Seguimento Meteorológico Livre 2019

António josé Sales

Nimbostratus
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6 Out 2016
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Turquel, concelho de Alcobaça
Boa Dia!!!
Desde já peço desculpa ter estado ausente tanto tempo. Tive o azar de ter estado num dos eventos mais extremos em termos de incêndios em Portugal...o incêndio de Pedrógão...Nesse incêndio fui um dos bombeiros feridos e queimados. Não tem sido fácil. Estou a tentar voltar à normalidade e vir aqui comentar e trazer novidades meteorológicas da minha zona também faz parte desse voltar devagarinho.
Hoje está um sol radioso e uma temperatura quase primaveril.

Bem vindo, rápidas melhoras e que tudo corra bem!!!!!!!!
Um muito obrigado a todos os bombeiros que todos os dias arriscam a vida por nós:)
 
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Mr. Neves

Cumulonimbus
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22 Jan 2013
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Tondela-290m
Os anos passam, a europa pinta-se de branco de norte a sul e invariavelmente para nós sobram os resquícios... A neve teima em não voltar a paragens menos habituais, quando voltar a acontecer talvez ache que é mentira, ou então que estou a sonhar acordado, é só mais um ano... Enfim, pensarão alguns: "mas nós nem chuva temos e vem-me para aqui este tipo falar de neve :maluco:..."

O evento que está a ser a modelado lá para o fim da próxima semana, deverá ser de facto bastante generoso para cotas altas (entenda-se acima dos 700/750m) abaixo disso duvido que a neve passe muito dos 600m, eventualmente nos extremos norte e nordeste do país a cota possa descer até bem menos e nevar a cotas bastante mais baixas, muito dependendo da existência de precipitação (para variar deve escassear especialmente nas regiões mais interiores).

Na generalidade aquilo que se vê neste momento é uma massa de ar frio com características sobretudo oceânicas (embora reabsorvida num fluxo algo continental) e com grande dificuldade em se estender ao longo de PT continental (ou não resultasse da vinda de uma depressão do sul da Gronelândia a bordo do jato, jato esse que de algum modo impede que o frio se estenda de modo mais uniforme pelo território). Portanto, como resultado será uma entrada de NO, que deverá originar cotas um pouco mais altas que as modeladas, mas para além disso saliente-se que aos 500hPa não existe um frio extraordinário modelado, e se olharmos aos 850hPa o cenário talvez seja ainda pior sendo que se observa uma distribuição extremamente errática deste, para além de que estranhamente não há uma sincronicidade entre os momentos mais frios aos 500hPa e 850hPa (neste ponto a paralela, presumível operacional do GFS, tem estado melhor, mas numa área muito restrita do território). Aquilo que provavelmente ajudaria seria uma corrente de jato com sentido mais de norte, assim o frio chegaria mais facilmente, no entanto a cerca de 125h ainda há espaço para alguns ajustes e veremos se as condições agora previstas não pioram mais:wacko:, do mesmo modo que pode ainda haver alguma melhoria, apesar de que no que toca ao frio, os modelos parecem estar já bastante convictos. Existem algumas perturbações no GEFS que simulam o que acabei de dizer relativamente à existência de um jet de norte mas, não acredito muito...

Ainda a propósito das correntes de jato, um dos falhanços deste SSW, pelo menos até ao momento, é que não ocorreu uma união entre os fragmentos das correntes de jato polares e subtropicais, pelo menos numa região que nos favorecesse (tem havido algumas tentativas mas sem grande sucesso), vê-se efetivamente estas uniões algures na península Arábica e um pouco pela Ásia em geral, mas nada no Atlântico... Se esta união tivesse ocorrido, seria muito mais fácil a presença de ciclogéneses por cá, e teríamos por certo mais chuva, dado podermos beneficiar de ar mais energético e instável.
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O El Niño parece também estar a abrandar, muito embora não saiba precisar ao certo que efeitos é que isso terá no que nos resta do inverno. Estamos também numa fase de fluxo de oeste da QBO, o que regra geral pode ajudar numa transição para um período mais chuvoso e com temperaturas mais amenas (o que deste ponto de vista para os amantes da neve como eu podem não ser as melhores notícias), mas com a divisão do vórtice e o estado caótico da circulação pelo hemisfério norte tudo se torna uma grande incógnita.
 
