Em França ao longo dos séculos houve políticas muito mais repressivas que nunca foram assumidas em Espanha para forçar a homogeneização. Uma delas foi a cruzada contra os cátaros, que matou parte das elites nobres da Provença, e deixou povoações inteiras quase sem habitantes. A região afectada era a mais rica e culturalmente mais avançada. Depois disso houve ainda a proibição dos dialectos e línguas locais, penso que pelo cardeal Richelieu, e a língua que se estabeleceu como padrão foi o dialecto da Langue d'Oil da região de Paris, que tem muitas influências de uma língua germância, o franco. Por isso, por exemplo, os franceses dizem Oui e não Sim ou Sí. França teve depois um Absolutismo fortíssimo, e depois da Revolução, um Estado centralizador forte.
Em Espanha as regiões são uma grande pedra do sapato, pegando novamente no caso dos professores, os docentes das outras regiões estão revoltados com as regalias dos docentes da Catalunha. A classe profissional que mais defende o nacionalismo catalão são precisamente os professores, o impacto é brutal pois há um enorme doutrinamento de crianças e adolescentes nas escolas da Catalunha, com promoção de xenofobia interna contra as outras regiões de Espanha e ensino de uma visão distorcida da História, e discriminação e bullying dos alunos que estudam e falam castelhano. O Estado catalão comprou o seu funcionalismo para a causa independentista com salários altos e regalias, mas também é uma região autónoma que nas agências de rating é classificada como lixo, é uma região quase falida dentro do Estado espanhol.
A aplicação de um plano de ajuste em Espanha não terá o sossego que houve em Portugal, mesmo que esse plano seja muito mais suave, por causa dos Governos Regionais.