Tempestade Vento Região Oeste (23 Dezembro 2009)

Tópico em 'Eventos Meteorológicos' iniciado por thunderboy 23 Dez 2009 às 10:17.

  1. algarvio1980

    algarvio1980
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    Super Célula

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    Só podia ser, essa velocidade de ventos, para derrubarem as torres de alta tensão, não é ventos de 150 km/h que derrubam essas torres, agora o IM confirmou realmente que os ventos superaram os 220 km/hora impressionante.:shocking:
     
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  2. PDias

    PDias
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    Cumulus

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    Bom dia,

    agora sim o I.M., actualizou de forma correcta o que realmente aconteceu aqui na Região Oeste, eu próprio enviei uma mensagem ao I.M. a contestar que o 1º relatório emitido por eles não correspondia ao que realmente se havia passado e que deveria ser alvo de um estudo mais aprofundado, porque nessa noite viveram-se momentos algo apreensivos, nunca na vida tinha assistido a um fenómeno tão assustador, apesar de ter um fascínio por grandes vendavais, depois desta prefiro que o vento se mantenha bem longe:D. Nessa noite por volta das 4.00H/4.30H acordei com uma barulheira enorme e fui olhar para a estação e ela marcava uma rajada de 122 Km/h e a pressão estava nos 977,8hpa, depois disso o vento começou a intensificar-se mais e mais e fazia um barulho/zumbido impressionantemente assustador, só se ouvia coisas (detritos vários) a bater nas paredes e nas portadas e corrimão, a minha mulher foi para o pé dos nossos filhos e eu fiquei petrificado no meio da sala em pé sem saber minimamente o que é que haveria de fazer, senti uma enorme impotência face ao que estava acontecer, quando acalmou foi um enorme alivio. Quando aquilo passou saí para fora e era só detritos por todo o lado, arvores caídas, postes tombados ou seja parecia um cenário de guerra, e depois disso ficámos 4 dias sem água e luz. A minha estação a partir da rajada de 122 Km/h não registou mais nada só voltando a registar dados a partir das 22.00H do dia 23 (já tentei ver o que se passou mas não consigo, simplesmente apagou-se durante aquele período). Nesse dia ainda
    falei com uma pessoa que têm uma estação em Casalinhos da Alfaiata (perto de Santa Cruz) que registou uma rajada de 203 Km/h.
    Tenho fotos que irei por aqui mais tarde (ainda estão na máquina).
    Parabéns ao I.M. por ter aprofundado mais o estudo de modo a termos mais noção da realidade que por aqui foi vivida, ficando então a aguardar por mais pormenores.

    Até logo:thumbsup:
     
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  3. rbsmr

    rbsmr
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    Nimbostratus

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    Eu tenho uma estação na Cabeça Gorda, Campelos (Torres Vedras)
    registou às 4.18 a rajada máxima de 124 km/h mas não teve nenhum "apagão". Hoje quando li o relatório final do IM fiquei assim (não estive lá nessa noite) :surprise:

    http://maps.google.com/maps?f=d&source=s_d&saddr=39.194922,-9.259255&daddr=Cabe%C3%A7a+Gorda,+2530+Lourinh%C3%A3,+Portugal&hl=en&geocode=%3BCRS0pBxTgEahFd0RVgId7Jxy_ykx88m68DMfDTFRV-dlP_o0LA&mra=mi&mrsp=0&sz=18&sll=39.194638,-9.259586&sspn=0.001917,0.003449&ie=UTF8&t=h&z=18
     
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  4. Mário Barros

    Mário Barros
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    Furacão

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    Mau tempo: Municípios do Oeste vão poder endividar-se fora dos limites impostos pela Lei das Finanças Locais

    Os municípios do Oeste afectados pelo mau tempo vão poder endividar-se fora dos limites impostos pela Lei das Finanças Locais, ao abrigo de uma norma que o Governo vai incluir na Lei do Orçamento do Estado para 2010.

    De acordo com a resolução do Conselho de Ministros de 30 de Dezembro, publicada hoje em Diário da República, a Presidência do Conselho de Ministros fica encarregada de "prever, na Lei do Orçamento do Estado para 2010, uma norma que excepcione, dos limites de endividamento previstos nos artigos 37.º e 39.º da Lei das Finanças Locais, os empréstimos destinados ao financiamento das obras necessárias à reposição das infraestruturas e equipamentos municipais afectadas pelas intempéries".

