Seguimento Rios e Albufeiras - 2026

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Rio Alfusqueiro a subir e muito, Águeda em alerta.


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Em Ovar, o Rio Cáster e a Ribeira da Srª da Graça já galgaram as margens. Já há veículos danificados e até desalojados. Com estes caudais, juntamente com o Vouga e, mais a sul, o Águeda, possivelmente iremos ter uma situação crítica na zona da Ria pelas 20h da noite, na preia-mar.
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O que me salta a vista é como os leitos de cheia estão perfeitamente identificados a olho nu quando se vê de cima. O facto de ficarmos espantados (alguns) com estas cheias é algo que me ultrapassa.

Acontecimentos destes surgem meia dúzia de vezes na vida de uma pessoa. Uns dizem que são raríssimas as ocasiões. A escala geológica, pelo contrário, estes tornam-se rotineiros e frequentes.

O leito do rio Ave, perto de onde me encontro, diz muita coisa. O declive nas bermas fruto de erosão antiga revela bem que outrora certa cheias foram incomparavelmente superiores a qualquer coisa que imaginamos possível hoje.

É fácil identificar o leito de cheias frequente (ele mesmo vai sendo ocupado por construções pois as barragens dão um falso sentimento de segurança) e um patamar superior resultante de eventos excepcionalmente raros. Uns que só acontecem uma vez a cada milénio, mas com força destrutiva suficiente para cavar estas marcas.

Mais ainda, olhando para os sedimentos , ainda se torna mais gritante aquilo que se passou no passado.

Quando vou descendo em direção ao rio consigo apontar exatamente para o local onde começo a observar pedras mais polidas e arredondadas. Isso numa zona ainda mais alta e em locais onde os valados e terras remexidas permitem observação.

Ou seja, este é o nível mais alto onde se verificaram cheias de tal dimensão que para aí foram arrastados aluviões.

Imaginemos que temos 5 eventos como os atuais a cada século. São 50 por milénio. Desde o início do Holoceno (nossa era climática atual) após o degelo da última era glaciar, contamos mais ou menos 12 mil anos.

São 600 (!!!) eventos so nesta pequeníssima amostra Temporal. Em termos geológicos são 0.00027%.

Nestes 600 se 10% forem anormalidades aberrantes, falamos de 60 eventos de proporção épica...

O território tem marcas que contam tudo de forma descarada e óbvia. A conversa a volta das cheias extremas é não sei quê das alterações climáticas passa-me bastante ao lado.

Aliás, o sinal de frequência das tempestades quando ajustado à probabilidade de eventos não registados na era pré satélite, aponta muito claramente para uma frequência maior durante a última mini era glaciar, até ao séc 19.

O que mais nos deveria preocupar sim, é o o ordenamento do território. Mas isso está perdido e só será corrigido quando uma tragédia acontecer.

Porque garanto-vos que quando um evento destes raríssimos, 1 em mil anos, acontecer, não há barragens que aguentem seja o que for. E neste momento será tudo arrasado como foi no passado.

Evidentemente, quem estiver a viver o evento, iludido pela perspectiva insignificante da vida humana, há de afirmar que são sinais do fim do mundo e de que é culpa dos nossos pecados como sociedade etc etc...

Aliás.. Esta história não vos é familiar? Até me parece que existe um certo livro popular que conta EXATAMENTE a mesma história.
Quando digo nas redes sociais que estas cheias estão longe de máximos históricos a malta não acredita e até pede provas.
 
Quando digo nas redes sociais que estas cheias estão longe de máximos históricos a malta não acredita e até pede provas.
Depende dos sítios, é evidente que só podemos comparar com os dados fiáveis registados desde que existem, pois é claro que ao longo de séculos houveram cheias piores, assim sendo alguns registos têm atingido máximos.
Em Alcácer do Sal, os mais velhos testemunham que estas ultrapassaram as cheias de 1963.
 
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Na zona de Vila Verde, estou a receber relatos locais do Neiva estar fora das margens em vários sitios (Duas Igrejas, Ribeira do Neiva), e de afluentes do Homem e do Cávado estarem também fora do leito e a provocarem cortes de estrada.
Ver anexo 31051
O rio Neiva já perto da foz ia bem fora das margens.
Mas o Cávado está sereno.
Afluente do Cávado em prado.
 
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