Floresta portuguesa e os incêndios

Obrigado pelo link @bandevelugo
Ora o que eu vejo nessa publicação é que nativamente a floresta da Beira Litoral era mista, de pinheiro-bravo alternado com carvalho. A reflorestação por ação humana deu exclusividade se bem reparo ao pinheiro-bravo.



Pois, o problema é que acontece o mesmo com o eucalipto. Naturalmente as espécies que existem até podem voltar a florescer mas que eu saiba não é a floresta nativa que volta e sim a mais recente, mas posso estar a dizer um grande disparate.

Nem mais.
 
Obrigado pelo link @bandevelugo
Ora o que eu vejo nessa publicação é que nativamente a floresta da Beira Litoral era mista, de pinheiro-bravo alternado com carvalho. A reflorestação por ação humana deu exclusividade se bem reparo ao pinheiro-bravo.



Pois, o problema é que acontece o mesmo com o eucalipto. Naturalmente as espécies que existem até podem voltar a florescer mas que eu saiba não é a floresta nativa que volta e sim a mais recente, mas posso estar a dizer um grande disparate.

Com o devido respeito, o seu raciocínio enferma de graves erros.

Primeiro estamos a falar de areais e não da "Beira Litoral". O autor do artigo que citei faz uma história da evolução da vegetação nas dunas litorais e descobriu que há uns poucos milhares de anos as dunas eram dominadas por pinheiro misturado com carvalhos. Depois o homem destruiu tudo e as dunas avançaram, sepultando tudo. Depois há que reflorestar com espécies rústicas, adaptadas às areias paupérrimas, que foi o que os nossos avós fizeram.

Quando se destrói a vegetação natural, bem desenvolvida, para a recuperar tem de se passar por diversas fases, e foi isso que aconteceu: em areias brancas não se semeiam carvalhos, mas sim pinheiros, não se pode saltar etapas na evolução dos ecossistemas. Os carvalhos nem um verão lá se aguentavam!!!

Agora que os pinhais arderam, volta tudo à estaca zero e tem que se recomeçar outra vez com o pinheiro. Depois, daqui umas boas dúzias ou centos de anos, lá hão-de pensar nos carvalhos, ou eles entram naturalmente.

Essa é a grande lição do artigo, não outra totalmente ao contrário!

Não leve a mal, mas quanto ao eucaliptos é misturar alhos com bugalho, porque esta é uma espécie exótica e não da flora natural das dunas. :D
 
Obrigado pelo link @bandevelugo
Ora o que eu vejo nessa publicação é que nativamente a floresta da Beira Litoral era mista, de pinheiro-bravo alternado com carvalho. A reflorestação por ação humana deu exclusividade se bem reparo ao pinheiro-bravo.



Pois, o problema é que acontece o mesmo com o eucalipto. Naturalmente as espécies que existem até podem voltar a florescer mas que eu saiba não é a floresta nativa que volta e sim a mais recente, mas posso estar a dizer um grande disparate.

Com o devido respeito, o seu raciocínio enferma de graves erros.

Primeiro estamos a falar de areais e não da "Beira Litoral". O autor do artigo que citei faz uma história da evolução da vegetação nas dunas litorais e descobriu que há uns poucos milhares de anos as dunas eram dominadas por pinheiro misturado com carvalhos. Depois o homem destruiu tudo e as dunas avançaram, sepultando tudo. Depois há que reflorestar com espécies rústicas, adaptadas às areias paupérrimas, que foi o que os nossos avós fizeram.

Quando se destrói a vegetação natural, bem desenvolvida, para a recuperar tem de se passar por diversas fases, e foi isso que aconteceu: em areias brancas não se semeiam carvalhos, mas sim pinheiros, não se pode saltar etapas na evolução dos ecossistemas. Os carvalhos nem um verão lá se aguentavam!!!

Agora que os pinhais arderam, volta tudo à estaca zero e tem que se recomeçar outra vez com o pinheiro. Depois, daqui umas boas dúzias ou centos de anos, lá hão-de pensar nos carvalhos, ou eles entram naturalmente.

Essa é a grande lição do artigo, não outra totalmente ao contrário!

Não leve a mal, mas quanto ao eucaliptos é misturar alhos com bugalhos, porque esta é uma espécie exótica e não da flora natural das dunas. :D
 
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Eu nunca coloquei em causa o pinheiro-bravo como espécie nativa...

