Política e economia internacional

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Washington, 29 dez (Lusa) -- O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou hoje em Washington que suspende a ajuda à Grécia até à formação do Governo que vencer as eleições antecipadas.

"Negociações com as autoridades gregas sobre a sexta tranche do programa de ajuda ... só vão ser concluídas após a tomada de posse do novo Governo", disse em Washington o porta-voz do FMI, Gerry Rice.

O mesmo responsável disse ainda que o FMI já consultou a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE).

Visão

O ministro das Finanças da Grécia, Gikas Jardúvelis, disse hoje que o país "não tem problemas de liquidez" num discurso claramente dirigido aos mercados por causa da marcação de eleições legislativas antecipadas.

"Não há problemas de liquidez. Se tivessem surgido teríamos emitido Títulos do Tesouro. Creio que vamos necessitar de liquidez em março",
disse Jardúvelis, em declarações transmitidas através da televisão logo após o resultado da terceira votação parlamentar que afastou hoje definitivamente a eleição do chefe de Estado obrigando à realização de eleições antecipadas.

Stavros Dimas, antigo ministro e ex-comissário europeu, era o nome proposto pelo partido da Nova Democracia, no poder em coligação com os socialistas do PASOK, mas não conseguiu passar em nenhuma das três votações parlamentares, sendo que as eleições legislativas vão ser obrigatoriamente antecipadas, tendo sido marcadas hoje para o próximo dia 25 de janeiro.

Sapo
 
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Noutras notícias:

A Rússia qualificou hoje de "extremamente inoportuna" a retirada das tropas ocidentais do Afeganistão numa altura em que "os talibãs estão tão fortes como em 2001".

"Apesar de tudo, os membros da NATO vangloriam-se nas sessões do Conselho de Segurança de que cumpriram todos os seus objetivos. Mas o que fizeram? Saem quando os talibãs estão tão fortes como em 2001", disse o emissário presidencial russo para o Afeganistão, Zamir Kabulov, citado pela agência Interfax.

Para o diplomata, os aliados "não criaram no Afeganistão um exército autossuficiente", algo que "eles próprios reconhecem", e existe a possibilidade de os talibãs reagruparem forças para uma "grande ofensiva" a partir da primavera para cercar Cabul.

Kabulov assegurou que os talibãs não controlam apenas o sudeste do Afeganistão, como antes, tendo "fortes posições em torno de Cabul", que representam uma ameaça à capital não só a partir do leste e sudeste, mas também do norte.

O emissário russo advertiu por outro lado para o risco de uma reativação da atividade de extremistas junto às fronteiras com o Tajiquistão e o Turquemenistão, zonas onde disse estarem cerca de 4.500 e 2.500 combatentes respetivamente, mas afastou a hipótese de um destacamento de tropas russas para a fronteira com o Tajiquistão.

A Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF) da NATO no Afeganistão termina a 31 de dezembro a missão de combate lançada há 13 anos, mantendo apenas no terreno um pequeno contingente de conselheiros militares estrangeiros.

NM

Já aqui fiz referência à guerra encoberta do Paquistão e a Índia. Por isso é que o primeiro continua a albergar os Taliban. Um dos alegados perpetradores dos ataques em Bombaim vai ser solto:

A Pakistani court Monday suspended a detention order keeping the alleged planner of the Mumbai terror attacks in jail, possibly paving the way for his release, a government prosecutor said.

The development is the latest twist in the ongoing case of Zaki-ur-Rahman Lakhvi, one of seven men on trial in Pakistan in connection with the 2008 attack in the Indian city of Mumbai that killed 166 people.

(...)

India has already reacted angrily to any suggestion that Lakhvi might be released. India summoned Pakistan's high commissioner to their Foreign Ministry Monday to voice their displeasure.

"It was once again conveyed that we expect the Government of Pakistan to abide by the commitment conveyed to us, including at the highest level, that expeditious steps would be taken to bring all those responsible for the heinous acts of terrorism in Mumbai to justice and that it was extremely disturbing that despite the assurances we have been receiving over the last 6 years, and the recent tragedies in Pakistan, there seems to be no end in sight to Pakistan remaining a safe-haven for well-known terror groups," the ministry said in a statement.

AP

Felizmente, o que escrevi anteriormente não são teorias da conspiração pois foi o próprio Pervez Musharaz (antigo dirigente paquistanês) que o confirma:

"The danger for Pakistan is [...] the Indian influence in Afghanistan," former Pakistani President and Army Chief Pervez Musharraf recently told the AFP news agency in an interview in the southern Pakistani city of Karachi. "They (India) want to create an anti-Pakistan Afghanistan."

"If Indians are using some ethnic groups in Afghanistan, then Pakistan will use its own support, and our ethnic allies are certainly Pashtuns," Musharraf continued.

(...)

There is nothing new about Pakistan's Afghanistan policy though. The country's military and civil establishment, analysts say, still consider the Taliban an important strategic ally, who they think should be part of the Afghan government after the NATO pullout. Observers say that the Pakistani military hopes to regain the influence in Kabul it once enjoyed before the United States and its allies toppled the pro-Pakistan Taliban government in 2001.

DW

Daí que os Taliban nunca desaparecerão.

