Urso-pardo de volta a Portugal?

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por belem 9 Mai 2008 às 20:04.

  1. duero

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    Nimbostratus

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    Un oso huido de un circo no podría sobrevivir en la naturaleza, no sabría encontrar alimento.
     
  2. GabKoost

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    Nimbostratus

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    Que não venha parar nenhum Urso a Portugal.

    Mesmo que seja extremamente improvável que isso venha a acontecer, rezo para que não aconteça.

    Simplesmente porque a mentalidade dos Portugueses, especialmente os das áreas rurais, seria de mandar chumbo até o deitar abaixo.

    Isso da conservação da Natureza, por estas bandas, simplesmente não existe em termos práticos para as populações rurais.
     
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  3. trevinca

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    O distrito de Leiria, onde localiza-se Serra d’El Rei, linda com o de Castelo Branco -região que conserva altas silhas (colmenares) que protegiam o mel dos ursos que antigamente povoavam dita terra-. Porén, não seria estranho que um animal atrevido pudesse chegar desde as montanhas de Castelo Branco até a localidade mencionada, onde inclusive existem topónimos referidos à espécie: usseira, por exemplo.
    Em consequência, a pergunta seria: ¿Até quando sobreviveram tais ursos? Parece ser que no final do século XIX ainda se viam alguns na serra de Gata (limites de Salamanca, Cáceres e Portugal) segundo referem alguns depoimentos desta zona hispano-portuguesa e as investigações de Grande del Brío (2009) e Gadow (1897).
     
  4. MSantos

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    Se calhar estás a ser um pouco radical :), lentamente as mentalidades já estão a mudar, embora ainda haja um longo caminho a percorrer nesse sentido.
     
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  5. opala

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    Cirrus

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    Boa Noite
    Não estou a conseguir citar mensagem, mas é em resposta a James:
    Pois, a história era de um urso selvagem e o "ponto de honra" era que tinha sido o último a a aparecer em Portugal. Evidentemente que essa parte não é verdade, mas com a pouca comunicação que havia na altura, se foi o último da zona, é natural que as pessoas pensassem que foi o último do país...
    Em resposta a Trevinca:
    Obrigada, a minha questão era realmente se ali chegaram a haver ursos e até quando, já fiquei com uma ideia. Penso agora que provavelmente tenha sido caçado um último urso na Serra d'El Rei há muitos anos atrás e que provavelmente quem contava a história já não tenha assistido mas tenha ouvido contar... julgo que para que quem contava a história tivesse memória do urso, isso já teria de se ter passado no início do século XX, o que é improvável... mas se mais alguém tiver conhecimento de ursos na dita região e até quando lá andaram, sempre seria bom saber. Obrigada
     
  6. Bergidum

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    Esta semana estuve en el Parque Natural do Montesinho, por la zona de Vinhais. Tiene mejor hábitat para la posible llegada de ursos que la zona de Bragança, que ya conocía: zona más abrupta y bosques de Q. pyrenaica y Castanea sativa. Sin embargo, toda la zona fronteriza con España está cubierta de matorrales, tierras de cultivo y zonas abandonadas, donde había un incendio forestal. Solo un oso muy aventurero podría abandonar la boscosa Sanabria-Culebra y aventurarse por zonas poco abruptas y sin cobertura forestal, pasto de los incendios, al menos en esa zona.
    En mi opinión deben producirse dos cosas para favorecer la recolonización de ursos en Montesinho:
    - Desaparición de los incendios forestales
    - Reforestación de toda la zona situada en el entorno de la frontera, tanto en el lado español como portugués.
     
  7. lreis

    lreis
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    Cumulus

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    As duas coisas que referes são quase "missão impossivel" em Portugal...
    Mais a primeira que a 2ª...

    Mas mesmo que tal se conseguisse, se contabilizarmos as Serras da Coroa, Montezinho e Nogueira, e áreas adjacentes teriamos talvez 70.000 hectares (valores aproximados). Por um lado, está fora de contexto e de planeamento uma arborização em larga escala desta área (por exemplo, no caso da Serra da Nogueira, nem seria preciso grande acção, porque a mesma mantem um elevado nivel de arborização, fruto essencialmente de ausência de grandes fogos). A serra de Montezinho está bastante desarborizada mas acho que seria muito pouco consensual, a vários níveis, se devia existir uma arborização em larga escala.

    Por outro lado, mesmo que por absurdo se constituisse um manto florestal com as dimensões referidas, e bem protegido (sem fogos e com ausência de furtivismo), será que esse território seria suficiente para ursos?

    É que no norte da Galiza e nos Cantábricos, estamos a falar de zonas/unidades territoriais que aparentam ser francamente maiores, mais montanhosas e mais isoladas da acção humana (especial relevo para o furtivismo), para além do facto de deterem presas que garantem o desenvolvimento de uma pop de ursos. Será que a zona de Montesinho poderá configurar uma área com estas caracteriticas?
     
  8. james

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    Eu sei que as populações rurais são muitas vezes brutas e padecem mesmo de uma certa ignorância no que diz respeito à conservação da natureza .