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Ricardo Carvalho

Cumulonimbus
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23 Jul 2015
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Azeitão/Sesimbra
Os anos passam, a europa pinta-se de branco de norte a sul e invariavelmente para nós sobram os resquícios... A neve teima em não voltar a paragens menos habituais, quando voltar a acontecer talvez ache que é mentira, ou então que estou a sonhar acordado, é só mais um ano... Enfim, pensarão alguns: "mas nós nem chuva temos e vem-me para aqui este tipo falar de neve :maluco:..."

O evento que está a ser a modelado lá para o fim da próxima semana, deverá ser de facto bastante generoso para cotas altas (entenda-se acima dos 700/750m) abaixo disso duvido que a neve passe muito dos 600m, eventualmente nos extremos norte e nordeste do país a cota possa descer até bem menos e nevar a cotas bastante mais baixas, muito dependendo da existência de precipitação (para variar deve escassear especialmente nas regiões mais interiores).

Na generalidade aquilo que se vê neste momento é uma massa de ar frio com características sobretudo oceânicas (embora reabsorvida num fluxo algo continental) e com grande dificuldade em se estender ao longo de PT continental (ou não resultasse da vinda de uma depressão do sul da Gronelândia a bordo do jato, jato esse que de algum modo impede que o frio se estenda de modo mais uniforme pelo território). Portanto, como resultado será uma entrada de NO, que deverá originar cotas um pouco mais altas que as modeladas, mas para além disso saliente-se que aos 500hPa não existe um frio extraordinário modelado, e se olharmos aos 850hPa o cenário talvez seja ainda pior sendo que se observa uma distribuição extremamente errática deste, para além de que estranhamente não há uma sincronicidade entre os momentos mais frios aos 500hPa e 850hPa (neste ponto a paralela, presumível operacional do GFS, tem estado melhor, mas numa área muito restrita do território). Aquilo que provavelmente ajudaria seria uma corrente de jato com sentido mais de norte, assim o frio chegaria mais facilmente, no entanto a cerca de 125h ainda há espaço para alguns ajustes e veremos se as condições agora previstas não pioram mais:wacko:, do mesmo modo que pode ainda haver alguma melhoria, apesar de que no que toca ao frio, os modelos parecem estar já bastante convictos. Existem algumas perturbações no GEFS que simulam o que acabei de dizer relativamente à existência de um jet de norte mas, não acredito muito...

Ainda a propósito das correntes de jato, um dos falhanços deste SSW, pelo menos até ao momento, é que não ocorreu uma união entre os fragmentos das correntes de jato polares e subtropicais, pelo menos numa região que nos favorecesse (tem havido algumas tentativas mas sem grande sucesso), vê-se efetivamente estas uniões algures na península Arábica e um pouco pela Ásia em geral, mas nada no Atlântico... Se esta união tivesse ocorrido, seria muito mais fácil a presença de ciclogéneses por cá, e teríamos por certo mais chuva, dado podermos beneficiar de ar mais energético e instável.
pqZO6gu.png

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O El Niño parece também estar a abrandar, muito embora não saiba precisar ao certo que efeitos é que isso terá no que nos resta do inverno. Estamos também numa fase de fluxo de oeste da QBO, o que regra geral pode ajudar numa transição para um período mais chuvoso e com temperaturas mais amenas (o que deste ponto de vista para os amantes da neve como eu podem não ser as melhores notícias), mas com a divisão do vórtice e o estado caótico da circulação pelo hemisfério norte tudo se torna uma grande incógnita.
E as saudades que nós já tinhamos das tuas intervenções fabulosas neste fórum! Bem vindo de volta,( mesmo tendo andado sempre nos bastidores ) este fórum fica sem dúvida muito mais enriquecido com as tuas análises e previsões meteorológicas

Enviado do meu SM-A510F através do Tapatalk
 

Marco pires

Cumulus
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23 Out 2017
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O IPMA está a prever uma boa semana de chuva, especialmente a partir do meio da semana, que será relativamente bem distribuída por todo o território, com a natural incidência nas regiões norte e centro.
Pelo menos nota-se uma quebra do padrão que temos tido até agora, vamos ver é quanto tempo irá durar.
 
