Como eram e quem eram os Portugueses nativos?

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por belem 26 Jan 2013 às 20:40.

  1. VimDePantufas

    VimDePantufas
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    Nimbostratus

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    O maior estudo já feito sobre a história genética dos habitantes da Península Ibérica, hoje divulgado, revela que os ibéricos são maioritariamente descendentes de povos que migraram das estepes russas e que foram os bascos que menos se misturaram depois.

    O estudo, publicado na revista Science, foi liderado pela Harvard Medical School, dos Estados Unidos, e pelo Instituto de Biologia Evolutiva, de Barcelona, Espanha, tendo a colaboração de um total de 111 investigadores, incluindo portugueses, da Universidade do Minho, da Universidade de Coimbra e da Universidade de Lisboa.

    Num comunicado, a Universidade do Minho (UM) diz que a região ibérica é agora, provavelmente, a mais bem caracterizada do mundo ao nível do ADN humano antigo. Pedro Soares, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental, da UM, foi um dos participantes no trabalho.

    O estudo analisa a população da região hoje dividida entre Portugal e Espanha dos últimos 8.000 anos, incluindo o fluxo genético correspondente à chegada da agricultura, há 7.500 anos, as trocas genéticas com o norte de África, desde há 4.000 anos, e o grande fluxo migratório do início da idade do bronze, há 4.500 anos, a partir das estepes russas e ucranianas.

    “O padrão destes migrantes representava na altura cerca de 40% do perfil genético da Península Ibérica e praticamente 100% das linhagens masculinas do território. Isso sugere que aqueles migrantes das estepes eram sobretudo do sexo masculino e, de algum modo, substituíram os homens locais”, explica Pedro Soares, citado no comunicado da UM.

    Ou seja, a investigação provou que um grande número de homens da Europa central se deslocou para a Península Ibérica e se juntou a mulheres locais, substituindo a população masculina existente.

    As equipas analisaram os genomas de 403 antigos ibéricos que viveram entre 6.000 A.C. e 1.600 D.C., 975 pessoas de fora da Península Ibérica e cerca de 2.900 habitantes atuais da península.

    A investigação permitiu concluir que em 2.500 A.C., há 4.500 anos, não havia ancestrais recentes de fora da Península e que 500 anos depois os ancestrais por via paterna iam dar à Europa central e de leste.

    Diz o estudo que 40% dos antepassados gerais e 100% dos ancestrais patrilineares (pais e pais dos pais) podem ser rastreados até aos grupos que tinham chegado das estepes russas e ucranianas.

    Os investigadores consideram o resultado surpreendente. Não acreditam na possibilidade de os homens ibéricos terem sido exterminados ou deslocados à força, porque não há indícios de violência nesse período, e admitem como possível explicação que as mulheres ibéricas, por alguma razão, preferissem os recém-chegados.

    Apesar de ao longo dos séculos a ascendência paterna ter continuado a evoluir, diz a equipa de investigadores que a maioria dos homens da Península Ibérica de hoje são descendentes por parte do pai daqueles recém-chegados da Idade do Bronze.

    O estudo conclui ainda que os bascos atuais são geneticamente semelhantes aos da Idade do Ferro, fazendo deles uma espécie de população típica dessa altura, o que faz supor que a ancestralidade e a língua bascas não foram afetadas depois da transformação operada pela chegada dos homens das estepes e permaneceram relativamente intactas, enquanto outros grupos à sua volta se misturaram de forma mais significativa ao longo do tempo.

    Os investigadores identificaram ascendentes norte-africanos nas populações ibéricas datados de cerca de 2.000 anos antes de Cristo, indicando um fluxo dessa região para a Europa.

    E já na era atual a ascendência norte-africana foi mais difundida na Península Ibérica, ocorrendo as influências genéticas muito antes da conquista árabe da Península durante o século VIII.

    Revelando os principais eventos que moldaram as populações antigas da Península Ibérica, o estudo dá uma ideia dos movimentos e migrações do homem antigo.

    E conclui também, por exemplo, que os grupos de caçadores-recoletores que viviam na Península Ibérica na altura do Mesolítico, cerca de 8.000 anos A.C., tinham uma composição genética muito diferente dos que viveram 5.500 antes de Cristo.

    Tal sugere que já nessa altura havia migrações para a Península Ibérica, algo que conclui um outro estudo, também hoje divulgado na revista Current Biology.

