Floresta portuguesa e os incêndios

http://acrescimoapif.blogspot.pt/2017/10/a-acrescimo-acusa-de-pouco-seria-e-nada.html
As centrais de biomassa são abastecidas com sobrantes da exploração florestal (ramadas, bicadas e restos de
corte das árvores), e não apenas com matos resultantes da limpeza das florestas. Assim, constatou-se que a ideia
de que a construção de centrais de biomassa por todo o país iria resolver decisivamente a redução do risco de
incêndio, na medida em que a procura de biomassa iria levar à limpeza das matas e consequente redução de carga
de combustível, não corresponde totalmente à realidade.

RELATÓRIO GRUPO DE TRABALHODA BIOMASSA
COMISSÃO DE AGRICULTURA E MAR
Junho de 2013

 
Atenção que não foi a proliferação do pinheiro bravo que levou à redução do castanheiro, antes disso houve a doença da tinta e o abandono e êxodo rural que levaram ao declínio da espécie. Os castanheiros toleram algum ensombramento e podem conviver no meio dos pinheiros, no caso de povoamentos de castanheiro já instalados e adultos dificilmente o pinheiro consegue entrar (espécie de luz).

Os castanheiros toleram de facto o ensombramento, até ao ponto de nem parecem castanheiros! É verdade.. Existe um pequeno "parque" com antiga casa do guarda, entre o Teixoso e o Sarzedo (à esquerda no cruzamento), com pseudotsugas enormes (muito antigas) e assim que entramos naquele meio a sensação é de passar do dia para o crepúsculo (tal é a altura / ensombramento das árvores). Pois bem, no meio das pseudotsugas encontrei 2 ou 3 castanheiros que não tinham mais de 5m de altura, mas o que me chamou a atenção, foi a disposição dos troncos e das folhas, completamente na horizontal (de forma a captar mais luz). Quando digo que os troncos saem na horizontal, é mesmo na horizontal (quase que podia medir com um nível de pedreiro), e até mesmo as folhas como pequenos painéis solares na horizontal. Ali a competição pela luz é muita e os castanheiros em vez de fazerem crescer varas como eucaliptos, optaram por alargar os ramos na horizontal.
 
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As centrais de biomassa são abastecidas com sobrantes da exploração florestal (ramadas, bicadas e restos de
corte das árvores), e não apenas com matos resultantes da limpeza das florestas. Assim, constatou-se que a ideia
de que a construção de centrais de biomassa por todo o país iria resolver decisivamente a redução do risco de
incêndio, na medida em que a procura de biomassa iria levar à limpeza das matas e consequente redução de carga
de combustível, não corresponde totalmente à realidade.

RELATÓRIO GRUPO DE TRABALHODA BIOMASSA
COMISSÃO DE AGRICULTURA E MAR
Junho de 2013

Eu por acaso acho boa ideia, apostar na biomassa, por várias razões:
- Se a solução mais barata é queimar biomassa, então estamos a aumentar a produção de CO2 e isso tem um preço.
- Se é para queimar, ao menos que se retire daí algum proveito energético.
- Não há pastorícia, portanto o mato depois de cortado volta a crescer todos os anos, 20-30cm/ano. É inevitável que tenha de ser cortado, removido e queimado.

Mas nem por sombra, se pense em projetos megalomanos, ou então, centrais tão distantes que nem compense o transporte da biomassa.

Existem soluções "Mini" no mercado, são investimentos para no máximo 10 - 50 mil euros. É dessas soluções que precisamos, centrais que possam contribuir para suprir os gastos energéticos de cada aldeia.
 
Todos reconhecemos as vantagens do pinhal, em termos de madeira, resina e coberto vegetal (caruma de pinheiro), mas consegues perguntar a alguém idoso, se sabe (ou se tem memória dos seus pais ou avós), quem terá andado a plantar/semear pinheiros?

Era importante desmistificar: foram os proprietários ou o estado em locais estratégicos?