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RedeMeteo

Nimbostratus
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13 Nov 2017
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Serpa
O IPMA está a prever uma boa semana de chuva, especialmente a partir do meio da semana, que será relativamente bem distribuída por todo o território, com a natural incidência nas regiões norte e centro.
Pelo menos nota-se uma quebra do padrão que temos tido até agora, vamos ver é quanto tempo irá durar.
relativamente bem distribuída por todo o território??? deixa me rir :lmao::lmao::lmao::lmao:
 

Marco pires

Cumulus
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23 Out 2017
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Pinhal novo
Quem estiver á espera de algum dilúvio na região sul interior certamente vai ter que aguardar por outra oportunidade.
É que estamos a falar de uma zona em que os médias de pluviosidade são muito baixas comparativamente com o litoral norte e centro.
Há que ter noção dos locais a que nos estamos a referir, e quem vive no interior sul deve saber de antemão que é mais frequente períodos de seca, do que de chuva, viver nessas zonas e ter altas espectativas em relação invernos chuvosos é o mesmo que viver em Lisboa e esperar ver neve todos os anos. Aliás fui claro ao referir a natural incidência nas regiões norte e centro.

Continente
Previsão para 5ª feira, 31.janeiro.2019

Céu geralmente muito nublado.
Períodos de chuva, por vezes forte e persistente nas
regiões Norte e Centro.
Queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela, descendo
a cota para 1200 metros na região Norte no final do dia.
Vento fraco a moderado (até 30 km/h) do quadrante oeste,
soprando por vezes forte (até 40 km/h), com rajadas até 60 km/h, no
litoral oeste, e sendo forte (35 a 50 km/h) nas terras altas, com
rajadas até 85 km/h.
Subida de temperatura, em especial da mínima.

METEOROLOGISTA(S):
Cristina Simões e Ricardo Tavares

Atualizado a 27 de janeiro de 2019 às 10:45 UTC
 

Mr. Neves

Cumulonimbus
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22 Jan 2013
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Tondela-290m
E as saudades que nós já tinhamos das tuas intervenções fabulosas neste fórum! Bem vindo de volta,( mesmo tendo andado sempre nos bastidores
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) este fórum fica sem dúvida muito mais enriquecido com as tuas análises e previsões meteorológicas
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Enviado do meu SM-A510F através do Tapatalk

Olá, @Ricardo Carvalho, obrigado :). Tenho andado sem grande tempo para me dedicar a este espaço, e para além disso o inverno atípico que estamos a ter, ainda mais desmotivação me trouxe. Mas pronto, não tem sido também muito fácil conjugar os afazeres académicos com o lazer. De qualquer forma sempre tiro algum tempo para ir acompanhando o que aqui se passa.

Entretanto, as saídas do GFS-FV3 não estão muito más para determinados pontos do país, mas infelizmente não há muita concordância com o ECMWF (este mete temperaturas muito mais elevadas em todos os níveis da atmosfera, em particular aos 850hPa, que é onde começa a grande disparidade). Aqui fica o ensemble duma zona algures na zona NE do distrito de Viseu, nota-se mais uma vez um desfasamento entre o período mais frio aos 850hPa e aos 500hPa, mas acima de tudo nota-se já a grande assertividade para este evento, ainda que a paralela esteja um pouco abaixo da média no que toca a temperaturas nos 850hPa:
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Repare-se nesta carta que existe ainda uma porção, embora irregular, de um freezing level a altitudes de 500m descendo durante a madrugada até aos 400m/300m, o que na melhor das hipóteses poderia trazer alguma neve nesses locais até uma eventual cota de 300m/350m muito dependendo da existência de precipitação, para além de que o geopotencial é também favorável com um perfil atmosférico mais estreito de 528dam e até talvez menos. No entanto estes valores são sempre muito relativos do meu ponto de vista, porque não nos podemos esquecer do intenso fluxo de Noroeste que vai ser estabelecido, isso talvez seja o suficiente para fazer subir a cota nuns 100m/150m ou até mais há medida que se analisa regiões mais a oeste:
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Em termos de precipitação nestas horas, vê-se o tal escasseamento de precipitação, do ponto vista convectivo, muito embora até surja alguma convergência durante a madrugada, mas tudo não se traduz em si num grande forçamento vertical, que pudesse originar uma grande manutenção da convecção.
Nesta carta observa-se, como era de esperar nestas configurações uma subida de ar nas regiões montanhosas, e o arrefecimento adiabático associado, bem como eventualmente as regiões com elevado efeito de foehn -
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Precipitação a diminuir ao longo da madrugada já num regime pós frontal:
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138-779PSP_nlp0.GIF


