O Partido Conservador está com máximos históricos nas sondagens mas esta situação não se manterá por muitos meses.
1) Há um total vazio de liderança na oposição, só recentemente o Labour elegeu um novo líder e os Liberais-Democratas «desapareceram». Além disso a oposição interna da ala eurófila do Partido Conservador «desapareceu» também. Ou seja, há alguns meses que não há Oposição ao Governo.
2) O Governo está ainda em «estado de graça» e o país ainda não sentiu qualquer consequência da saída da UE pois ainda está dentro do período de transição.
3) As medidas impopulares que terão de ser tomadas devido à saída do mercado único só serão sentidas pelos cidadãos a partir de 2021, falo por exemplo das tarifas nas importações e exportações, burocracias alfandegárias, reposição dos apoios aos agricultores e regiões pobres, aumento do desemprego devido à deslocalização de empresas para a Europa Continental...
As sondagens dizem que a maioria da população quer uma extensão do período de transição mas o Governo é neste momento dominado pela ala mais dura dos eurocépticos e vai dizendo que não haverá extensão, isto apesar das negociações estarem congeladas por causa da crise do Covid-19. Se o PM não der um murro na mesa nas próximas semanas o Reino Unido sairá da UE sem qualquer acordo comercial mas a ala dura dos eurocépticos quer exactamente seguir por essa via. Recordo que se recuarmos no tempo esta ala eurocéptica mais fundamentalista representava pouco mais de 10% dos deputados do Partido Conservador quando o Cameron era PM.