E quem é que quer contrariar a natureza? Quem quer tentar perceber qual é vegetação espontânea (de forma também a tentar criar cordões contra o fogo) ou quem quer povoamentos homogéneos criados pelo Homem? Será que o ideal é ter só pinheiro-bravo na região? Foi sobretudo nesse ponto que toquei.
Se calhar para alguns povoamentos (pequenos) e tendo em conta o objetivo pretendido, até é, mas será que é sempre assim?
Para determinados casos ou locais, eu acho que a reintrodução de outras espécies nativas, tem que ser pensada.
E não , não é assim tão caro, como algumas pessoas pensam.
É tudo uma questão de ponderar bem sobre o que é mais benéfico, realista, rentável e seguro.

Bem, ir buscar pinheiros a Espanha, para plantar artificialmente e substituir uma variedade que é autóctone da região, digamos que não é um propriamente "alinhar com a natureza"... ainda por cima quando quase sempre ela assegura que os pinheirinhos nasçam outra vez...;)

Quanto ao pinheiro bravo, não sei como é que é na sua terra, mas na minha os pinhais estão cheios de matos - tojos, giestas, camarinhas, sargaços, sámoucos, etc., etc., infelizmente até acácias. Não sei onde é que está a tão propalada "monocultura", aquilo tem uma grande variedade de espécies de arbustos, bem adaptados à extrema secura das areias da beira do mar.

Finalmente, acho (tenho a certeza) que está redondamente enganado quanto aos custos. Veja estas duas alternativas:

Primeira opção: comprar semente e à mão, ou com máquina, espalhar no terreno.

Segunda opção: comprar árvores (se for preciso ir a Espanha!), fazer regos ou covas, comprar estrume/adubo, plantar com máquina ou à mão (tapando a cova).

Qual é que acha que é mais dispendiosa?
 
Com o devido respeito, o seu raciocínio enferma de graves erros.

Primeiro estamos a falar de areais e não da "Beira Litoral". O autor do artigo que citei faz uma história da evolução da vegetação nas dunas litorais e descobriu que há uns poucos milhares de anos as dunas eram dominadas por pinheiro misturado com carvalhos. Depois o homem destruiu tudo e as dunas avançaram, sepultando tudo. Depois há que reflorestar com espécies rústicas, adaptadas às areias paupérrimas, que foi o que os nossos avós fizeram.

Quando se destrói a vegetação natural, bem desenvolvida, para a recuperar tem de se passar por diversas fases, e foi isso que aconteceu: em areias brancas não se semeiam carvalhos, mas sim pinheiros, não se pode saltar etapas na evolução dos ecossistemas. Os carvalhos nem um verão lá se aguentavam!!!

Agora que os pinhais arderam, volta tudo à estaca zero e tem que se recomeçar outra vez com o pinheiro. Depois, daqui umas boas dúzias ou centos de anos, lá hão-de pensar nos carvalhos, ou eles entram naturalmente.

Essa é a grande lição do artigo, não outra totalmente ao contrário!

Não leve a mal, mas quanto ao eucaliptos é misturar alhos com bugalho, porque esta é uma espécie exótica e não da flora natural das dunas. :D

Exatamente!

Em relação ao que foram os pinhais litorais temos que esperar pela regeneração natural, que já deverá estar a acontecer em muitos locais, depois terá que ser feita uma gestão/condução destes futuros pinhais. Nos locais onde o pinhal ardido ainda era jovem e não tinha banco de sementes terá que haver sementeira e/ou plantação.

O principal problema desta zona vai ser a expansão que a acácia de espigas vai ter, muitas áreas que foram de pinhal se nada se fizer serão um imenso e impenetrável acacial dentro de poucos anos. :(
 
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Com o devido respeito, o seu raciocínio enferma de graves erros.

Primeiro estamos a falar de areais e não da "Beira Litoral". O autor do artigo que citei faz uma história da evolução da vegetação nas dunas litorais e descobriu que há uns poucos milhares de anos as dunas eram dominadas por pinheiro misturado com carvalhos. Depois o homem destruiu tudo e as dunas avançaram, sepultando tudo. Depois há que reflorestar com espécies rústicas, adaptadas às areias paupérrimas, que foi o que os nossos avós fizeram.