    Este estudo analisou os caçadores-recoletores e antigos agricultores que viviam na Península Ibérica entre há 13.000 e 6.000 anos.

    Na última idade do gelo, que terminou há cerca de 12.000 anos, a Península Ibérica permaneceu relativamente quente, mantendo plantas e animais, funcionando como refúgio e recebendo migrantes do resto da Europa. A posição geográfica, ao lado do Mediterrâneo e do norte de África, terá também contribuído para essa mistura de povos.
     
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  2. frederico

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    Super Célula

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    Ou seja, somos essencialmente indo-europeus como os restantes povos da Europa. Mais uma bofetada na cara de quem quer que sejamos africanos à força.
     
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  3. camrov8

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    Cumulonimbus

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    eu li o estudo, o que mais admiro é a perseverança dos Bascos mantiveram a sua língua e provavelmente cultura, até esta invasão aguentaram melhor que muitos povos, que digam os Romanos Carlos Magno e demais
     
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  4. belem

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    Cumulonimbus

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    Duvido que o DNA antigo esteja bem estudado na peninsula ibérica... Só se for em algumas partes de Espanha.
    Quanto à influência do Norte de África na Ibéria, deve datar até tempos bem anteriores a 4000 anos atrás, pois é possível identificar movimentos até pré neolíticos, sobretudo a nível de mtDNA.
    E sendo Marrocos, o país atualmente conhecido por ter os restos fósseis mais antigos de Homo sapiens, o que mais seria de esperar? Já que este estudo deu um "safanão" nos que falam em mistura de mouros, pelo menos aproveitava também para falar da antiguidade de ligações entre a Ibéria e o Magrebe, em que na verdade, a influência da Ibéria no Magrebe é significativamente maior do que o oposto.
    Quanto aos bascos, o que dizem não é novidade, mas importa referir, que tanto Portugueses como Espanhóis, são em média, fisicamente mais semelhantes aos povos ibéricos pré-históricos e até têm linhagens paternais e maternais mais antigas que os Bascos. Misturaram-se mais, mas não muito mais. Uma pessoa da Beira Baixa, pode ter a sua herança genética sobretudo circunscrita ao Neolítico tardio, por exemplo, enquanto um Basco pode estar mais ligado a uma fase ligeiramente mais inicial do Neolítico (ambos com contribuições significativas de fases também anteriores ao Neolítico).
    E o Frederico diz a verdade, quando não é novidade alguma que todos os europeus resultam da mistura de indo-europeus com os sobreviventos do Neolítico e do Paleolítico e é este o padrão verificado em praticamente toda a Europa.
    Contudo e efetivamente, continuam a ser os italianos e os ibéricos, os menos miscigenados, nos últimos 2500 anos (ou 5500 anos, dizem alguns).
    Portanto este estudo pouco ou nada adiantou e omitiu algumas verdades importantes.
     
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    #274 belem, 15 Mar 2019 às 20:27
    Última edição: 17 Mar 2019 às 18:01
  5. camrov8

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    a verdade é que nunca se sabe a verdadeira Historia e não sendo conhecedor da coisa, acho redutor pegar-se em meia dúzia de esqueletos um deles sendo português e inferir que todos os homens iberos foram eliminados e as mulheres não.
    Quer dizer ou os que vieram eram uns garanhões bonzudos e as iberas so os quiseram a eles , ou por maior que fosse a migração deviam ser todos igual ao rambo e mataram todos os homens e desfizeram-se dos corpos, pois não existe registo de aumento de violência (diz o próprio do estudo) ninguém levantou a sobrancelha ao ver os resultados.
     