    Mas convem lembrar que , em Portugal , ao contrário de muitos países desenvolvidos na Europa , há muitas espécies animais que nunca se extinguiram . Portugal é , por exemplo , dos poucos países da Europa onde o lobo nunca desapareceu .

    E o urso também não desapareceu outrora em Espanha , como ocorreu em Portugal , porque uma meia dúzia sobreviveu em zonas inacessíveis .

    Em Espanha o programa de repovoamento do urso está a ter sucesso , cá também poderia ter . . .

    È que os espanhóis não são assim muito diferentes dos portugueses . . .
     
  9. Bergidum

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    Cumulus

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    Nao falo de reforestar tudo o Parque Natural, só as zonas fronteirizas, moi desarboladas, e cheias de matorral pirófito. As serras da Coroa e Nogueira conservan uma boa cobertura florestal, nao así gran parte do resto do Parque Natural.
     
  10. belem

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    Cumulonimbus

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    Não vejo porque não, se a região do Montesinho e arredores tem continuidade geográfica em Espanha.

    E também me parece que se está a exagerar um bocado quanto à exigência dos ursos-pardos. Na Roménia até entram pelas cidades, à procura de alimento.

    Em Espanha, têm sido encontrados a viver surpreendentemente perto de aldeias.

    Claro que o ideal será a tranquilidade, mas isso só é verdade em muitos poucos lugares onde os ursos vivem.

    Eu já visitei a região de Montesinho e nota-se um claro abandono de várias terras e uma expansão natural da floresta. Não me parece que seja necessária uma reflorestação maciça, mas talvez algum trabalho nesse campo.

    Quanto à Serra da Nogueira e Coroa, confirmo a existência de grandes e maduros carvalhais (algo raro de ver na Europa, nos dias de hoje).
     
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  11. DMigueis

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    Cumulus

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    Concordo com o Bergidum...Particularmente, a zona alta da serra, entre Rio de Onor e Guadramil, é dominada por matos, e tem muito poucas zonas florestadas. Mas no geral, o PNM parece ter as condições necessárias para receber o urso...
     
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  12. Dan

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    Em termos de alimentação não deve haver problema, dado os ursos serem muito generalistas e quase totalmente vegetarianos. O que falta em Portugal são áreas extensas sem grande impacto humano. Mesmo aqui no nordeste os campos estão cheios de estradas, estradões, caminhos, parques eólicos e uma série de outras infraestruturas que retalham os ecossistemas e possibilitam o acesso de pessoas e veículos a praticamente todo o lado. Mais tarde ou mais cedo, é possível que algum individuo chegue a visitar nosso país, mas não me parece existirem condições para se estabelecerem por cá.
     
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  13. lreis

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    Cumulus

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    Dan sintetiza de outra forma as dúvidas que tenho: o território não é tão grande quanto isso (é verdade que faz um contínuo com a Galiza e que por via disso adquira maior expressão) mas essencialmente, é território com assinalável intervenção humana no sentido de se fazer "isto e aquilo"...e não estou a falar de casas.
    Mais uma nota, não sei exactamente, o conceito que estão a aplicar para a delimitação da Serra de Montezinho. Para mim, é a zona a poente da aldeia de França até à zona de Soutelo-Vilarinho-Parâmio. Neste contexto geográfico, aplicado as definições internacionais de Floresta da FAO, as informações que possuo apontam para um nivel de arborização baixo. Não querendo isto dizer que não exista regeneração natural de arvoredo (e localizadamente em abundância). Já na zona a nascente de França até à fronteira (grosso modo, até Quintanilha), o nível de arborização é maior, muito embora o contexto geográfico já seja mais de planalto.
     
  14. belem

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    Cumulonimbus

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    Sim, existem intervenções humanas, mas não há impacto significativo.

    Convém relembrar que esta região (em continuação com as vizinhas Culebra e Sanabria) tem a maior densidade lobeira da Europa Ocidental.
    O lobo, na minha opinião, é um exemplo de uma espécie bastante exigente na qualidade do habitat dos locais onde habita (ainda mais do que o urso).

    Eu já fui ver a região no Google Earth, e existe continuidade de habitats naturais entre o Parque de Montesinho e a Serra da Nogueira.
    Além disso a floresta da Serra da Culebra, tem também continuidade em Portugal (mas no lado leste do Parque).

    Mas isto são coisas que já foram expostas aqui neste tópico, mais do que uma vez.

    Parece-me que o mais sensato será mesmo educar as populações locais (que na parte rural nem são assim muitas) para a presença do urso, pois a espécie está a aumentar rapidamente e cada vez está mais próxima de Portugal. É até bastante provável que algum animal já tenha entrado em Portugal e ninguém tenha dado conta.
     
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  15. opala

    opala
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    Cirrus

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    As populações locais podem ser analfabetas, mas quem tem levado as espécies à extinção foi sempre a classe "alta" com as grandes caçadas para "troféus". O camponês que mata um animal uma vez para defender o gado, não chega para acabar com espécies e tem convivido em harmonia dentro dos ecossistemas. Parece que, por desconhecimento, se tem medo do habitante local e se lhe chama "bruto", quando não é ele que destrói o meio ambiente na escala em que nós os "citadinos instruídos" o fazemos.
     

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