Quando se destrói a vegetação natural, bem desenvolvida, para a recuperar tem de se passar por diversas fases, e foi isso que aconteceu: em areias brancas não se semeiam carvalhos, mas sim pinheiros, não se pode saltar etapas na evolução dos ecossistemas. Os carvalhos nem um verão lá se aguentavam!!!

Agora que os pinhais arderam, volta tudo à estaca zero e tem que se recomeçar outra vez com o pinheiro. Depois, daqui umas boas dúzias ou centos de anos, lá hão-de pensar nos carvalhos, ou eles entram naturalmente.

Essa é a grande lição do artigo, não outra totalmente ao contrário!

Não leve a mal, mas quanto ao eucaliptos é misturar alhos com bugalhos, porque esta é uma espécie exótica e não da flora natural das dunas. :D

Muito obrigado pela resposta! Gosto de aprender :)
 
Bem, ir buscar pinheiros a Espanha, para plantar artificialmente e substituir uma variedade que é autóctone da região, digamos que não é um propriamente "alinhar com a natureza"... ainda por cima quando quase sempre ela assegura que os pinheirinhos nasçam outra vez...;)

Não me referi a espécies exóticas, tão e somente me referi a pinheiros que fazem ou faziam parte da flora autóctone portuguesa e em lado nenhum afirmei que eram a melhor opção para a Beira Litoral, especificamente.
Sou naturalmente a favor da preservação das variedades locais (e isso é bem patente aliás em algumas participações minhas aqui no forum).

E sim, não vejo qualquer problema, em recorrer a viveiros espanhois, caso as árvores (ou sementes, obviamente) necessárias para um reflorestamento estejam esgotadas em território nacional (e aqui claro que me refiro a zonas onde não haja regeneração do pinhal, por exemplo, ou onde tal se realize lentamente).
E em certas zonas raianas, até deve render mais comprar ao lado, do que mandar vir de outro canto do país.


Quanto ao pinheiro bravo, não sei como é que é na sua terra, mas na minha os pinhais estão cheios de matos - tojos, giestas, camarinhas, sargaços, sámoucos, etc., etc., infelizmente até acácias. Não sei onde é que está a tão propalada "monocultura", aquilo tem uma grande variedade de espécies de arbustos, bem adaptados à extrema secura das areias da beira do mar.

Na minha terra, os pinheiros-bravos alternam com carvalhos, sobreiros, loureiros, medronheiros, etc...
Interessante o que refere sobre os samoucos dessa região (existe alguma documentação?) e em algum lado formam um samoucal?
E eu referia-me naturalmente ao coberto arbóreo principal que foi propagado pelo Homem e não a várias espécies de tamanho secundário, ainda com um estágio de regeneração longe do climax.
Eu espero mesmo que algumas medidas preventivas andem a ser tomadas (abertura de corta fogos, criação de cortinas verdes em locais estratégicos com uma determinada vegetação autóctone (onde tal seja propício), etc..., pois não gostaria de ver novamente região a arder como no ano passado.
Se não der para pôr carvalhos nessas cortinas verdes (especialmente em solos degradados), outras espécies poderão ser usadas.
Se existem outras alternativas mais eficazes e económicas, gostaria de saber quais são.

Já agora deixo aqui este artigo: http://observador.pt/especiais/gabriel-roldao-o-pinhal-de-leiria-ja-esta-morto-ha-12-anos/
 
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Estou praticamente de acordo com tudo, só me assusta um bocado a ideia (a ser verdade) de que os nossos viveiros florestais estão a ficar sem árvores para vender... Pois mais matas, poderão precisar de plantações...

Tendo em conta o quantitativo nacional de plantações, que anda em torno de 10 a 12 mil hectares/ano, suspeito que em termos de produção de plantas para efeitos de florestação, facilmente teremos os stocks esgotados. Tanto mais que boa parte das novas plantações são eucaliptais. Vai ser a procura que irá despoletar a produção de plantas, num processo gradual.
 
Eu nunca coloquei em causa o pinheiro-bravo como espécie nativa...

