Política e economia internacional 2020

Nos últimos 4 anos o salário mínimo espanhol deu um salto brutal. Um aumento superior a 200 euros em apenas 4 anos sem um correspondente aumento da produtividade. Do ponto de vista económico, uma decisão deste tipo é uma loucura. Um salário mínimo 1000 euros poderá ser ajustado à realidade catalã, mas impossível de suportar na Estremadura ou na Andaluzia. Idealmente, o salário mínimo espanhol deveria descer para um valor adequado à realidade das regiões mais pobres, ou então deveria haver salários mínimos diferentes para cada região. As consequências deste aumento irracional do salário mínimo já era visíveis em Janeiro na Estremadura. Muitas pequenas empresas estavam a fechar e o desemprego aumentou de forma extraordinária em pouco tempo.

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Como é que Espanha pode atacar o problema do desemprego jovem?

- Reduzindo o valor do salário mínimo para o valor de 2016.

- Colocando um travão à entrada de imigrantes extra-comunitários que vão ganhar um salário baixo, como acontece na agricultura. Esta medida libertaria muitos milhares de postos de trabalho para os jovens espanhóis, especialmente na Andaluzia, uma das regiões com mais desemprego jovem.

- Efectuando cortes nos apoios sociais, cortes inteligentes, que não afectem pessoas vulneráveis como doentes, para forçar alguns sectores da população a trabalhar e a não depender tanto do Estado. Devo dizer que em Espanha o Estado Social é mais generoso que em Portugal, por exemplo, na Andaluzia até à queda do Governo PSOE havia uma espécie de RSI que rondava os 750 euros por mês.

- Reduzindo o tempo de atribuição do fundo de desemprego, bem como o seu valor, para forçar uma entrada mais rápida no mercado de trabalho.

- Tornando as leis laborais muito mais flexíveis e simples. A legislação espanhola é muito mais rígida que a inglesa, a alemã ou as nórdicas. Este medida visa que as empresas possam despedir com mais facilidade os trabalhadores menos produtivos e com menos formação, que têm os contratos «blindados» pela legislação actual, para que os lugares fiquem vagos para a entrada de trabalhadores mais produtivos e com melhor formação.

Nenhuma destas medidas será aplicada pelo PSOE enquanto estiver no poder pois dependerá sempre do Podemos, que rejeita qualquer reforma deste tipo.
 
Devo dizer que o Podemos queria um salário mínimo de 1200 euros. Isto implicaria um aumento de quase 50% em relação a 2016. Isto é basicamente meio caminho andado para falir um país. Foi assim que Chávez começou a falir a Venezuela, com os aumentos de salário mínimo, sem correspondentes aumentos de produtividade e mudanças estruturais na economia.

Pelo andar da carruagem, o PSOE, o Podemos e os nacionalistas catalães vão falir Espanha e a crise do Covid veio acelarar o processo. Em breve poderemos ter outra Grécia.
 
Outro problema grave de Espanha. O envelhecimento, os baixos índices de fertilidade.

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Espanha tem outra bomba a rebentar em breve. O insustentável sistema de pensões, muito mais generoso que o português.

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Em França ao longo dos séculos houve políticas muito mais repressivas que nunca foram assumidas em Espanha para forçar a homogeneização. Uma delas foi a cruzada contra os cátaros, que matou parte das elites nobres da Provença, e deixou povoações inteiras quase sem habitantes. A região afectada era a mais rica e culturalmente mais avançada. Depois disso houve ainda a proibição dos dialectos e línguas locais, penso que pelo cardeal Richelieu, e a língua que se estabeleceu como padrão foi o dialecto da Langue d'Oil da região de Paris, que tem muitas influências de uma língua germância, o franco. Por isso, por exemplo, os franceses dizem Oui e não Sim ou Sí. França teve depois um Absolutismo fortíssimo, e depois da Revolução, um Estado centralizador forte.

Em Espanha as regiões são uma grande pedra do sapato, pegando novamente no caso dos professores, os docentes das outras regiões estão revoltados com as regalias dos docentes da Catalunha. A classe profissional que mais defende o nacionalismo catalão são precisamente os professores, o impacto é brutal pois há um enorme doutrinamento de crianças e adolescentes nas escolas da Catalunha, com promoção de xenofobia interna contra as outras regiões de Espanha e ensino de uma visão distorcida da História, e discriminação e bullying dos alunos que estudam e falam castelhano. O Estado catalão comprou o seu funcionalismo para a causa independentista com salários altos e regalias, mas também é uma região autónoma que nas agências de rating é classificada como lixo, é uma região quase falida dentro do Estado espanhol.

A aplicação de um plano de ajuste em Espanha não terá o sossego que houve em Portugal, mesmo que esse plano seja muito mais suave, por causa dos Governos Regionais.
Está certo, mas há uma diferença entre ações feitas no século XVI ou XIX e ações feitas em 2020. Na Europa do século XIX não se dava muito valor às tradições e aos povos, mas hoje em dia dá-se. Uma diminuição da autonomia seria, de certa maneira, uma ilegalidade segundo a Declaração dos Direitos Humanos, aonde fala da "autodeterminação dos povos". :D
Espanha é o último "império" europeu (tirando os impérios coloniais) - digo último pois o anterior império acabou nos anos 90 (a Jugoslávia). Obviamente que a realidade de ambos os territórios é bem diferente, mas na sua estrutura são parecidos: um estado central que governa uma dezena de povos distintos separados por barreiras montanhosas. :eek:

No mapa do relevo também dá para ver a facilidade com que os franceses têm para invadir o Sul. A vermelho está a divisão história entre o Norte (oïl) e o Sul (oc). Na zona ocidental, praticamente não há montanhas. :surprise:
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Já em Espanha, a situação é bem distinta:
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A divisão dos povos é feita através de limites naturais, normalmente montanhas. Por isso é que a centralização do estado espanhol nunca correu bem, e levou sempre a guerras e mais guerras. :)
 
