O problema quando alguém defende a violência gratuita - do tipo que observamos num país democrático como os Estados Unidos - para atingir os seus objetivos ideológicos e eleitorais, é que se arrisca rapidamente a perder o controlo do monstro que criou.
Caríssima, não estamos a falar da Guatemala, nem do Burkina Faso, nem da Somália. Estamos a falar dos EUA, que neste momento têm um sistema judicial que garante a punição exemplar e atempada dos crimes.
Vou fazer-lhe um desenho:
um pacífico cidadão ucraniano, provavelmente a tentar entrar de forma ilegal no nosso país, foi este ano assassinado às mãos de funcionários do Estado, de forma que envergonha todos os portugueses. Portanto, no seu ponto de vista, a comunidade ucraniana deveria assaltar o aeroporto de Lisboa, deixar tudo em cacos (incluindo as lojas de lingerie, claro), vingando-se de todos estes anos em que tantos concidadãos seus têm sido humilhados em Portugal, muitos mal pagos e enganados, sem direitos, num país ainda por cima onde a justiça leva décadas a decidir, certo?
O simples facto de estarmos os dois a discutir sobre se a violência sectária tem ou não justificação deixa-me deprimido. O mundo está mesmo a ir pelo cano.