Agricultura

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por Agreste 11 Mar 2014 às 12:39.

  1. belem

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    Cumulonimbus

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    Um crescimento diário de 15 a 20 quilos? Isso é surreal.

    E o que fizestes com a abóbora?
     
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    #856 belem, 30 Set 2019 às 20:29
    Última edição: 30 Set 2019 às 21:19
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  2. Pedro1993

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    Esses valores de crescimento, foi o que ouvi um produtor a dizer acerca do crescimento das suas abóbora, no concurso das maiores abóboras que decorreu em Portugal na semana passada.
    A abóbora acho que a congelei, para depois fazer sopa ao longo do ano, mas estas abóbora americana, enganam muito porque crescem muito, só em tamanho, no seu interior em termos de polpa, não dá grande rendimento, por isso eu prefiro as abóboras "menimas", porque mesmo mais pequenas, chegam a pesar uns 10 a 20 quilos, mas daí aproveitas praticamente tudo porque a casca é muito fina, e lá por dentro é toda compacta.
     
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  3. Mr. Neves

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    Essas abóboras gigantes possuem uma genética deveras interessante, não deixa de ser curioso como é que no meio da mesma espécie "Curcubita maxima" existem tantas variações e a estes pontos extremos. No entanto convém dizer que abóboras destas, exigem uma aquisição de nutrientes e micronutrientes de loucos!! Por semana na altura da frutificação começa a adubação em potássio, cálcio e adubos à base de algas para repor micronutrientes, depois há toda uma atenção às regas, às podas e enraizamento das hastes secundárias da vinha, nos USA, chega-se ao cúmulo de envolver as abóboras em lençóis e de lhes pôr uma sombrinha por cima para evitar o amadurecimento:lol:. Estas gigantes absorvem imensa água, tanta água, que do ponto de vista da culinária tornam-se mais sensaboronas, as variedades mais pequenas possuem uma polpa muito mais rica nos mais diversos compostos e bem mais adocicada. Os americanos chegam a usar estas abóboras para fazer tartes, sinceramente nunca provei:p, aqui na zona costumam fazer as delicias dos animais (porcos):D.

    As minhas abóboras de eleição são 2 variedades (abóbora manteiga e abóbora moscada de Provença) da espécie cucurbita moschata, chamadas muitas das vezes e de forma errada - abóbora menina, e depois uma variedade da espécie cucurbita maxima (abóbora rouge vif d'etampes).

    As variedades da espécie cucurbita moschata, regra geral são menos produtivas, tem a vantagem de se conservarem mais tempo.
     
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    #858 Mr. Neves, 30 Set 2019 às 21:43
    Última edição: 1 Out 2019 às 13:15
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  4. JPAG

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    Cumulus

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    Boas.

    Tenho reparado no estado em que estão os olivais tradicionais aqui na zona e as notícias não são nada animadoras. As oliveiras estão a passar por um stress hídrico gigantesco. Os pequenos proprietários temem um ano em que a colheita de azeitona seja desastrosa. Neste momento, a azeitona está muito madura para a época, estando já muita a cair... a azeitona está bastante pequena (a variedade galega parecem azeitonas de zambujeiro), não têm "carne" nenhuma sendo apenas pele e caroço, resultando em azeitonas sem nenhum óleo.

    Se no espaço de um mês (a época da colheita, se começar cedo, iniciará por volta de 15 de novembro) não chover nada em olivais onde se colhia 4000/5000 kg de azeitona serão apenas colhidos 400/500 kg. Humidades altas e temperaturas mais amenas também seriam importantes nesta fase já que devido ao calor os olivais têm sido assolados pela mosca que aprecia o estado do tempo como ele tem estado.

    Para o comum cidadão que compra azeite no supermercado não deverá notar grandes alterações já que a maioria do azeite no supermercado provém de olivais intensivos onde a água e os químicos não faltam para terem a azeitona grossa e oleosa. Para aqueles que como eu têm pequenos olivais de subsistência, herdados de geração em geração, que aproveitam o azeite (consumo e venda a conhecidos), azeitonas para consumo próprio e pequeníssimos subsídios de acordo com as colheitas terão alguns "prejuízos".

    Não sei se esta situação se repete noutras zonas do país, mas aqui num raio de 30/40 km a situação dos olivais não é a melhor... :disgust:
     
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  5. Pedro1993

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    Faço das tuas palavras as minhas, a situação que descreves aí pela tua zona, passa-se o mesmo aqui em redor, muita azeitona tem já caído, e a que está nas oliveiras também não está de boa saúde, depois de uns anos muito bons em termos de azeitona colhida em olivais tradicionais, o stress hídrico, aliado á mosca, que dizimou naquele inicio de maio, com calor, foi uma desgraça.
    Por cá a única coisa que se pode fazer, para não perder a totalidade de produção, é colher azeitona, já daqui a uns 10 a 15 dias, logo na abertura dos lagares, pois caso contrário nem sequer irá suportar todos os custos com a manutenção dos olivais, mais as pessoas para a apanhar.
     