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Os gastos com pensões acima do que a economia pode suportar são um problema do Sul da Europa, especialmente de 4 países: Espanha, Itália, Grécia e Portugal. De certeza que se houver qualquer resgate a um destes países ou se houver imposição de condições para uma mutualização da dívida uma das condições impostas será uma redução dos gastos com pensões. Em Portugal, isto poderia implicar, por exemplo, um corte definitivo nas pensões mais altas da função pública, e o novo sistema contributivo misto, privado e público, com mais descontos voluntários e maior flexibilidade, como já existe na Holanda ou na Suécia. Algo assim dificilmente passará no Tribunal Constitucional, pelo que uma alternativa que passe noTC poderá ser um imposto sobre todas as pensões acima de um determinado valor, já que uma alteração na Constituição depende de uma maioria e o PS não aprovará nada disto (talvez aprovasse nos tempos de Mário Soares).

Uma reforma e um corte nas pensões altas no Sul da Europa não gera apenas revolta nos pensionistas. Gera também muita revolta nos jovens. São estas pensões que sustentam os jovens que não trabalham nem estudam, ou que não trabalham. E a maior percentagem de jovens nesta situação está precisamente nos países onde o Estado está a gastar mais em pensões em percentagem do PIB. Do ponto de vista político, isto significa muitos votos perdidos em todas as faixas etárias. Ninguém quer pagar este preço e tomar estas decisões. Macron fez recentemente uma reforma forte. As ruas não estão cheias por causa do Covid, do ponto de vista político foi salvo pelo vírus!

Si España tuviese que pagar hoy todos los derechos de pensiones adquiridos por los pensionistas y los trabajadores necesitaría casi tres años completos de producción para hacerlo. Esto es, casi cuatro billones de euros. Esta cifra da buena muestra del elevado esfuerzo que suponen las pensiones para el país, y que se repite en el resto de Europa.

Esta es la estimación que realizó el Banco Central Europeo (BCE) en su último boletín, en el cual dedicó un capítulo completo al análisis de los sistemas de protección social de los países de la eurozona. Los cotizantes españoles han acumulado unos derechos de pensiones que alcanzan el 270% del PIB (flujos futuros traídos a precios actuales).

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https://www.elconfidencial.com/econ...mulado-derechos-de-pensiones-270-pib_2203007/
 
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Outro problema grave de Espanha. O envelhecimento, os baixos índices de fertilidade.

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Espanha tem outra bomba a rebentar em breve. O insustentável sistema de pensões, muito mais generoso que o português.

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Só há uma solução realista para isso, que é arranjar maneira de aumentar as taxas de fertilidade. Tudo o resto (emigração, cortes nas pensões) pode ajudar e resolver o problema a curto prazo, mas a longo prazo o problema volta porque a população está constantemente a envelhecer
 
Já em Espanha, a situação é bem distinta:
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Pões esse mapa num forum espanhol e és trucidado (e nem falo de Olivença). León nas Astúrias, estás lixado. Não pões o Reino de Navarra, idem. Lleida em Aragão, idem. Santander no País Basco, idem. Comunidade Valenciana junto à Andaluzia, nunca, mais semelhanças têm com a Catalunha.
 
Pões esse mapa num forum espanhol e és trucidado (e nem falo de Olivença). León nas Astúrias, estás lixado. Não pões o Reino de Navarra, idem. Lleida em Aragão, idem. Santander no País Basco, idem. Comunidade Valenciana junto à Andaluzia, nunca, mais semelhanças têm com a Catalunha.
O mapa tem bastantes imprecisões, especialmente juntar Valência à Andalúzia em vez de ser à Catalunha fez-me particularmente impressão, e Aragão e o País Basco também me parecem muito grandes mas ele tem razão nalgumas coisas, Leão por exemplo historicamente está mais ligado às Astúrias do que a Castela/Espanha
 
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O catalao e falado nos seguintes locais:

- Catalunha
- concelhos de Aragao que fazem fronteira com a Catalunha
- Baleares
- Valencia
- Um concelho de Murcia na fronteira com a regiao de Valencia

O antigo reino de Aragao tinha as seguintes linguas:

- catalao
- aragones
- ladino
- castelhano
 
O catalao e falado nos seguintes locais:

- Catalunha
- concelhos de Aragao que fazem fronteira com a Catalunha
- Baleares
- Valencia
- Um concelho de Murcia na fronteira com a regiao de Valencia

O antigo reino de Aragao tinha as seguintes linguas:

- catalao
- aragones
- ladino
- castelhano

Sendo que é um assunto polémico chamar catalão ao Valenciá, dialecto falado na Comunidade Valenciana e Baleares...
 
Pões esse mapa num forum espanhol e és trucidado (e nem falo de Olivença). León nas Astúrias, estás lixado. Não pões o Reino de Navarra, idem. Lleida em Aragão, idem. Santander no País Basco, idem. Comunidade Valenciana junto à Andaluzia, nunca, mais semelhanças têm com a Catalunha.
Eu sei, e sei também que o mapa tem imprecisões, mas já li muito sobre o assunto e sei do que falo. O mapa apenas serve para relatar a diversidade cultural e as suas fronteiras dentro da Península.

Sendo que é um assunto polémico chamar catalão ao Valenciá, dialecto falado na Comunidade Valenciana e Baleares...
Nunca percebi essa confusão. A diferença entre o catalão e o valenciano não é muito diferente da diferença entre o português falado no Minho e o português falado no Alentejo. A língua é a mesma, a única coisa que difere é a pronúncia e um ou outro regionalismo (castelhanismo). :)
 
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