Repare-se nestas cartas no intenso fluxo em altitude de NO e O em diferentes altitudes e nas implicações que isso teria nos níveis de humidade relativa em altitude e na duração de vida dos flocos ao longo da sua descida :
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algarvio1980

Furacão
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Olhão (24 m)
O IPMA está a prever uma boa semana de chuva, especialmente a partir do meio da semana, que será relativamente bem distribuída por todo o território, com a natural incidência nas regiões norte e centro.
Pelo menos nota-se uma quebra do padrão que temos tido até agora, vamos ver é quanto tempo irá durar.


Quanto à semana de chuva, vê lá bem os modelos quer GFS quer o ECM se estão bem equilibrados, se no Sotavento nem aos 5 mm chega, está bem distribuída. Já vi melhores equilíbrios do que da próxima semana, mas quem sou eu para dizer que a coisa não está equilibrada. :huhlmao: :huhlmao:
 
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dvieira

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Fátima (326 m)
Esta semana promete um pouco de animação mas nada de extraordinário, sabem que é o melhor que vamos ter desde que começou o inverno. Depois disso que espero que não se confirme o monstro do anticiclone está novamente á porta. O que chover esta semana pouco ou nada vai resolver da seca que já se apresenta nalgumas regiões do sul do nosso país, caso depois tivermos o regresso do anticiclone potente como alguns modelos estão a prever. Enfim parece que a quebra do vórtice polar pouco ou nada de novo se traduz de eventos no nosso país. Nem chuva, nem frio, nem neve.
 

Gerofil

Super Célula
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21 Mar 2007
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Estremoz (401 metros)
Os anos passam, a europa pinta-se de branco de norte a sul e invariavelmente para nós sobram os resquícios... A neve teima em não voltar a paragens menos habituais, quando voltar a acontecer talvez ache que é mentira, ou então que estou a sonhar acordado, é só mais um ano... Enfim, pensarão alguns: "mas nós nem chuva temos e vem-me para aqui este tipo falar de neve :maluco:..."

O evento que está a ser a modelado lá para o fim da próxima semana, deverá ser de facto bastante generoso para cotas altas (entenda-se acima dos 700/750m) abaixo disso duvido que a neve passe muito dos 600m, eventualmente nos extremos norte e nordeste do país a cota possa descer até bem menos e nevar a cotas bastante mais baixas, muito dependendo da existência de precipitação (para variar deve escassear especialmente nas regiões mais interiores).

Na generalidade aquilo que se vê neste momento é uma massa de ar frio com características sobretudo oceânicas (embora reabsorvida num fluxo algo continental) e com grande dificuldade em se estender ao longo de PT continental (ou não resultasse da vinda de uma depressão do sul da Gronelândia a bordo do jato, jato esse que de algum modo impede que o frio se estenda de modo mais uniforme pelo território). Portanto, como resultado será uma entrada de NO, que deverá originar cotas um pouco mais altas que as modeladas, mas para além disso saliente-se que aos 500hPa não existe um frio extraordinário modelado, e se olharmos aos 850hPa o cenário talvez seja ainda pior sendo que se observa uma distribuição extremamente errática deste, para além de que estranhamente não há uma sincronicidade entre os momentos mais frios aos 500hPa e 850hPa (neste ponto a paralela, presumível operacional do GFS, tem estado melhor, mas numa área muito restrita do território). Aquilo que provavelmente ajudaria seria uma corrente de jato com sentido mais de norte, assim o frio chegaria mais facilmente, no entanto a cerca de 125h ainda há espaço para alguns ajustes e veremos se as condições agora previstas não pioram mais:wacko:, do mesmo modo que pode ainda haver alguma melhoria, apesar de que no que toca ao frio, os modelos parecem estar já bastante convictos. Existem algumas perturbações no GEFS que simulam o que acabei de dizer relativamente à existência de um jet de norte mas, não acredito muito...