A minha família é originária da região do sul da Serra da Estrela e o meu pai conta-me que até aos anos 50 não havia por lá pinheiros, o coberto vegetal era constituído basicamente por aquilo que chamamos de mato. Havia sim dezenas ou centenas de milhares de cabras e ovelhas que mantinham a vegetação bem controlada. Não havia esquilos, javalis ou corços, havia coelhos, lebres, perdizes e lobos. Estes últimos, dependiam em grande medida dos inúmeros rebanhos. Os pinheiros apareceram, por aquelas bandas, nas bermas das estradas que por lá formam construídas nos anos 50. O êxodo rural, com desaparecimento dos rebanhos, fez proliferar o pinheiro e levou também ao desaparecimento do lobo daquela região.
 
A minha família é originária da região do sul da Serra da Estrela e o meu pai conta-me que até aos anos 50 não havia por lá pinheiros, o coberto vegetal era constituído basicamente por aquilo que chamamos de mato. Havia sim dezenas ou centenas de milhares de cabras e ovelhas que mantinham a vegetação bem controlada. Não havia esquilos, javalis ou corços, havia coelhos, lebres, perdizes e lobos. Estes últimos, dependiam em grande medida dos inúmeros rebanhos. Os pinheiros apareceram, por aquelas bandas, nas bermas das estradas que por lá formam construídas nos anos 50. O êxodo rural, com desaparecimento dos rebanhos, fez proliferar o pinheiro e levou também ao desaparecimento do lobo daquela região.

Ora ai está um possível foco de propagação, com (plantação de pinheiros) ou sem intenção (transporte de madeiras, pinhas,..).
 
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As centrais de biomassa são abastecidas com sobrantes da exploração florestal (ramadas, bicadas e restos de
corte das árvores), e não apenas com matos resultantes da limpeza das florestas. Assim, constatou-se que a ideia
de que a construção de centrais de biomassa por todo o país iria resolver decisivamente a redução do risco de
incêndio, na medida em que a procura de biomassa iria levar à limpeza das matas e consequente redução de carga
de combustível, não corresponde totalmente à realidade.

RELATÓRIO GRUPO DE TRABALHODA BIOMASSA
COMISSÃO DE AGRICULTURA E MAR
Junho de 2013

As centrais de biomassa são uma boa forma de aproveitamento dos resíduos das actividades florestais da Indústria. Agora para aproveitamento dos resíduos(mato) das limpezas para redução de risco de incêndios, não faz qualquer sentido. A densidade energética do mato é de tal forma baixo que os custos e poluição libertada no seu transporte anula o beneficio.
Quanto aos risco de incêndio, volto a referir o que aconteceu à central de biomassa de Mortágua no dia 15/10. Para além de ter tido estragos toda a area envolvente num raio de vários quilómetros ardeu.
 
Incêndios: Exército pode colaborar mais
31.10.2017 às 15h08

Sem muito mais equipamento, este ramo das Forças Armadas pode ajudar mais no combate aos fogos

Em 2017, o Exército empenhou um total de 16809 efetivos no combate aos incêndios florestais, mas seria possível fazer mais sem aumentar os efetivos, considera o Chefe de Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte.

Para o general, bastaria para tanto "robustecer" as chamadas "valências de duplo uso", que tanto podem servir para as missões de guerra como para as de paz e interesse público. "São capacidades complementares", afirmou.

Neste sentido, apontou o reforço do apoio sanitário e de alojamento (como por exemplo mais tendas), da capacidade do apoio logístico e de alimentação e, ainda, da área de engenharia, nomeadamente com mais máquinas de rasto . As atuais, disse, já são muito antigas e têm muito uso.

O general Rovisco Duarte não quis especificar em quanto orçaria tal "reforço". "O céu é o limite", ironizou, adiantando todavia que já foi feito o respetivo estudo.

Do total de efetivos disponibilizados este ano pelo Exército, a "parte de leão" (65%) foi usada no combate aos fogos, 20% na prevenção e 15% nas parcerias realizadas com municípios. O maior número de militares (3478) esteve empenhado entre 16 e 31 de agosto, seguido do período entre 16-31 outubro (3150 efetivos).
http://expresso.sapo.pt/politica/2017-10-31-Incendios-Exercito-pode-colaborar-mais
 
a minha avo contava que quando era nova foram os militares que vieram plantar os pinhais aqui em redor da minha terra, que os terrenos eram ocupados por cereais e que os pinheiros que havia eram pequenos e diferentes. De qualquer forma o que me intriga é que também conheço familias de resineiros já antigas e que mostra a presença do pinheiro no interior antes da plantação feita pelo estado novo.

