Floresta portuguesa e os incêndios

Já no que diz respeito ao David sf, diz não ter nenhuma alergia a lidar com factos. Vejamos:
Fala de espécies de vegetação diferentes no alentejo e no resto do país, a a velocidade de propagação no Alentejo é, em média, mais baixa, mais uma vez não percebeu e não vê o elefante na sala. O problema dos incêndio em portugal é o número de ignições e não a área ardida! Se colocar um pouco de gasolina no mato seco, o resultado vai ser o mesmo em trás-os-montes, nas beiras, na estremadura ou no alentejo! O que vai ser diferente é dimensão da área ardida e não o número de ignições!
O problema principal é, repito, o número de ignições. A média tem sido de 20.000, 30.000 ignições/ANO. Quantas ignições ocorrem no alentejo?
Afirma que "é muito estúpido andar a atear fogos a partir de aviões, quando se pode pegar num carro e numa caixa de fósforo (ou num cocktail molotov, se gosta mais de artefactos e de explosivos) e provocar o mesmo efeito sem deixar rasto. Isto é um FACTO."
O David lá saberá o que diz... mas é de facto estúpido, mas por ser estúpido é mentira? por essa lógica a invasão do Iraque, Líbia, Síria, o assassinato de políticos "inimigos" do império (também no nosso país), o "terrorismo" actual, pessoas que gostam de pertencer a grupos cujo o objectivo é questionável(como os gostam de colocar aventais) etc. Podem ser estúpido, mas não deixam de ser bem reais. FACTO
Depois afirma que há mais votos comunistas nos distritos de Setubal e Lisboa que no alentejo. Quando é que o partido comunista foi o mais votado em Lisboa em 2015? Eu referia-me às câmaras ganhas desde 1975. A frase do partido era "o alentejo é nosso". Desde 75, o alentejo foi sempre o partido mais votado (Portalegre, Évora, Beja). Se os resultados em 2015 mostram uma mudança, ela não é muito significativa. Mais, está a ignorar que os votos de Setubal e Lisboa, representam na sua grande maioría alentejanos que vieram em busca de uma vida melhor para as cidades.
Em relação aos media falarem APENAS no alentejo quando se fala de calor, seca é muito redutor. É desonesto, hipócrita e enganoso por parte dos media porque quando se fala de altas temperaturas no verão, fala-se do desconforto que provocam temperaturas de 35-40ºC, ou vai afirmar que estando 39ºC no alentejo e 38ºC nas beiras e trás-os-montes, o calor sentido pelas pessoas é diferente?
Por uma questão de honestidade, quando os medias falam do calor no alentejo, não falem só no alentejo! Até porque se gosta de meteorologia, sabe que há muitos dias de verão em que castelo-branco e guarda têm as mesmas temperaturas que évora e beja e em alguns dias até é superior.
Em relação a Sócrates, estamos de acordo, mas é pena não haver mais políticos a ser investigados... Há muitos como ele e pior que ele.;)
Para concluir, eu gosto deste fórum, gosto de seguir estas áreas e não escrevo para culpar nenhum dos membros.
Escrevo para partilhar as minhas ideias e para contribuir com soluções.
O problema dos incêndios em portugal reside no número de ignições 20,000 - 30,000 /ano e não na área ardida.
O problema dos incêndios em portugal está na industria do fogo, negócios ruinosos para os contribuintes mas MUITO lucrativos para algumas pessoas. Siresp (+40 milhões /ano), empresas de meios aéreos ( 30-40 mil euros/hora cada aeronave), madeira ardida que é depois utilizada para fabricar mobiliário, laminados, é comprada de 1/4 a 1/6 do seu valor, são motivações partidárias especialmente em tempo de eleições etc. Lembro-me de ver a área a que os media chamavam cavaquistão a arder sem parar...
E depois vêm a política, porque razão os governos não investem na vigilância? é barato e cria emprego.
Porque razão a força aérea pode acabar com negócio dos incêndios? Os kits para os C-130 custaram muito dinheiro mas estão a apodrecer no hangar.
Porque razão a o Incêndio Florestal deixou de Crime de investigação Prioritária?
Os governos que façam um planeamento, ordenamento do território florestal, façam e implementem regras de limpar os matos perto das povoações, criem um rede de vigilantes bem equipados para uma detecção rápida, dêem cultura ao povo, bom jornalismo e não "preços-certos" e "love on top", Em vez de debates para discutir futebol, façam debates para discutir o que é importante...
Mas estamos no país do aeroporto cristiano ronaldo, rua roberto leal, candidaturas à presidencia de câmaras de ágata, valentim loureiro, isaltino etc etc.:facepalm:
Vamos acabar com os incêndios!
 
afirmaram que eram teorias da conspiração quando referi que alguns dos fogos mais importantes são postos de forma consciente, metódica, precísa e planeada.

não é possível planear um incêndio florestal nem sequer por vivência de fogos anteriores. As condições meteorológicas não se repetem exactamente do mesmo modo.

depois de lançado o fogo, é possível escolher o que vai arder?
 