Ainda a propósito das correntes de jato, um dos falhanços deste SSW, pelo menos até ao momento, é que não ocorreu uma união entre os fragmentos das correntes de jato polares e subtropicais, pelo menos numa região que nos favorecesse (tem havido algumas tentativas mas sem grande sucesso), vê-se efetivamente estas uniões algures na península Arábica e um pouco pela Ásia em geral, mas nada no Atlântico... Se esta união tivesse ocorrido, seria muito mais fácil a presença de ciclogéneses por cá, e teríamos por certo mais chuva, dado podermos beneficiar de ar mais energético e instável.
pqZO6gu.png

WbYqpqZ.png


O El Niño parece também estar a abrandar, muito embora não saiba precisar ao certo que efeitos é que isso terá no que nos resta do inverno. Estamos também numa fase de fluxo de oeste da QBO, o que regra geral pode ajudar numa transição para um período mais chuvoso e com temperaturas mais amenas (o que deste ponto de vista para os amantes da neve como eu podem não ser as melhores notícias), mas com a divisão do vórtice e o estado caótico da circulação pelo hemisfério norte tudo se torna uma grande incógnita.

Entretanto, as saídas do GFS-FV3 não estão muito más para determinados pontos do país, mas infelizmente não há muita concordância com o ECMWF (este mete temperaturas muito mais elevadas em todos os níveis da atmosfera, em particular aos 850hPa, que é onde começa a grande disparidade). Aqui fica o ensemble duma zona algures na zona NE do distrito de Viseu, nota-se mais uma vez um desfasamento entre o período mais frio aos 850hPa e aos 500hPa, mas acima de tudo nota-se já a grande assertividade para este evento, ainda que a paralela esteja um pouco abaixo da média no que toca a temperaturas nos 850hPa:
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Repare-se nesta carta que existe ainda uma porção, embora irregular, de um freezing level a altitudes de 500m descendo durante a madrugada até aos 400m/300m, o que na melhor das hipóteses poderia trazer alguma neve nesses locais até uma eventual cota de 300m/350m muito dependendo da existência de precipitação, para além de que o geopotencial é também favorável com um perfil atmosférico mais estreito de 528dam e até talvez menos. No entanto estes valores são sempre muito relativos do meu ponto de vista, porque não nos podemos esquecer do intenso fluxo de Noroeste que vai ser estabelecido, isso talvez seja o suficiente para fazer subir a cota nuns 100m/150m ou até mais há medida que se analisa regiões mais a oeste:
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138-526PSP_jlo0.GIF


Em termos de precipitação nestas horas, vê-se o tal escasseamento de precipitação, do ponto vista convectivo, muito embora até surja alguma convergência durante a madrugada, mas tudo não se traduz em si num grande forçamento vertical, que pudesse originar uma grande manutenção da convecção.
Nesta carta observa-se, como era de esperar nestas configurações uma subida de ar nas regiões montanhosas, e o arrefecimento adiabático associado, bem como eventualmente as regiões com elevado efeito de foehn -
138-107PSP_tva2.GIF

Precipitação a diminuir ao longo da madrugada já num regime pós frontal:
132-779PSP_euk6.GIF

138-779PSP_nlp0.GIF


Repare-se nestas cartas no intenso fluxo em altitude de NO e O em diferentes altitudes e nas implicações que isso teria nos níveis de humidade relativa em altitude e na duração de vida dos flocos ao longo da sua descida :
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Estas duas mensagem deveria estar no tópico de seguimento de médio prazo (até 2 semanas)...

Existe por aqui muito ruído, parte dele meros desejos para que não ocorra chuva quando sabemos que vai chover, desvirtualizando significativamente as análises feitas pelo @Mr. Neves
 
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