  6. belem

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    É impossível não ter havido contribuição masculina, tanto paleolítica como neolítica, nas populações mais recentes, da peninsula ibérica, basta ter atenção, ao que já foi postado aqui neste tópico.
    E penso que ainda está por definir, qual o sexo, que apresentava o maior numero de pessoas, pois podiam haver muitas mulheres e poucos homens, por exemplo.
    Sinceramente, nunca comparei, mas parece-me que existiam muito mais linhagens femininas do que masculinas, por isso mesmo que todos os homens, tivessem companheira e descendência, a simples chegada de mais populações acabaria por dar-nos a falsa sensação de que as contribuições pré-históricas masculinas, foram quase nulas. Adicionalmente,mais outros fatores poderão influenciar estes resultados, como a parca amostragem, por exemplo.
    Já li num forum, que em algumas aldeias do Norte de Portugal, a influência pré-histórica do lado paterno, atingia valores relativamente altos, mas sem ver o estudo que confirma isto, é difícil ter uma posição segura.
    Mas, pelo que tudo indica, houve mesmo uma mudança no padrão gemético masculino e poderá ter influenciado a escolha das mulheres, a possibilidade destes forasteiros terem cavalos (e de saberem domesticar cavalos), e de terem algum domínio sobre metais e armas mais avançadas.
    Mas que fique assente: houve contribuição do homem pré-histórico ibérico, sim, e em alguns casos, é até de enorme antiguidade.
    Eventualmente, estudos mais detalhados em certas zonas, poderão ampliar mais o nosso conhecimento sobre esta matéria.
     
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    #276 belem, 16 Mar 2019 às 19:50
    Última edição: 17 Mar 2019 às 17:59
  7. camrov8

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    não sou nacionalista, sou Português e patriota, sei que pelas minhas características (loiro, olhos, azuis, cara larga, nariz largo semelhante ao africano mas não tão largo, rh- que ja li algures significa que algures os meus ancestrais tiveram pouca interacção com forasteiros tal como os bascos onde a percentagem de rh- é enorme) sou recente neste pedaço de terra e não tendo intolerâncias como o gluten e lactose, so acho a peninsula ibérica esta pouco estudada, chegando cá não há por onde há para onde ir tirando Gibraltar e o facto de termos um halotipo especifico ibero
     
  8. belem

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    Não sei como o Camrov8 é, mas deixo aqui isto:"Other local series, which represent the coastal regions of northern Portugal rather than the interior, are relatively Mediterranean, and are comparable metrically to Spanish groups. Some of the fishing villages along the coasts, however, contain locally differentiated populations as do fishing villages everywhere; one, Povoa de Varzin in Minho province,126 is distinguished by a slightly greater than usual degree of blondism, broad faces, and broad jaws (bizygomatic = 133 mm., bigonial, 108 mm.). Whence this broad-faced strain is derived is not known."
    Carleton Coon
     
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    #278 belem, 17 Mar 2019 às 09:37
    Última edição: 17 Mar 2019 às 17:58
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  9. belem

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    Em relação à domesticação do cavalo na Ibéria, alguns investigadores estimam que terá iniciado há cerca de 6250 anos, salvo o erro (depois vou confirmar), portanto terá começado relativamente pouco depois da chegada dos primeiros agricultores.
    Pouco depois, poderá ter surgido o interesse em domesticar o auroque, pois a cavalo, penso que é mais fácil chegar até este animal (e da caça ao auroque a cavalo, poderá ter surgido o estilo da "gineta", que é a arte de ludibriar o imponente bovino a cavalo).
     
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    #279 belem, 17 Mar 2019 às 09:44
    Última edição: 17 Mar 2019 às 09:52
  10. belem

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    Hoje em dia, penso que muitos investigadores chamam de povos ibéricos antigos, às populações pré-romanas, que existiram na peninsula ibérica.
    A passagem para a Idade dos Metais, facilmente antecede a chegada dos Romanos.
    A Ibéria dficilmente (dadas as suas excelentes condições) passaria despercebida a outros povos, passado o período do Neolítico.
    Mas ainda que tenha havido uma alteração na frequência das linhagens masculinas, a influência dos povos vindos das estepes ucranianas, penso que é relativamente baixa, se analisarmos o pertinente DNA nuclear, (dos povos ibéricos atuais).
    É questiono-me se não chegariam à Ibéria, já miscigenados (com alguns dos povos que encontraram pelo caminho).
     
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    #280 belem, 17 Mar 2019 às 16:52
    Última edição: 17 Mar 2019 às 17:01
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  11. camrov8

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    a parte de já virem miscegenados é um bom ponto, uma coisa será também e acho que é importante o tipo de "funeral" o que fariam os povos iberos antes da chegada dos povos das estepes, poderiam ter rituais que não permitissem a preservação dos esqueletos, outra coisa que me tem confundido, toda a ciência diz que os olhos azuis são originários do Cáucaso, no entanto todos sabemos onde este fenotipo é mais presente e foi no norte de Espanha que se descobriu o mais antigo Homem (neste caso homem) com o genotipo para olhos azuis
     

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