Em 2009 fiz prevenção no grupo de patrulha (EMIF) criado pela CML (creio que ainda existe) e de Junho a Setembro praticamente não registámos ocorrências. Recordo-me apenas de 2 ocorrências já em Setembro e devido a trovoadas, uma perto de Salir e outra no Barranco do Velho. Ocorrências semelhantes tanto uma como outra com um sobreiro completamente despedaçado por uma raio, o pé ainda intacto ia ardendo lentamente até que começava a fumegar algumas horas depois originando incêndio. Nestes casos durante a tarde após trovoadas no período da noite/manhã. Actualmente não temos tido muitas trovoadas no Verão mas com a experiência que tive é essa a nossa maior ameaça isto se não houverem descuidos, mão criminosa, etc

não temos festas nem romarias... não se usa pirotecnia... porém o que não falta é população descuidada, churrascos onde calha. Temos condições de pequena montanha e floresta muito seca, ainda mais seca que qualquer outra parte do país.

temos 50-60 noites tropicais por ano e um regime de ventos conhecido.

os grandes incêndios, salvo algumas excepções, só os conheço em final de agosto, início de setembro.
 
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não temos festas nem romarias... não se usa pirotecnia... porém o que não falta é população descuidada, churrascos onde calha. Temos condições de pequena montanha e floresta muito seca, ainda mais seca que qualquer outra parte do país.

temos 50-60 noites tropicais por ano e um regime de ventos conhecido.

os grandes incêndios, salvo algumas excepções, só os conheço em final de agosto, início de setembro.

Se formos a ver as condições para gerar grandes incêndios nós temos tudo e a prova é que quando arde, arde a valer. A meu ver se tivéssemos o número de ignições que existem em certas zonas do norte e centro já cá não havia nada a não ser que deslocassem dispositivos permanentes para cada hectare de floresta.

Não quero com isto dizer que existe uma diferença entre Norte e Sul mas a meu ver algo de muito errado se passa no Norte e Centro e não é só a propensão para arder da floresta.

Por exemplo, o último grande incêndio que foi em 2012 começou da forma descarada que foi como todos devem saber. Não fosse isso, não se conhecem outras ignições ou pelo menos eu não conheço em vários anos. No entanto é óbvio que existem outros problemas que potenciam os incêndios como a má ordenação da floresta, desertificação, etc que devemos combater mas por si só não é isso que origina os incêndios.
 
João Soares, especialista em assuntos florestais: ‘Atacar uma frente de fogo com uma mangueira é ridículo’


Em 2003, o Governo de Durão Barroso chamou-o para ajudar a resolver o problema dos fogos. Ao SOL, fala sobre as resistências que encontrou e os erros que continuam a ser cometidos no combate às chamas.

João Soares trabalha há 40 anos em atividades ligadas às florestas. Começou no Instituto dos Produtos Florestais, sendo depois convidado para encabeçar a Direção Geral das Florestas. Com a saída do ministro Álvaro Barreto, chegou a ter um acordo de cavalheiros com Américo Amorim para plantar eucaliptos para um grupo de investidores do Kuwait, mas acabou por ir para a Soporcel.

Diz que estudou muito e leu tudo o que havia para ler sobre o eucalipto. Em 2003, estava na Noruega quando recebeu o convite do ministro Sevinate Pinto para ser secretário de Estado das Florestas. Nos nove meses que esteve no lugar, tentou implementar medidas «de bom senso» mas encontrou oposição donde menos esperava. Diz que as restrições à plantação de eucaliptos têm origem ideológica e que continuam a dizer-se «disparates» e «aldrabices» contra esta árvore por preconceito.

https://sol.sapo.pt/artigo/577003/j...a-frente-de-fogo-com-uma-mangueira-e-ridiculo
 