E quem é que quer contrariar a natureza? Quem quer tentar perceber qual é vegetação espontânea (de forma também a tentar criar cordões contra o fogo) ou quem quer povoamentos homogéneos criados pelo Homem? Será que o ideal é ter só pinheiro-bravo na região? Foi sobretudo nesse ponto que toquei.
Se calhar para alguns povoamentos (pequenos) e tendo em conta o objetivo pretendido, até é, mas será que é sempre assim?
Para determinados casos ou locais, eu acho que a reintrodução de outras espécies nativas, tem que ser pensada.
E não , não é assim tão caro, como algumas pessoas pensam.
É tudo uma questão de ponderar bem sobre o que é mais benéfico, realista, rentável e seguro.

Sim, concordo. No
 
"A lei terrorista continua a devastar directamente a nossa vida e a vida dos futuros. A capacidade destruidora da ignorância e da incompetência de quem manda é a guerra permanente a que os mandões nos sujeitam "









No nosso país existe coisas que não compreendem, tenho assistido a desmatações e corte de árvores em taludes bastante inclinados, basta um dia de chuva como a que tivemos na semana passada, para ser uma desgraça, e uma perda enorme de solo, sem necessidade.
 
Boas,
Tenho aqui uma dúvida, e preciso de ajuda.
Primeiro, são permitidas árvores a menos de 10m da estrada? Se sim, qual a densidade de árvores que é aceitável?
 
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Boas,
Tenho aqui uma dúvida, e preciso de ajuda.
Primeiro, são permitidas árvores a menos de 10m da estrada? Se sim, qual a densidade de árvores que é aceitável?



Eu falo no meu caso, tenho vários arbusto em redor das paredes de casa, e muitas árvores no perímetro, e se fosse a olhar para a lei, ficava sem árvore nenhuma.
 
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Não me referi a espécies exóticas, tão e somente me referi a pinheiros que fazem ou faziam parte da flora autóctone portuguesa e em lado nenhum afirmei que eram a melhor opção para a Beira Litoral, especificamente.
Sou naturalmente a favor da preservação das variedades locais (e isso é bem patente aliás em algumas participações minhas aqui no forum).

E sim, não vejo qualquer problema, em recorrer a viveiros espanhois, caso as árvores (ou sementes, obviamente) necessárias para um reflorestamento estejam esgotadas em território nacional (e aqui claro que me refiro a zonas onde não haja regeneração do pinhal, por exemplo, ou onde tal se realize lentamente).
E em certas zonas raianas, até deve render mais comprar ao lado, do que mandar vir de outro canto do país.




Na minha terra, os pinheiros-bravos alternam com carvalhos, sobreiros, loureiros, medronheiros, etc...
Interessante o que refere sobre os samoucos dessa região (existe alguma documentação?) e em algum lado formam um samoucal?
E eu referia-me naturalmente ao coberto arbóreo principal que foi propagado pelo Homem e não a várias espécies de tamanho secundário, ainda com um estágio de regeneração longe do climax.
Eu espero mesmo que algumas medidas preventivas andem a ser tomadas (abertura de corta fogos, criação de cortinas verdes em locais estratégicos com uma determinada vegetação autóctone (onde tal seja propício), etc..., pois não gostaria de ver novamente região a arder como no ano passado.
Se não der para pôr carvalhos nessas cortinas verdes (especialmente em solos degradados), outras espécies poderão ser usadas.
Se existem outras alternativas mais eficazes e económicas, gostaria de saber quais são.

Já agora deixo aqui este artigo: http://observador.pt/especiais/gabriel-roldao-o-pinhal-de-leiria-ja-esta-morto-ha-12-anos/

Ainda bem então que todos estamos de acordo: utilizar espécies autóctones bem adaptadas a cada local, e não inventar!

Quanto à importação de sementes ou plantas, duvido muito que os espanhóis tenham as variedades de pinheiro do nosso litoral, e depois de serem plantados e começarem a multiplicar-se, não dá para distinguir, ao contrário dos eucaliptos...

E samoucos é só ir à mata da reserva de São Jacinto, que há lá grande quantidade para apreciar!
 
A busca e o salvamento das vítimas foi uma das grandes falhas no incêndio de Pedrógão.Várias pessoas poderiam ter sido salvas se houvesse uma estrutura responsável pelo socorro.O responsável pelo relatório que investiga a morte de mais de 60 pessoas já está a analisar o que se passou com os incêndios de Outubro.Mas por causa de problemas burocráticos por parte do Governo, o processo continua atrasado.

Vídeo RTP:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/falta-de-estrutura-responsavel-explica-multiplas-vitimas-em-pedrogao_v1063942