Seguimento Rios e Albufeiras - 2019

Tópico em 'Seguimento Meteorológico' iniciado por Ricardo Carvalho 2 Jan 2019 às 17:28.

  1. TekClub

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    Cumulus

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    Descarga da Aguieira na semana passada
     
  2. David sf

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    O problema do Baixo Mondego seria bastante minimizado com a construção da barragem de Girabolhos. Portugal tem um grande défice na gestão dos Recursos Hídricos, em mais nenhum país civilizado ocorrem cheias desta magnitude em grandes rios após um período de seca acentuada. Com mais capacidade de retenção a montante, para a precipitação que ocorreu, que não foi nada de extraordinária, o caudal nunca atingiria valores superiores a 2000 m3/s em Coimbra.

    As aldeias podem estar mal localizadas, em leito de cheia, mas o Ministro propor a sua relocalização é ridículo. O Terreiro do Paço deverá ser inundado com a eventual subida do nível do mar, mas ninguém propõe a deslocalização da Baixa de Lisboa. E Lisboa vai gastar mais de 100 milhões de euros num plano de drenagem apenas para resolver umas "chatices"... Não se podem gastar muitos menos euros para manter os diques do Baixo Mondego em condições?
     
  3. Maravedi

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    Cirrus

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    Existem muitas e variadas soluções... mas temos de ter em consideração que historicamente o Mondego sofre eventos de cheia num intervalo de 2 décadas... e estamos a falar num intervalo registado com quase 1000 anos...
    A obras do ultimo século vieram minimizar o problema, mas não o vieram resolver.

    Na minha opinião, existem soluções que deviam ser tomadas e de custo zero, como por exemplo a redefinição dos PDM´s... acho surreal que os autarcas que vêm para as TV's chamar o governo central à responsabilidade, sejam os mesmos que permitem que se construam edificações e novas urbanizações em cotas inferiores aos diques... que sejam os mesmos que canalizam as aguas pluviais das estradas para ribeiras sem que se tomem medidas de anti-retorno.

    Quanto à sugestão do ministro eu não a levei tão à letra... eu interpretei mais como sendo fundamental redefinir a coerência ou não de manter certas zonas habitadas... isso pode ser feito através de redefinição de PDM's (como eu referi anteriormente e o qual defendo) e não obrigatoriamente com deslocalizações inteiras de populações.

    Mas bom... como disse, existem muitas e variadas soluções... umas "grátis" outras muito onerosas... e há sempre quem vá considerar que desta ou daquela forma se faria melhor...

    PS: quanto ao que acontece noutros países, também não somos assim tão maus e existem muitos casos semelhantes ao que acontece por cá em Espanha, França, Itália, Alemanha, etc... como é óbvio temos é a tendência de valorizar mais a "tristeza" que por cá se passa... E quanto ao facto de ser "após o período de grande seca", no Mondego o que se passa não é por causa do período de seca, aliás, se não foi pior, foi precisamente por termos passado um período de seca e assim a Aguieira estava com uma capacidade de encaixe brutal... se por acaso a Aguieira estivesse "normal", teria de ter começado a vazar mais cedo, sobrecarregando ainda mais e durante muito mais tempo o Mondego.
     
  4. slbgdt

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    Cumulus

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    A barragem de Girabolhos não tinha capacidade de armazenamento..
    145hm³ é tanto como a Caniçada.
    Se fosse 10x maior teria razão, assim era só mais uma foz tua ou baixo sabor.
    Que para aproveitar a altura, a tomada de água fica nos últimos metros, sendo o resto da água não útil
     
  5. David sf

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    Actualmente as únicas albufeiras com volume relevante na BH do Mondego são a Aguieira e Fronhas. A primeira tem pouco mais de 300 hm3 de volume útil, a segunda cerca de 40 hm3, o que dá um total de 350 hm3. Girabolhos representava um aumento de capacidade de cerca de 40% na bacia do Mondego, o que seria significativo e que permitiria amortecer a atrasar a chegada da ponta da cheia.
    Foz Tua e o Baixo Sabor representarão papéis decisivos no amortecimento de cheias na BH do Douro, queixamo-nos muito dos espanhóis, mas na esmagadora maioria das cheias no Porto o caudal registado em Crestuma é cerca de 4 vezes superior ao registado em Saucelle. Quase todo o escoamento provém da parte portuguesa da BH, e amortecer o caudal de ponta nos principais afluentes (e poder gerir os caudais de forma conjunta em toda a bacia, desfasando no tempo a ocorrência de pontas em cada afluente) é absolutamente necessário.
     
  6. frederico

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    Super Célula

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    Se aconteceu o mesmo que no resto do país então presumo que essas casas em leito de cheia foram construídas essencialmente entre os anos 60 e 90. Importa então apurar responsabilidades sobre quem as autorizou.
     