João Soares, especialista em assuntos florestais. Está a ser irónico Pedro? Eu penso que as áreas dele são outras... ;)
Voltando ao alentejo e para os membros do fórum que acham que sou adepto da teoria da conspiração, os recentes fogos das serras de mira de aire e de Estrela, são uma excelente resposta. Factos são factos e não permitem opiniões nem teorias. A maior parte da superfície do Parque de mira de aire é ocupado por matagais, mato rasteiro portanto e têm poucas árvores, grande parte delas é composta por carvalhos e azinheiras (área do fogo). No parque da estrela, nomeadamente a área do fogo perto da barragem é comporta por urzais, giestais e zimbro. E arderam. Porque não há, proporcionalmente, as mesmas ignições no alentejo? Se a vegetação arde mais depressa ou mais devagar ou se a área ardida é maior ou menor é irrelevante, refiro-me a ignições.
O grupo que espalha incêndios no nosso país nas últimas décadas, não está interessado em incêndiar o país ao sul do tejo. O incêndio do gavião deve ter sido "danos colaterais", atravessou o tejo.
Estatisticamente o que mais arde em Portugal são os matos, a sul do tejo há matos?
De acordo com John Gallo, “em 35 anos ardeu em Portugal o equivalente à área total da Holanda ou da Dinamarca” e que “metade dos incêndios florestais na CE, ocorrem em Portugal”. John Gallo completa esta informação com números: “42% do nosso país, 38 mil km2, arderam nos últimos 35 anos, em comparação com 12% de área ardida em Espanha, 12,2% na Grécia, 12,6% em Itália e 1,3% na França”.
Eu concordo que os eucaliptos não são uma espécie autóctone e que ardem mais depressa, mas se ninguém os colocar em combustão eles NÃO ARDEM! Fala-se em árvores bombeiras, em limpeza de matos e ordenamento florestal, concordo plenamente, mas se "alguém" coloca 20.000 a 30.000 ignições por ano, não valem de NADA...
"Falta de limpeza, de manutenção e de tratamento põe Pinhal de Leiria em risco"!!!!!:lmao:
A "cassete" da limpeza dos matos e quejandos é estranha. É ver que o rei vai nú e dizer que ficava melhor de verde!
O pinhal de leiria está lá desde 1300, 700 anos sem ser limpo e nunca ardeu e não havia bombeiros nem meios aéreos...
reductio ad absurdum!
Este ano, já morreram aproximadamente 100 pessoas. O último foi o piloto do helicóptero.
Quantas árvores, plantas, animais morreram? o que perdemos nós portugueses?
E o país já não está em estado de calamidade pública...
Isto para mim é terrorismo. Mais grave do que aconteceu em espanha.
Em ambos os casos não sabemos quem está por trás da cortina...
Folow the money
 
João Soares, especialista em assuntos florestais. Está a ser irónico Pedro? Eu penso que as áreas dele são outras... ;)
Voltando ao alentejo e para os membros do fórum que acham que sou adepto da teoria da conspiração, os recentes fogos das serras de mira de aire e de Estrela, são uma excelente resposta. Factos são factos e não permitem opiniões nem teorias. A maior parte da superfície do Parque de mira de aire é ocupado por matagais, mato rasteiro portanto e têm poucas árvores, grande parte delas é composta por carvalhos e azinheiras (área do fogo). No parque da estrela, nomeadamente a área do fogo perto da barragem é comporta por urzais, giestais e zimbro. E arderam. Porque não há, proporcionalmente, as mesmas ignições no alentejo? Se a vegetação arde mais depressa ou mais devagar ou se a área ardida é maior ou menor é irrelevante, refiro-me a ignições.
O grupo que espalha incêndios no nosso país nas últimas décadas, não está interessado em incêndiar o país ao sul do tejo. O incêndio do gavião deve ter sido "danos colaterais", atravessou o tejo.
Estatisticamente o que mais arde em Portugal são os matos, a sul do tejo há matos?
De acordo com John Gallo, “em 35 anos ardeu em Portugal o equivalente à área total da Holanda ou da Dinamarca” e que “metade dos incêndios florestais na CE, ocorrem em Portugal”. John Gallo completa esta informação com números: “42% do nosso país, 38 mil km2, arderam nos últimos 35 anos, em comparação com 12% de área ardida em Espanha, 12,2% na Grécia, 12,6% em Itália e 1,3% na França”.
Eu concordo que os eucaliptos não são uma espécie autóctone e que ardem mais depressa, mas se ninguém os colocar em combustão eles NÃO ARDEM! Fala-se em árvores bombeiras, em limpeza de matos e ordenamento florestal, concordo plenamente, mas se "alguém" coloca 20.000 a 30.000 ignições por ano, não valem de NADA...
"Falta de limpeza, de manutenção e de tratamento põe Pinhal de Leiria em risco"!!!!!:lmao:
A "cassete" da limpeza dos matos e quejandos é estranha. É ver que o rei vai nú e dizer que ficava melhor de verde!
O pinhal de leiria está lá desde 1300, 700 anos sem ser limpo e nunca ardeu e não havia bombeiros nem meios aéreos...
reductio ad absurdum!
Este ano, já morreram aproximadamente 100 pessoas. O último foi o piloto do helicóptero.
Quantas árvores, plantas, animais morreram? o que perdemos nós portugueses?
E o país já não está em estado de calamidade pública...
Isto para mim é terrorismo. Mais grave do que aconteceu em espanha.
Em ambos os casos não sabemos quem está por trás da cortina...
Folow the money
É outra pessoa chamada João Soares, como é óbvio! :facepalm:
 
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(...) Da mesma maneira que não há humanos 'ilegais' nem 'não-indígenas' também não existem árvores 'invasoras' nem 'nefastas' para a flora 'indígena'.