    Os concelhos em causa são os de Alenquer, Almeirim, Alpiarça, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Chamusca, Golegã, Lourinhã, Mafra, Óbidos, Peniche, Rio Maior, Santarém, Sobral de Monte Agraço, Torres Novas e Torres Vedras.

    Lusa

    Que novela :disgust: vai acabar por ficar tudo igual ao que estava.
     
  5. psm

    psm
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    Nimbostratus

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    Devo referir que com a leitura do relatório, que este é o fenomono de tempo mais importante e relevante deste outono inverno(na minha opinião), é pela primeira vez que na minha existencia que soube que houveram ventos de 220 km por hora, e é algo de extrodinário para Portugal continental:shocking: e a esta latitude!
     
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  6. Mário Barros

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    Furacão

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    Ventos das últimas semanas ultrapassaram 220 km/hora

     
  7. Chingula

    Chingula
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    Cumulus

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    Pelo relatório do I.M. de 12 de Janeiro, tratou-se de uma "Ciclogenese Explosiva", fenómeno que acontece em Portugal Continental (assim classificado) pela 3ª vez, desde que há registos(?).
    Com a ciclogenese explosiva de 15 de Fevereiro de 1941, sem estruturas organizadas...não se sabe o número de vitimas falando-se apenas de destruições em todo o território, registaram-se os valores da pressão atmosférica mais baixa e ventos com rajadas superiores a 100km/h de Norte a Sul de Portugal Continental.
    A ciclogenese explosiva de 5 de Novembro de 1997, que afectou com chuvas fortes e vento com rajadas superiores a 100 km/h, a região Sul de Portugal Continental (Baixo Alentejo e Algarve), sabendo-se que causou vítimas mortais e elevadíssimos prejuizos materiais.
    A ciclogenese explosiva na região Oeste, de 23 de Dezembro de 2009, felizmente não provocou vítimas embora com graves prejuizos materiais devido às rajadas de vento. O vento registado, nesta situação, foi da ordem de grandeza do registado nas outras situações descritas, o que levanta a questão de, perante a determinação ou cálculo, do I.M., de rajada de 220 km/h, não se poder comparar com as situações anteriores, pois os meios técnicos disponíveis, hoje, são muito diferentes.
    Para concluir que, com estes eventos extremos, não se pode afirmar que ..."o aquecimento global está a gerar mais (em quantidade e intensidade) fenómenos meteorológicos adversos..."
     
  8. rufer

    rufer
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    Cumulus

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    A minha dúvida é a seguinte. Este foi um fenómeno extremo, no entanto havia ou há alguma forma de os prever? Eu sei que é difícil dizer que vai acontecer neste ou naquele local, mas é possivel dizer que vai acontecer?
    A minha dúvida surge, e corrigam-me se estiver errado, porque ninguém fez referência antes dele acontecer.Nem aqui, nem no IM. Porque com esta violência o IM só podia colocar esta e outras zonas geográficas lá perto em alerta vermelho. :huh:
     
  9. JoãoPT

    JoãoPT
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    Há forma de prever sim, mas neste caso, foi um agravamento "à última da hora", nada previa que a depressão agrava-se tanto, foi um fenómeno que se deu devido a entrada de ar muito seco nos níveis altos no núcleo da depressão, devido a isso houve uma brusca descida da pressão atmosférica denominada ciclogénese explosiva, desceu abaixo do previsto, como tal o vento sofreu um aumento, que também superou e muito o que estava previsto ! ;)
    Se a previsão dos modelos tivesse sido essa, o IM teria tomado as devidas medidas e sim colocado as respectivas zonas que iriam ser afectadas em Alerta Vermelho:p
     