Em relação aos tipos de pinheiros há duas especies que não conheço a designação uma delas vê-se mais no litoral por exempla na A8 na zona da serra junto a Torres, a outra é uma especie que há aqui na Serra de Estrela a partir dos 900 metros parece um híbrido entre pinheiro bravo e negro.
 
Ainda sobre o dia 15 de Outubro ficam aqui 2 fotos que tirei a uma encosta que suponho pertencer à Serra do Açor.

Não são nada de especial mas pode ser que dê para perceber o vento que estava naquela tarde por ali.

Estava a descer para a Fraga da Pena já com uma frente de fogo algures entre Benfeita e Folques pelo que consigo ver no Google Maps.

Nessa tarde ficamos muito admirados com o vento, era tal que fazia levantar pó pela aquela encosta.

As fotos não mostram a monstruosidade do vento e pó mas pode ser que seja possível ter uma ideia. Ainda passei pela mata da maragaça, fui à fraga da pena e vim logo embora com medo que o fogo lá chegasse. A voltar para trás já estava a começar a arder no topo da encosta junto aos aerogeradores.

Restou sair por Coja direito ao IP3 e seguir para a Figueira da Foz. Não me senti inseguro mas fiquei preocupado porque não conhecia e tive de andar a "fugir" das frentes de fogo que lavravam uns quilómetros ao lado mas que com o vento brutal podiam chegar à nossa frente muito rapidamente.

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Na ultima vez que estive na Gardunha constatei que havia notavel regeneracao do carvalhal. Bastaria que fossem limpos os eucaliptos e pinheiros e daqui a uns 20 ou 30 anos poderiamos ter uma floresta nativa decente.

O castanheiro de facto sofreu uma reducao macica da sua area logo no seculo XIX. Nao foi replantado por varias razoes, a batata ja tinha substituido a castanha, o pinheiro-bravo ou as acacias cresciam mais depressa e forneciam madeira para producao de carvao, a doenca da tinta era dificil de controlar, e no final do seculo XIX comecaram as campanhas do trigo, que prejudicaram o desenvolvimento de todas as outras culturas agricolas e florestais. A serra da Lousa, por exemplo, era um extenso souto, havia castanheiros na serra de Tavira, no litoral alentejano, enfim, de Norte a Sul. Mas e uma especie com futuro, agora que se conhecem as vantagens da castanha para a nossa saude.
 
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Suspeito que vai haver aproveitamento politico dos incendios para estoirar dinheiro dos contribuintes, que serao transferidos para negocios encostados ao Estado e tachos.

Recordo-me que no auge da crise Manuela Ferreira Leite sugeriu que se renovassem escolas em vez de se construir um aeroporto, pois bem pouco depois aparece a Parque Escolar...

Nao sera certamento atirando dinheiro para cima deste problema que o resolveremos. Aqui no forum tenho defendido uma lei para as invasoras, que resposabilize quem as dissemina e os proprietarios que nao as eliminam, alem disso o Estado nada faz para sensibilizar, temos uma RTP que ja nao tem informacao agricola em horario decente... e isto sao medidas que nao custam muito ao Estado.
 
Na ultima vez que estive na Gardunha constatei que havia notavel regeneracao do carvalhal. Bastaria que fossem limpos os eucaliptos e pinheiros e daqui a uns 20 ou 30 anos poderiamos ter uma floresta nativa decente.

O castanheiro de facto sofreu uma reducao macica da sua area logo no seculo XIX. Nao foi replantado por varias razoes, a batata ja tinha substituido a castanha, o pinheiro-bravo ou as acacias cresciam mais depressa e forneciam madeira para producao de carvao, a doenca da tinta era dificil de controlar, e no final do seculo XIX comecaram as campanhas do trigo, que prejudicaram o desenvolvimento de todas as outras culturas agricolas e florestais. A serra da Lousa, por exemplo, era um extenso souto, havia castanheiros na serra de Tavira, no litoral alentejano, enfim, de Norte a Sul. Mas e uma especie com futuro, agora que se conhecem as vantagens da castanha para a nossa saude.
Até podes "limpar" os eucaliptos, mas se não retirares os cepos eles rebentam e sobrepõe-se completamente á vegetação adjacente!
 
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