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  6. JPAG

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    Pelo menos por aqui acho que os lagares apenas abrirão portas durante o mês de novembro. Acho que é uma das formas dos lagares salvaguardarem a qualidade do azeite, já que as azeitonas neste momento, apesar de maduras, não têm a mínima qualidade para azeite. Os lagares optam por esperar até à última oportunidade para ver se a azeitona ganha mais "carne" e óleo com o suposto aumento de humidade e chuva que deveria acontecer por esta altura. Perde-se muita azeitona pela queda mas acaba-se por ganhar qualidade no pouco azeite que se produz...

    Os meus pais dizem que o período de apanha da azeitona há umas décadas atrás era entre dezembro e janeiro. Hoje em dia em outubro os frutos estão maduros.. Nos últimos 4/5 anos apanho azeitona de t-shirt em novembro. Quando era pequeno apanhava de casaco e gorro, com nevoeiros cerrados e temperaturas próximas dos 0ºC. Incrível como em 20 anos o outono e o inicio de inverno mudaram tanto... :disgust:
     
    #861 JPAG, 1 Out 2019 às 14:05
    Última edição: 1 Out 2019 às 14:12
  7. Pedro1993

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    É verdade, concordo contigo, é preferível melhor qualidade, apesar de menor quantidade de azeite, até porque por norma o azeite dos nosso olivais tradicionais, é sempre de excelencia.
    No ano passado, ainda apanhei a azeitona com umas manhãs de nevoeiro cerrado, até quase á hora de almoço, e os dias de chuva foram poucos, apenas tive de "fugir" quando a chuva engrossava mais um bocado.
    Nos olivais que são gradados não se consegue colher a azeitona debaixo de chuva, porque depois toda essa lama acaba por sujar a azeitona, quer dizer se ela for depois para um lagar mais moderno, que já esteja todo equipa com a secção de lavagem, aí não faz diferença.
    Mas olhando para os anos mais anteriores, colhi também a azeitona, de t-shirt, e com calor na ordem dos 30ºC, o que é bastante dificil.
     
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  8. JPAG

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    Boas.

    Como disse ontem no seguimento sul, hoje era dia de horta. Após a chuva que caiu ontem tinha que aproveitar para lavrar o terreno para novas plantações...
    Eu a pensar que seria um grande dia de trabalho mas, no entanto, tive de adiar tudo... Assim que comecei a cavar vi que 6 a 8 cm abaixo do nivel da terra estava tudo seco.. :facepalm: O meu pai ainda ligou a motoenxada mas o pó era tanto que não é viável qualquer sementeira neste momento. Cavei à mão uma pequena área mais húmida mas a maior parte do terreno fica à espera que venha mais chuva.. Segundo a minha avó, até choveu bem durante 1 hora lá, mas pelos vistos não foi o suficiente para molhar a terra como deve ser. A única explicação que vejo é que como a chuva foi mais intensa escorreu toda pela superfície, não dando tempo de infiltrar lentamente a niveis inferiores :intrigante:
    Qualquer sementeira ou plantação neste momento ainda requer rega e não tenho água para isso pois o poço está no limite e ainda vai ter que aguentar mais umas semanas (espero eu ser apenas algumas semanas) para regar as árvores de fruto...

    Aproveitei também para dar uma vista de olhos pela azeitona mas a situação é terrível. Em 26 anos de vida não me lembro de ter tão pouca azeitona e até os mais antigos, como o meu tio-avô com 90 anos, não se lembra de ter tão pouca e tão ruim azeitona nos seus olivais. Nem a azeitona das variedades para conserva e retalhar têm azeitona...
    Curiosamente a variedade que ainda se safa é a variedade "galega", conhecida pela sua adaptação ao nosso clima, mesmo em situações mais extremas, e que infelizmente nos últimos anos tem sido substituída por variedades espanholas que requerem muito mais água para serem produtivas. Por algum motivo os olivais antigos mais tradicionais eram compostos maioritariamente por azeitona "galega", pois os mais antigos sabiam que havendo chuva ou não tinham sempre algum azeite para o seu sustento :intrigante:
     
  9. Pedro1993

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    Na sexta feira andei a abrir uns buracos onde plantei alguma árvores, e queria espetar as canas para as marcações, e simplesmente a cana nem espetava sequer, os solos estavam tão ressequidos, que o que choveu foi ainda muito pouco.
    Quanto á azeitona, comecei hoje a colheita, e posso dizer que as oliveiras não tem tanta azeitona como no passado, mas mesmo assim, não estão mal de todo, pois a azeitona que estava em más condições devido á mosca acabou por cair logo toda, ficando agora a que está em condições aceitáveis, em média cada oliveira galega, e não são muito grande deu um saco, e uma deu mais de dois, pois estava bem carregada.
    Mas fiquei muito desanimado, quando vi o que estava a acontecer, a cair tanta azeitona durante todo o verão, cheguei até a pensar que nem houvesse nada para colher.
    O que por vezes acontece, é que pode haver menos produção, mas de melhor qualidade, e já não era o 1º ano que sucedia-se.
     