Os russos também vão fazer negócio com a Argentina. O Reino Unido não vai gostar:

The Falkland Islands - a UK overseas territory Argentina lays claim to - have been allegedly reviewing their defenses after news Russia may offer Argentina fighter jets. Moscow could swap them for beef and wheat, UK's Daily Express says in its report.

The deal reportedly involves a lease/lend of twelve Sukhoi Su-24 all-weather attack aircraft, which NATO calls "Fencer A". The jets will be able to do air patrols over the Falklands' capital, Port Stanley. According to the tabloid, Ministry of Defense officials fear Buenos Aires will take delivery of the planes well before the 2020 deployment of the Navy’s 65,000-tonne aircraft carrier HMS Queen Elizabeth and its F-35B fighters, leaving a “real window of vulnerability.”

RT

Nota ainda para a complacência dos mercados face às notícias da Grécia. Sim, as taxas de juros subiram mas não se viu um contágio como em tempos passados. Não está havendo um crash nas bolsas nem nada disso. Provavelmente os movimentos acontecerão mais próximo das eleições. Mas, novamente, a complacência não deixa de ser "interessante".
 
Há alguns anos que relatórios internacionais antecipam um possível regresso dos taliban ao poder. As mudanças políticas e sociais quando são impostas por países externos não funcionam, só são estáveis quando parte das forças espontâneas da sociedade. Os países daquela zona têm quadro étnicos, religiosos e linguísticos muito complexos, para além disso estamos a falar de sociedades tribais. A agitação continuará por muitas décadas.
 
O ouro hoje (+- 989 euros) está a pouco mais de 11 euros do máximo de 52 semanas (1000 euros a onça). Isto deve-se à desvalorização do euro, ou seja, a valorização do dólar. Um euro vale neste momento +-1,21 dólares. Neste último ano que se passou já esteve a 1,39. No ano passado, por esta altura, o ouro esteva a +-870 euros.

A guerra das moedas vai continuar. A crise na Europa levará os investidores a adquirir dólares, piorando o ambiente deflacionário. Quem sofrerá mais são os mercados emergentes, fortemente endividados na última moeda mencionada. E com uma economia mundial em muito mau estado, as coisas não serão bonitas:

Offshore lending in US dollars has hit $9tn, roughly double its 2008 value. Emerging economies have taken out $3.1tn in cross-border loans, mostly in US dollars. Since the end of 2012 alone, dollar loans to China have doubled to $1.1tn, and Chinese citizens have borrowed more than $360bn in debt securities.

Guardian

Por outro lado, a FED quer estimular a inflação caseira. O QE, de forma discreta, persiste mas toda a gente opta por ignorar. Os 'peritos' especulam que em 2015 o euro e o dólar chegarão a 1:1. Pessoalmente não creio (ainda falta o muito aguardado QE europeu) mas (quase) tudo pode acontecer. Ver-se-á.

Na Itália, o ano que vem trará uma vaga de privatizações. Correios, controlo aéreo e uma empresa de comboios.

Ainda em relação à Itália, mais um recorde nas obrigações. Menos de 2% a 10 anos. Não admira já que pela imprensa abundam artigos a afirmar que a crise agora é diferente (aqui e aqui).
 
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O governo alemão está em conversações secretas com o Syriza. Este partido já nem quer que a Grécia deixe o euro. Na política as opiniões mudam com os dias. E o eleitor é sempre enganado.

At the same time, Niko Pappas, a spokesman from Syriza, said that the party will not pull Greece out of the eurozone and "will not take unilateral decisions" if it takes power in the elections, scheduled for Jan. 25.
 
E a vigilância omnipresente chega a França:

The French government has published a decree enacting an internet surveillance law that was passed a year ago. The controversial measure, allowing authorities 'administrative access to connection data,' reportedly comes into force the first day of 2015.

The decree, providing French officials with access to data from a wide range of telecom services in the country - including phone calls, text messages and internet access by both private users and operators - was published over the Christmas holidays, France's Le Point reported.

RT
 
E antecipando aquilo que mais cedo ou mais tarde acontecerá, o Draghi apela a uma união mais abrangente de todos os membros da UE:

Euro zone countries must "complete" their monetary union by integrating economic policies further and working towards a capital markets union, European Central Bank President Mario Draghi said.

In an article for Italian daily Il Sole 24 Ore on Wednesday, Draghi said structural reforms were needed to "ensure that each country is better off permanently belonging to the euro area".

He said the lack of reforms "raises the threat of an exit (from the euro) whose consequences would ultimately hit all members", adding the ECB's monetary policy, whose goal is price stability, could not react to shocks in individual countries.

He said an economic union would make markets more confident about future growth prospects -- essential for reducing high debt levels -- and so less likely to react negatively to setbacks such as a temporary increase in budget deficits.

"This means governing together, going from co-ordination to a common decisional process, from rules to institutions."

Unifying capital markets to follow this year's banking union would also make the bloc more resilient.

"How risks are shared is connected to the depth of capital markets, in particular stock markets. As a consequence, we must proceed swiftly towards a capital markets union," Draghi wrote.

Reuters

Portanto, a solução para o efeito dominó que um país tem sobre os outros (problema esse que surgiu devido à integração) é mais integração.

Ou representando num cartoon...

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