  10. Chingula

    Chingula
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    Cumulus

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    Na minha opinião, actualmente e em qualquer parte do Mundo, é impossível prever a ocorrência de um fenómeno meteorológico extremo, num determinado local concreto.
    A previsão a muito curto prazo e ligada à vigilância meteorológica, "nowcasting" responde em certas situações e para ocorrência de determinados fenómenos, para os quais já se sabe existirem condições favoráveis à sua ocorrência...por exemplo nos E.U.A. a previsão registo e acompanhamento de tornados é feito de forma espectacular...mas nas regiões onde por norma ocorrem e em épocas do ano bem conhecidas...e também dispôem de disponibilidade técnica e humana, para esse "exercício" que não existe em Portugal....mesmo assim, não nos esqueçamos do número de vitimas e de prejuizos materiais que estes fenómenos provocam anualmente...
    Hoje é fácil prever as condições para a ocorrência de trovoada...mas quantas descargas? e quais os pontos de impacto dos raios quando "saltam" para terra?
    Num aguaceiro forte porquê 5 mm/1hora e não 53 mm/1hora (como aliás já aconteceu em Lisboa em 19 de Novembro de 1983)...etc
    É bom ter consciência que fazer previsões meteorológicas é dificil...que os modelos, hoje, são uma ferramenta fundamental mas que ainda é preciso aprender muito...e aperfeiçoar os próprios modelos o que tem sido feito desde sempre!
    Só por ignorância se pode exigir aos Meteorologistas que ultrapassem os limites que hoje têm...infelizmente Dirigentes e Políticos têm esta postura.
     
  11. JoãoPT

    JoãoPT
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    Subscrevo;) Num determinado local não diria totalmente impossível, mas é muito difícil prever a ocorrência de fenómenos extremos...
     
  12. Vince

    Vince
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    Furacão

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    Uma imagem Doppler PPI(V) do IM às 04:36 que mostra ventos acima dos 48m/s (172.8km/h)

    [​IMG]



    [​IMG]
     
  13. ajrebelo

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    Nimbostratus

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    Boas

    Era um sonho poder ter estas ferramentas disponíveis. Não só no acompanhamento em tempo real mas para depois poder fazer uma melhor análise.

    Como se tinha falado o jacto Sting é o que mais se encaixa nesta situação.

    A sting jet is a meteorological phenomenon which is believed to be the cause of the most damaging winds in European windstorms.
    Following reanalysis of the Great Storm of 1987, led by Professor Keith Browning at the University of Reading, researchers identified a mesoscale flow where the most damaging winds were shown to be emanating from the evaporating tip of the hooked cloud head on the southern flank of the cyclone. This cloud, hooked like a scorpion's tail, gives the wind region its name the "Sting Jet".[1]
    It is thought that a zone of strong winds, originating from within the mid-tropospheric cloud head of an explosively deepening depression, are enhanced further as the "jet" descends, drying out and evaporating a clear path through snow and ice particles. The evaporative cooling leading to the air within the jet becoming denser, leading to an acceleration of the downward flow towards the tip of the cloud head when it begins to hook around the cyclone centre. Windspeeds in excess of 80 kn (150 km/h) can be associated with the Sting jet.[2]
    It has since been reproduced in high-resolution runs with the mesoscale version of the Unified Model. The Sting jet is distinct from the usual strong-wind region associated with the warm conveyor belt and main cold front. There are indications that conditional symmetric instability also plays a role in its formation but the importance of these processes remains to be quantified.[3]

    by wiki

    aqui fica um esquema

    [​IMG]

    Abraços
     
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  14. stormy

    stormy
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    Super Célula

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    deixo aqui um mapa que penso representar bem o que se passou nos distritos de lisboa, leiria e santarem, a nivel de vento, já que o radar do IM apresenta algumas falhas:
    [​IMG]
    verde: limite dos ventos medios entre 30 e 50km.h com rajadas de 50-80km.h
    amarelo:limite dos ventos medios entre 50 e 80km.h com rajadas de 100 a 150km.h
    vermelho:limite dos ventos medios igual ou superior a 100km.h com rajadas de 150 a 220km.h

    retiro isto a partir de dados do WU. e de observaçoes/analises feitas por membros do forum e outros relatos como o meu proprio, eu que estava na arranhó em arruda.
     
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  15. Aurélio

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    Cumulonimbus

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    Que confirmam perfeitamente que havia ventos acima dos 200 km/h, que muitos ridicularizavam os que defendiam essa teoria, e que mencionavam a existia de um ciclone !!

    A meu ver uma faixa de pelo menos 30 km é claramente um ciclone ....

    Uma boa tarde, e felizmente ainda existem pessoas que podem confirmar a veracidade do que o povo diz ... ao contrário de outros que somente criticam o que é dito pelos outros .. e que se acham detentores da verdade suprema !!
     

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