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  10. Davidmpb

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    Não só a azeitona... no geral, os frutos, com o passar dos anos, vão amadurecendo cada vez mais cedo , devido às temperaturas mais altas e ao tempo mais ensolarado.
    Hoje em dia, por exemplo, as vindimas já começam no início/ meio de Agosto, há uns anos nunca começavam antes de Setembro.
     
  11. Pedro1993

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    Isso é verdade, estão se adiantar já cerca de ums mes, aqui há uns anos colhia-se a azeitona em novembro ou Dezembro, e até já no novo, agora é que está já tudo a começar a colhe-la, e já está bem maduro, só em zonas de vale, é que ainda está totalmente verde.
     
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  12. joralentejano

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    Na minha zona até há oliveiras bastante carregadas. No entanto, outras têm as azeitonas resumidas à pele e caroço.
    No ano passado, andei na colheita ao longo do mês de dezembro e este ano, nas próximas semanas se não começarem a ser colhidas vai parar tudo ao chão. Os meus familiares costumam tirar férias para as puder colher, mas nos últimos anos já nunca bate certo porque o amadurecimento das mesmas ou se atrasa ou fica demasiado adiantado. É também ao presenciar estas situações que penso que isto está tudo a ficar diferente.
     
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  13. JPAG

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    Pois, e para os solos é sempre preferível chover 10mm em 4 ou 5 horas que 10mm numa hora. Se nas próximas 2 semanas não vier chuva, as terras voltam ao estado em que estavam na semana passada. Fiquei espantado com o pó que a terra fazia.. mostra como os solos estão abaixo da superfície.
    O meu pai teve a tentar arranjar algumas para retalhar mas teve mais de 1 hora para encontrar algumas mais grossas e no fim acabou por não apanhar quase nada..
    Aqui também está muito picada.. diria que metade das azeitonas maduras estão picadas, mas aqui só agora é que começam a cair mais.. Até abrir o lagar, daqui a 1 mês, ainda vai cair muita.

    Completamente! Também noto o mesmo. Este ano em Setembro tinha romãs maduras, quando antigamente era sempre no final de outubro/inicio de novembro. E tenho algumas árvores ainda novas completamente confusas com a estação que em vez de estarem a perder a folha neste momento estão a rebentar em força, como se fosse primavera.
    Hoje em dia é impensável deixar-se a azeitona para colher nas férias do natal, como faziam há uns anos atrás, e se com o tempo os lagares não começarem a abrir em outubro penso que a maioria das azeitonas vão começar a ficar no chão.

    Pois, eu noto é muita diferença nos olivais de Vila Viçosa comparando com os do Alandroal. Em Vila Viçosa ainda há alguns com muita azeitona, embora pequena e bichosa, mas no Alandroal não. Ainda por cima tenho os olivais em zonas altas do concelho do Alandroal.. Num ano normal o meu pai apanha cerca de 5000kg de azeitona, este ano no máximo deverá apanhar 500kg (10x menos). Também tira sempre férias nessa altura mas este ano não deverá valer muito a pena...
    Ainda não tive a possibilidade de lá passar, mas foi-me dito que perto da Mina do Bugalho (uma aldeia do Alandroal perto de Juromenha) há 2 ou 3 olivais que secaram por completo. Aquela zona é bastante seca e no verão aquelas encostas chegam facilmente aos 45ºC. Vegetação habituada ao calor mediterrânico secou e o que se vê, pelo que dizem, é apenas aridez como se fosse um deserto.. caso consiga lá passar nas próximas semanas tiro umas fotos para mostrar a situação complicada que por aqui se vive..
     
  14. António josé Sales

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    Nimbostratus

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    Até onde vai a estupidez humana é impressionante como é possível alguém ter ideias tão parvas como plantar abacateiros, (que é uma cultura muito exigente em água) na região sul do país que é precisamente onde chove menos que grandes inteligências! não haja dúvida.:facepalm:
    Uma cultura em que se deveria apostar nesta região é por exemplo a figueira da índia(cacto) que dá uns figos maravilhosos (figos da índia) uma cultura muito resistente á falta de água e que requer muito pouca manutenção.
    Com este fruto pode fazer-se doce, licor, bolachas, bolos, comer em fresco,usar as sementes para fazer óleos essenciais,a flor para o chá etc
    Já para não falar do caule da planta que removendo os espinhos pode utilizar-se para fins medicinais e mesmo para alimentação humana(cozinhado) ou animal por exemplo (vacas,cabras,ovelhas).
     
  15. camrov8

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    Cumulonimbus

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    porque praticamente não tem geadas e muitas horas de sol e as culturas de regadio do Alentejo, e vizinha Espanha de onde achas que vem a água para os girassois
     
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