Basicamente isto. O Sting Jet não foi propriamente nenhuma surpresa. É sempre uma possibilidade num ciclone em rápido cavamento, e o campo da rajada do ECMWF como do AROME intuíam essa mesma possibilidade, assim como se identificava a presença de ar seco, estratosférico, essencial neste processo. Mais, cedo se percebeu nas imagens de satélite a provável presença de um sting jet, que foi 100% confirmado assim que entrou nos 300 km de alcance dos radares.
Por isso, resumindo: o Sting Jet foi bem modelado pelo ECMWF/AROME, e mesmo ICON, por exemplo. O aviso vermelho foi emitido nas zonas onde se identificou uma maior probabilidade de serem atingidas por esse possível Sting Jet, que andou entre o Porto, Aveiro e Coimbra nos modelos. O problema foi o posicionamento da depressão, que acabou por fazer "landfall" uns bons km mais a sul. Ainda foi possível, em nowcasting, perceber que o sistema estava mais a sul, e por isso terá sido alargado o aviso vermelho a Leiria (e retirado em Braga/Porto, e posteriormente adicionado em Lisboa) umas 2/3 horas antes do pico de intensidade. Foi um bom exemplo de como o nowcasting pode ser muito útil, pois ainda permitiu avisar com alguma antecedência que em vez de Aveiro/Coimbra, o pior seria entre Coimbra/Leiria provavelmente.
Só pelos modelos, não era expectável à partida que Leiria fosse tão atingida como foi. Uns pela não modelação do Sting Jet, outros pelo posicionamento mais a norte que a realidade.
Nota: todo o país se encontrava em aviso laranja de vento, que não é coisa pouca, o que é indicador do grau de severidade do evento. Fazia no entanto sentido "reservar" o aviso vermelho onde de facto pudesse ser mais extremo, onde o possível Sting Jet atravessasse.