve no Ocidente e que nos dão a estabilidade e liberdade que gozamos actualmente. Não tiveram Renascimento, Revolução Científica, Iluminismo, Revolução Industrial, etc. Muitos sírios têm dito em reportagens que Assad era ditador mas havia liberdades para todas as minorias religiosas e até sexuais, idênticas às que gozamos no Ocidente.
 
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Não é novidade mas já de vez acrescenta-se sempre que aparecem mais provas do óbvio:

“Bin Laden Determined to Strike in U.S.” The CIA’s famous Presidential Daily Brief, presented to George W. Bush on August 6, 2001, has always been Exhibit A in the case that his administration shrugged off warnings of an Al Qaeda attack. But months earlier, starting in the spring of 2001, the CIA repeatedly and urgently began to warn the White House that an attack was coming.

The drama of failed warnings began when Tenet and Black pitched a plan, in the spring of 2001, called “the Blue Sky paper” to Bush’s new national security team. It called for a covert CIA and military campaign to end the Al Qaeda threat—“getting into the Afghan sanctuary, launching a paramilitary operation, creating a bridge with Uzbekistan.”

http://www.politico.eu/article/attacks-will-be-spectacular-cia-war-on-terror-bush-bin-laden/
 
retomar o caminho do nacionalismo árabe o mais democrático que for possível, reestablecer os equilibrios desfeitos com as invasões.

outra forma mais drástica será os estados ocidentais assumirem que terão de colonizar novamente esses países.

dar automonia aos curdos pois são o apoio mais credível na região obrigando o irão e a turquia a aceitar esse status.
 
O passaporte sírio encontrado no corpo de um dos autores dos atentados de Paris pertencia a um homem que entrou na União Europeia na Grécia, numa rota usada pelos milhares de refugiados que estão a chegar este ano às costas do Mediterrâneo, diz a Reuters. "Chegou à ilha de Leros a 3 de Outubro", disse à agência Nikos Toscas, vice-ministro grego do Interior. A policia francesa transmitiu o número do passaporte a outras congéneres europeias, para tentar determinar se pertenceria de facto ao autor do atentado. Isto não prova que seja de facto um refugiado - os passaportes sírios são uma mercadoria de tráficopreciosa neste momento, pois assegura entrada quase garantida na União Europeia. Por isso, não está ainda confirmada a identidade deste atacante.

http://www.publico.pt/mundo/noticia...ala-de-espectaculos-1714407#article-live-5371
 
Podemos discutir muito os supostos infiltrados nos refugiados, as possíveis acções militares drásticas em países do médio oriente, ou mesmo o fecho de fronteiras, mas sinceramente o que mais me preocupa é todo o potencial terrorista já em território europeu. E digo potencial pois não me refiro a terroristas "treinados" ou já assumidos. Refiro-me à imensa quantidade de jovens adeptos ou admiradores de todo o "espectáculo" sangrento encenado quase como um filme de Hollywood proporcionado pelos actos do EI. E não falo necessariamente de muçulmanos, basta ver a assustadora quantidade de jovens sem qualquer origem muçulmana que largaram a Europa para isso, incluindo portugueses. Infelizmente a propaganda através da Internet e das redes sociais por parte do EI é terrivelmente eficaz. E não é preciso grande sofisticação nem treino para criar insurgentes e novos membros, em cidadãos já residentes de forma legal na Europa. Parecem prontos a aparecer como cogumelos, e provavelmente muitas medidas que possam reduzir o EI directamente na fonte podem acabar por ter o efeito oposto, o tal "click" para despertar milhares de potenciais terroristas. França é claro o auge desse potencial por diversos motivos. Este sim é o maior e mais complicado desafio no controlo do terrorismo. Como dito atrás, a Caixa de Pandora foi aberta há anos atrás, e agora mesmo que fosse possível fechar, os danos estão espalhados e já enraizados debaixo dos nossos narizes.
 
