Seguimento Meteorológico Livre - 2026

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Dia 6/7 de Fevereiro pode vir outra.
 
Tirando o Leslie e o raspão do Ophelia, 2 eventos aberrantes, quando é que foi a penúltima ciclogénese explosiva?

Estatisticamente, o próximo deverá estar a numerosos anos de distância.

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23 Dezembro de 2009, ainda ontem falei nisso aqui.
 
E também não esquecer que, nesta altura do ano, a noite é maior que o dia, o que torna mais provável que chegue de noite...
Bem apontado.

Podemos ver as coisas por aí sim, mas sendo sistematicamente a acontecer não acredito nessa teoria.
Só se apresentares as estatísticas, porque estatísticas de cor são questões de opinião, não servem para esclarecer a questão.

Tudo indicava que o centro da depressão iria entrar a norte do cabo Mondego.
Não contavam com o Sting Jet, ele é que entrou a sul da Figueira e foi ele o responsável pelos maiores estragos que ficarão na memória, logo a memória ficará que o Kristin entrou a sul da Figueira, mas não é inteiramente verdade. A trajectória do centro real não esteve assim tão longe da prevista, mas Kristin "alargou-se", por assim dizer, e a própria frente fria trouxe bem mais a sul os ventos ciclónicos até a AML mantendo o centro bem longe a norte. Isto não era nem foi um furacão, concentrar a atenção no centro pode ter sido um erro. A mesma frente fria foi responsável por rajadas na Região Sul que rivalizaram em muitos pontos com as atribuídas às zonas de Avisos mais elevados.
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Animação com imagens de radar do IPMA da passagem da Kristin e respetivo sting jet.
Consigo ver a outra animação, do Sat24, mas esta não consigo. Por vezes acontece isto com os vídeos do Imgur, sem que eu perceba porque deixo de os ver até quando já os tinha visto uma primeira vez. :unsure:

isto esteve mais para Furacão Kristin do que Depressão Kristin... E não se esqueçam que já houve furacões no Atlântico em janeiro (2016), e passou nos Açores.
Não, nada a ver com furacão a não ser a intensidade dos ventos. Mas a distinção está nas próprias cartas do NWS que identifica com 'Hurricane Force [Wind]' e não 'Hurricane'. Não confundir sistemas meteorológicos de geração e estrutura diferentes com a semelhança entre intensidades dos parâmetros meteorológicos associados (vento, pressão, por exemplo).
Em cada Inverno alargado, o Atlântico fica pejado de sistemas não tropicais que têm ventos com força de furacão, são muitas dezenas ou mais.

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O meu problema com a imagem é Marrocos.

Não se misturou ciclogéneses explosivas com trajeto tendencialmente zonal (como esta e outras) com ciclogéneses que surgem após fluxo meridional a oeste de PT continental? Que têm um impacto, em termos de vento, menor?

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Ciclogéneses explosivas que eventualmente dão origem a STJs (SJP na imagem) são realidade relativamente comum para outros lados.

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23 Dezembro de 2009, ainda ontem falei nisso aqui.

Pergunta retórica :)

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O da esquerda está esventrado. Devia só servir para peças... o vento arrancou o painel da cauda?

O do meio deve ter danos significativos na parte inferior. Fora de ação.



O da direita estava em manutenção? Esventrado para peças?

O à direita do da direita parece ter sido abalroado pelo da direita. Incerto o seu estado.

Sucata ou não, todos devem ter sido impactado por detritos a alta velocidade. São aviões com alguma idade e por isso será uma reparação onerosa.
 
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Não contavam com o Sting Jet, ele é que entrou a sul da Figueira e foi ele o responsável pelos maiores estragos que ficarão na memória, logo a memória ficará que o Kristin entrou a sul da Figueira, mas não é inteiramente verdade. A trajectória do centro real não esteve assim tão longe da prevista, mas Kristin "alargou-se", por assim dizer, e a própria frente fria trouxe bem mais a sul os ventos ciclónicos até a AML mantendo o centro bem longe a norte. Isto não era nem foi um furacão, concentrar a atenção no centro pode ter sido um erro. A mesma frente fria foi responsável por rajadas na Região Sul que rivalizaram em muitos pontos com as atribuídas às zonas de Avisos mais elevados.
A previsão do ECMWF falhou um pouco na localização, parece-me que o núcleo da depressão entrou mesmo sobre a Figueira da Foz, e o previsto, mesmo na saída das 18z, é que entrasse pela ria de Aveiro. Foram cerca de 60 km de diferença, que acabaram por sacrificar Leiria. Mas acho que intuía o sting jet, na medida em que um modelo global o pode fazer. Na imagem de nuvens + precipitação, intuí-se qualquer coisa, e até se vê uma intrusão de ar seco a sul da nebulosidade:

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Tanto que a previsão de rajada andou próximo àquelas que foram registadas, mas desfasadas geograficamente:

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O GFS corrigiu a trajectória às 12z, e praticamente acertou no local do landfall. Só que não modelou o sting jet.

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E por essa razão, a rajada máxima ficou muito aquém da registada:
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Santa Mãe do Céu -> https://www.cmjornal.pt/portugal/de...cou-pelo-menos-dois-f16-na-base-de-monte-real

A FAP tem meteorologistas e o comando sabia (ou devia saber) a resistência dos portões.