:huh: Isto só me faz lembrar os factos alternativos do sr. Trump. A factualidade de um conceito da biologia (tal como qualquer outro de outras ciências naturais) não é minimamente comparável com a relatividade de algo que provém de convicções e convenções humanas, nem pode, acho eu. Nacionalidade é um conceito que tem muito de abstrato. Não sei se se poderá tratar da mesma forma os ecossistemas. Mas quem sou eu..
 
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As condições que levaram a ANPC a emitir um alerta vermelho durante o fim de semana, não deixa de ser um pouco irónico, tal como a Calamidade Pública preventiva é mais uma ironia. :rolleyes:

Vamos comparar esta situação meteorológica com a situação meteorológica que o país vivia em Junho de 2017, altura dos incêndios de Pedrógão Grande:

Junho de 2017:

IPMA:

17/06/2017

Vermelho: Lisboa, Santarém, Setúbal e Bragança
Laranja: todos os restantes distritos

- Condições favoráveis à ocorrência de aguaceiros e trovoadas, ou mesmo só as trovoadas secas, tal como se verificou

- Vento moderado a forte de leste (nas terras altas)

ANPC:

Perante as condições meteorológicas adversas, descritas acima, a ANPC, fez por bem emitir um simples alerta amarelo para esses dias. https://www.alpiarcense.com/proteca...relo-de-calor-e-perigo-de-incendio-florestal/

Ainda estávamos na Fase Bravo


Neste último fim de semana:

IPMA:

- Não emitiu qualquer aviso vermelho, só os distritos do interior estiveram em aviso laranja, os restantes estiveram em aviso amarelo e o Algarve esteve só em aviso amarelo no Sábado (as condições bem melhores do que as de Junho de 2017)

- Vento de leste

- Não existiu condições para a ocorrência de trovoadas e aguaceiros, ou seja, menos uma agravante em termos de comparação com Junho de 2017

ANPC:

- Lança o alerta vermelho

Governo:

- Declara durante o fim de semana a Calamidade Pública preventiva :wacko:


Agora, uma questão que coloco:

Um dia, em que houver condições iguais às de Junho de 2017, será que a ANPC lança o alerta roxo, preto ou avisa que vem aí o fim do mundo? Ou simplesmente emite um alerta amarelo...

:rolleyes:
 
Um dia, em que houver condições iguais às de Junho de 2017, será que a ANPC lança o alerta roxo, preto ou avisa que vem aí o fim do mundo? Ou simplesmente emite um alerta amarelo...

Isso parece-me ser o típico " casa roubada trancas à porta", como ficaram "trilhados" pelo descalabro e tragédia de Junho, agora, "por tudo e por nada" lançam alertas vermelhos..

Não é que não valha mais prevenir que remediar, mas em Portugal é assim, primeiro acontece, e só depois se pensa e previne (ou tenta-se prevenir)
 
Isso parece-me ser o típico " casa roubada trancas à porta", como ficaram "trilhados" pelo descalabro e tragédia de Junho, agora, "por tudo e por nada" lançam alertas vermelhos..

Não é que não valha mais prevenir que remediar, mas em Portugal é assim, primeiro acontece, e só depois se pensa e previne (ou tenta-se prevenir)

O problema é que a ANPC não age, reage! Isto mais não é do que uma reação, que em termos práticos vale muito pouco.
 
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Já em junho tinha criticado o facto da fase Charlie começar numa data fixa e não ter em conta em condições que mais favorecem os incêndios. Não faz sentido esta metodologia. Eu nem digo para ser alterada na sua totalidade mas seria benéfico ter alguma flexibilidade.

Já agora uma questão á parte.
Na fase Bravo os GRIFs e GRUTAs ainda não estão "operacionais" pois não?
 
Já em junho tinha criticado o facto da fase Charlie começar numa data fixa e não ter em conta em condições que mais favorecem os incêndios. Não faz sentido esta metodologia. Eu nem digo para ser alterada na sua totalidade mas seria benéfico ter alguma flexibilidade.

Já agora uma questão á parte.
Na fase Bravo os GRIFs e GRUTAs ainda não estão "operacionais" pois não?
GRIF's podem estar disponiveis em qualquer altura do ano...GRUATA's não, pois são contratualizados com a ANPC!
 
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