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Em retrospetiva... quer se acredite ou não que foi motivado, pelo menos em parte, pela ação humana (que é a conclusão do estudo), é inegável o efeito da seca na revolução síria (o cenário abaixo descrito é catastrófico). Como também é interessante fazer comparações entre a Califórnia (estado rico de um país rico) e a Síria (país pobre):

Beginning in the winter of 2006/2007, Syria and the greater Fertile Crescent (FC), where agriculture and animal herding began some 12,000 years ago (1), experienced the worst 3-year drought in the instrumental record (2). The drought exacerbated existing water and agricultural insecurity and caused massive agricultural failures and livestock mortality. The most significant consequence was the migration of as many as 1.5 million people from rural farming areas to the peripheries of urban centers (3, 4).

One critical consequence of these unsustainable policies is the decline of groundwater. Nearly all rainfall in the FC occurs during the 6-month winter season, November through April, and this rainfall exhibits large year-to-year variability (Figs. 1A and 2A). In Syria, the rain falls along the country’s Mediterranean Sea coast and in the north and northeast, the primary agricultural region. Farmers depend strongly on year-to-year rainfall, as two thirds of the cultivated land in Syria is rain fed, but the remainder relies upon irrigation and groundwater (11). For those farms without access to irrigation canals linked to river tributaries, pumped groundwater supplies over half (60%) of all water used for irrigation purposes, and this groundwater has become increasingly limited as extraction has been greatly overexploited (4).

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The reduced supply of groundwater dramatically increased Syria’s vulnerability to drought. When a severe drought began in 2006/2007, the agricultural system in the northeastern “breadbasket” region, which typically produced over two-thirds of the country's crop yields, collapsed (13). In 2003, before the drought’s onset, agriculture accounted for 25% of Syrian gross domestic product. In 2008, after the driest winter in Syria’s observed record, wheat production failed and the agricultural share fell to 17% (14). Small- and medium-scale farmers and herders suffered from zero or near-zero production, and nearly all of their livestock herds were lost (15). For the first time since self-sufficiency in wheat was declared in the mid-1990s, Syria was forced to import large quantities of wheat (13).

Atieh El Hindi, the director of the Syrian National Agricultural Policy Center, has stated that between 2007 and 2008, drought was a main factor in the unprecedented rise in Syrian food prices; in this single year, wheat, rice, and feed prices more than doubled (17, 18). By February of 2010, the price of livestock feed had increased by three fourths, and the drought nearly obliterated all herds (16, 19). There was a dramatic increase in nutrition-related diseases among children in the northeast provinces (20), and enrollment in schools dropped by as much as 80% as many families left the region (21). Bashar al-Assad, who succeeded his father in 2000, shifted to liberalizing the economy by cutting the fuel and food subsidies on which many Syrians had become dependent. These cuts continued despite the drought, further destabilizing the lives of those affected (22). Rural Syria’s heavy year-to-year reliance on agricultural production left it unable to outlast a severe prolonged drought, and a mass migration of rural farming families to urban areas ensued.

Estimates of the number of people internally displaced by the drought are as high as 1.5 million (3, 4, 13). Most migrated to the peripheries of Syria’s cities, already burdened by strong population growth (∼2.5% per year) and the influx of an estimated 1.2–1.5 million Iraqi refugees between 2003 and 2007, many of whom arrived toward the tail end of this time frame at the beginning of the drought and remained in Syria (23). By 2010, internally displaced persons (IDPs) and Iraqi refugees made up roughly 20% of Syria’s urban population. The total urban population of Syria in 2002 was 8.9 million but, by the end of 2010, had grown to 13.8 million, a more than 50% increase in only 8 years, a far greater rate than for the Syrian population as a whole (Fig. 1D) (24). The population shock to Syria’s urban areas further increased the strain on its resources (11).

The rapidly growing urban peripheries of Syria, marked by illegal settlements, overcrowding, poor infrastructure, unemployment, and crime, were neglected by the Assad government and became the heart of the developing unrest (13). Thus, the migration in response to the severe and prolonged drought exacerbated a number of the factors often cited as contributing to the unrest, which include unemployment, corruption, and rampant inequality (23).

...

http://www.pnas.org/content/112/11/3241.full.pdf

O que diferencia a Síria da Arábia Saudita, Iraque e Qatar são os imensos recursos energéticos que, tendencialmente, dão para apaziguar a população. Numa Venezuela pode haver terra para cultivar alimentos não obstante a desgovernação. No deserto isso dificilmente vai acontecer.
 
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