Mesmo que não tivesse atingido a força observada, o ciclone continuaria a ter força de furacão.
Tenho ideia que aquando dos incêndios eles estavam prontos para descolar se assim se justificasse. Na situação de vento extremo a janela de decisão é mais curta, não podes esperar até ao vento chegar. Talvez quando se percebeu a gravidade da situação já não havia tempo útil para por os aparelhos prontos a voar? Porque não faz muito sentido não os tirar dali numa situação destas
 
Tenho ideia que aquando dos incêndios eles estavam prontos para descolar se assim se justificasse. Na situação de vento extremo a janela de decisão é mais curta, não podes esperar até ao vento chegar. Talvez quando se percebeu a gravidade da situação já não havia tempo útil para por os aparelhos prontos a voar? Porque não faz muito sentido não os tirar dali numa situação destas
Os caças que estavam no hangar estavam parados há muito tempo em manutenção, leva dias a metê-los no ar...
 
Há 20 anos atrás a Praia da Claridade amanhecia ainda mais clara, oferecendo-nos a primeira de muitas surpresas que ocorreram naquele domingo. Quis o destino que celebrasse esta efeméride num cenário de calamidade.
Neste dia, que muitos de nós nunca esquecemos de celebrar, expresso o meu desejo de que a Figueira e as restantes áreas afectadas pelos acontecimentos das últimas hora recuperem rapidamente a sua graça, e que o próximo evento meteorológico digno de efeméride seja mais parecido ao de há 20 anos atrás do que com o da noite passada.
 
Última edição:
Há 20 anos atrás a Praia da Claridade amanhecia ainda mais clara, oferecendo-nos a primeira de muitas surpresas que ocorreram naquele domingo. Quis o destino que celebrasse esta efeméride num cenário de calamidade.
Neste dia, que muitos de nós nunca esquecemos de celebrar, expresso o meu deseja de que a Figueira e as restantes áreas afectadas pelos acontecimentos das últimas hora recuperem rapidamente a sua graça, e que o próximo evento meteorológico digno de efeméride seja mais parecido ao de há 20 anos atrás do que com o da noite passada.
É difícil crer que já passaram 20 anos, o evento que meteu em mim o bichinho da meteorologia
 
Há 20 anos atrás a Praia da Claridade amanhecia ainda mais clara, oferecendo-nos a primeira de muitas surpresas que ocorreram naquele domingo. Quis o destino que celebrasse esta efeméride num cenário de calamidade.
Neste dia, que muitos de nós nunca esquecemos de celebrar, expresso o meu desejo de que a Figueira e as restantes áreas afectadas pelos acontecimentos das últimas hora recuperem rapidamente a sua graça, e que o próximo evento meteorológico digno de efeméride seja mais parecido ao de há 20 anos atrás do que com o da noite passada.

Fotos da minha rica prima que me deixaram à beira de um ataque de nervos (aqui não caiu nada nesse dia!)!

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O Kristin esteve forte aqui nos arredores de Óbidos.
Ontem a noite o vento até rugia.
Várias árvores caíram no chão e um grande salgueiro-branco tombou a uns 20 metros daqui .. As raízes ainda estão no chão e como não estorva, vai ficar onde está. Até vou aproveitar para o podar um bocado e assim plantar umas estacas.
 
A previsão do ECMWF falhou um pouco na localização, parece-me que o núcleo da depressão entrou mesmo sobre a Figueira da Foz, e o previsto, mesmo na saída das 18z, é que entrasse pela ria de Aveiro. Foram cerca de 60 km de diferença, que acabaram por sacrificar Leiria. Mas acho que intuía o sting jet, na medida em que um modelo global o pode fazer. Na imagem de nuvens + precipitação, intuí-se qualquer coisa, e até se vê uma intrusão de ar seco a sul da nebulosidade.

Basicamente isto. O Sting Jet não foi propriamente nenhuma surpresa. É sempre uma possibilidade num ciclone em rápido cavamento, e o campo da rajada do ECMWF como do AROME intuíam essa mesma possibilidade, assim como se identificava a presença de ar seco, estratosférico, essencial neste processo. Mais, cedo se percebeu nas imagens de satélite a provável presença de um sting jet, que foi 100% confirmado assim que entrou nos 300 km de alcance dos radares.

Por isso, resumindo: o Sting Jet foi bem modelado pelo ECMWF/AROME, e mesmo ICON, por exemplo. O aviso vermelho foi emitido nas zonas onde se identificou uma maior probabilidade de serem atingidas por esse possível Sting Jet, que andou entre o Porto, Aveiro e Coimbra nos modelos. O problema foi o posicionamento da depressão, que acabou por fazer "landfall" uns bons km mais a sul. Ainda foi possível, em nowcasting, perceber que o sistema estava mais a sul, e por isso terá sido alargado o aviso vermelho a Leiria (e retirado em Braga/Porto, e posteriormente adicionado em Lisboa) umas 2/3 horas antes do pico de intensidade. Foi um bom exemplo de como o nowcasting pode ser muito útil, pois ainda permitiu avisar com alguma antecedência que em vez de Aveiro/Coimbra, o pior seria entre Coimbra/Leiria provavelmente.

Só pelos modelos, não era expectável à partida que Leiria fosse tão atingida como foi. Uns pela não modelação do Sting Jet, outros pelo posicionamento mais a norte que a realidade.

Nota: todo o país se encontrava em aviso laranja de vento, que não é coisa pouca, o que é indicador do grau de severidade do evento. Fazia no entanto sentido "reservar" o aviso vermelho onde de facto pudesse ser mais extremo, onde o possível Sting Jet atravessasse.