Caro
@luismeteo3, podia-te responder com a mesma simplicidade: sim, às vezes, para não causar uma asneira ainda pior, mais vale estar quieto, pois de boas intenções está o inferno cheio, mas vamos por partes, porque na vida não é tudo "8 ou 80"...
O que está em causa, não é a necessidade de lançar, com acompanhamento técnico, um programa continuado no tempo de controlo de matos em áreas críticas (até com recurso a fogo controlado preventivo) ou de criar faixas de proteção em torno de habitações, por exemplo. E aprender com quem já está a fazer essa gestão há anos, como na Reserva da Faia Brava, com recurso a animais (no caso, com a introdução controlada de garranos).
O que se contesta é a forma como a medida está a ser implementada no terreno em muitos locais do país, sendo que em muitos casos a culpa não é da legislação em si, ou seja, do que esta prevê, mas da forma como esta foi comunicada, e deturpada, à opinião pública com o próprio primeiro-ministro a ter afirmado no parlamento,
ipsis verbis, que, e passo a citar: “
mais vale cortar a mais do que a menos”.
Resultado: milhares de árvores cortadas sem necessidade e, pior, sem que daí advenha nenhuma vantagem em termos de diminuir a carga combustível pois, muito pelo contrário, com a precipitação primaveril, essas clareiras mais não serão do que zonas onde os matos se desenvolverão com maior vigor, para além de favorecer, e muito, a expansão de espécies exóticas (muitas das quais, como as acácias e as háqueas formam matagais densos e impenetráveis).