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  7. David sf

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    Como em todas as obras de regularização fluvial, a única coisa que é possível fazer é diminuir a probabilidade de ocorrência de cheias, nunca garantir que estas nunca mais acontecerão.

    Concordo plenamente, e acho que isso está feito em quase todo o país. Mas se existem actualmente aldeias inteiras em leito de cheia foi porque algures no passado alguém regularizou a construção naquele local e não é exequível agora mandar evacuar as aldeias inteiras. E o ministro só teve a "lata" de dizer aquilo porque se tratam de aldeias pequenas e fora de grandes urbes, porque nunca ouvi nenhum governante a propor a saída dos habitantes da Ribeira do Porto ou da Baixa de Lisboa. Ou do Parque de Campismo da Caparica, onde já se estouraram milhares de euros em obras marítimas para o proteger, e se o nível do mar subir o que os modelos climáticos prevêem para os próximos anos, está totalmente condenado.

    O caudal registado na Ponte-Açude terá sido superior a 2000 m3/s, algo que raramente (nunca?) ocorreu desde a construção da Aguieira e da Raiva. As cheias em Coimbra antes da construção destas duas barragens atingiam caudais desta ordem de grandeza. Algo se passou, pode ter sido apenas má gestão do aproveitamento, para se ter atingido um caudal de ponta tão elevado após um período seco (solos insaturados, albufeiras com capacidade de encaixe, mesmo as mais pequenas nas cabeceiras) e com precipitações que, apesar de elevadas, não atingiram valores extraordinários.
     
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  8. dahon

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    Nimbostratus

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    Eu diria que é muito mais prioritário o Rio Ceira.
    Até porque nestas cheias o caudal do Mondego à saída da Aguieira nunca ultrapassou os 1000m3/s, mesmo durante as descargas.
    A jusante da barragem temos apenas dois afluentes mais significantes, o rio Alva, que está controlado pela barragem de Fronhas e o rio Ceira que não tem qualquer tipo de controlo e a sua monitorização é quase inexistente.
     
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  9. Maravedi

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    Cirrus

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    Concordo a 100%, mas o problema é que esta desresponsabilização é endémica na cultura Portuguesa... é que nem é preciso ir a décadas tão distantes, pois ainda hoje são construídas casas a cotas inferiores ao limite dos diques do Mondego... para mim é surreal e altamente irresponsável por parte das autarquias... se Portugal fosse um pais que vivesse sobre a pressão populacional de um Japão eu até podia aceitar, mas porquê permitir construir uma casa numa zona de alto risco, quando a mesma casa podia ser construída 100 mts ao lado?
     
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  10. frederico

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    Super Célula

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    Visto do ar Portugal é o país mais desordenado que conheço, o único que tem vastas regiões com casinhas espalhadas por todo o lado sem estarem organizadas em povoações com contornos definidos. E tudo isto em 40 anos.
     
  11. rui924

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    Cirrus

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  12. slbgdt

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    Cumulus

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    Está completamente enganado.
    Tanto Foz Tua como Sabor, têm pouca capacidade de encaixe.

    Quanto ao Mondego está se a confundir novamente.
    Os 145hm³ de Girabolhos são totais e está a acrescentar total a útil.
    A barragemGirabolhos apenas ia armazenar 7mts água
     
  13. efcm

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    Cumulus

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    Alguém tem fotos de algum desses sifões no Mondego, gostava de ver um e tentar perceber como funcionam.

    Pois eu imagino um sifão como algo pra não deixar passar ar, não como um método eficaz de escoar água.
     
  14. huguh

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    Cumulonimbus

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    Godim - Peso da Régua (93m)
    só hoje o Douro deixou de inundar o cais. e procedem-se aos trabalhos de limpeza de toda a lama e estragos deixados

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  15. David sf

    David sf
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    http://www.centrodeinformacao.ren.p...tricidade em Portugal - Memória e desafio.pdf

    Quem avançou esse valor foste tu, interpretei-o como volume útil.
    Analisando o RECAPE (não encontrei o Projecto na internet), o funcionamento da barragem para produção de energia varia entre a cota 290 e a cota 300, provavelmente por corresponder à queda útil para o qual as turbinas têm o seu ponto de funcionamento. No entanto, existem tomadas de água às cotas 247 e 237, pelo que caso se tratasse de um empreendimento de fins múltiplos seria sempre possível captar água para abastecimento a níveis mais baixos. Pelo mesmo raciocínio é perfeitamente possível ganhar mais capacidade de regularização de cheias, desde que se abdique de produção hidroeléctrica durante um determinado período. O volume morto é muito inferior, uma vez que a produção de sedimentos prevista é de 3,5 hm3 em 50 anos.
    A acrescentar há ainda mais 20m3 do contra-embalse da Bogueira, uns km a jusante.
     
    Gates, N_Fig, joselamego e 1 outra pessoa gostaram disto.

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