Floresta portuguesa e os incêndios

https://scotland.forestry.gov.uk/supporting/strategy-policy-guidance/landscape
Recomendo uma leitura :)
Os escoceses há décadas que fazem planos para a integração paisagística das florestas comerciais, porque a dada altura reconheceram que estavam a destruir um dos maiores valores que tinham — a paisagem.

É pena é que por cá, não se meta os olhos, no que se faz de bem, para a conservação de floresta nativa, em outros países, principalmente no Norte da Europa, isto já para não ir para mais longe.
 
É pena é que por cá, não se meta os olhos, no que se faz de bem, para a conservação de floresta nativa, em outros países, principalmente no Norte da Europa, isto já para não ir para mais longe.
Há coisa de ano e meio assisti a uma palestra cá no Porto com um dos responsáveis pelos primeiros planos que se fizeram lá, penso que nos anos 70 ou 80. Um dos exemplos que ele mostrou foi um quadrado isolado de coníferas plantadas numa encosta, com um ar completamente artificial. Foi naturalmente "naturalizado" :D Um pensamento a anos-luz de Portugal, nestas coisas da preservação da paisagem.
 
Há coisa de ano e meio assisti a uma palestra cá no Porto com um dos responsáveis pelos primeiros planos que se fizeram lá, penso que nos anos 70 ou 80. Um dos exemplos que ele mostrou foi um quadrado isolado de coníferas plantadas numa encosta, com um ar completamente artificial. Foi naturalmente "naturalizado" :D Um pensamento a anos-luz de Portugal, nestas coisas da preservação da paisagem.

É verdade, e em vez preservar as árvores que temos principalmente nas grandes cidades, por vezes com 40 ou mais anos, o que tenho visto ultimamente no facebook, em Lisboa, é o abate, mesmo estando elas saudáveis, e isto já para não falar nas podas radicais que são de bradar aos céus.
Para quem quiser acompanhar a nossa capital, a caminhar a passos largos para o "deserto".

https://www.facebook.com/emdefesadasarvores/


Um bom tema que vai ser aqui abordado, na próxima semana, vou tentar estar com os 2 ouvidos bem abertos, e com a caneta na mão para tirar apontamentos.

@luismeteo3, no concelho vizinho, em Torres Novas se pensares em vir, e aprender mais alguma coisa nova.

 
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bandevelugo,

o meu problema nao e com as plantacoes comerciais em sim. O meu problema e com a presenca do eucalipto fora das plantacoes comerciais.

Quanto as especies introduzidas nas ilhas britanicas, a maioria sao da nossa latitude, com ausencia de monocultura, portanto o impacto paisagistico e quase nulo. Alem disso, quando menciona descaracterizacao penso tambem noutras coisas, como a ma arquitectura dos mamarrachos, as vedacoes metalicas, as marquises, os edificios devolutos ou em ruinas, o lixo e a poluicao, o desordenamento urbanistico...

Compreendo aquilo que referes, mas o que me leva mais a comentar é o facto do problema "eucaliptos na paisagem" não se poder confundir com "precisamos de mais carvalhos na paisagem". São duas coisas distintas.

Há espaço para eucaliptos (que aliás podem ser majestosos e terem muitos benefícios para o nosso nível de vida - já aqui e aqui tive essa discussão com o Cova da Beira e o Orion) e também imenso espaço para mais carvalhos, pinheiros, sobreiros e outras árvores autóctones. As duas coisas não são mutuamente exclusivas.

Temos que declamar menos contra os eucaliptos e arborizar mais, como o demonstrou a câmara de Gaia em Avintes e, sobretudo, oferecer soluções viáveis para os proprietários privados "mudarem de vida"; em último recurso, comprar-lhes as terras, ou obter o direito de superfície por 50 ou 100 anos.

É assim que os ingleses (que o Frederico tanto cita) fazem: vão plantar uma grande nova floresta de 30000 hectares no centro de Inglaterra, durante 30 anos, e com recurso também a doações e dádivas: https://www.independent.co.uk/news/...gove-manchester-liverpool-leeds-a8146761.html

Um grande exemplo.
 
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Reactions: MSantos e Pedro1993
Compreendo aquilo que referes, mas o que me leva mais a comentar é o facto do problema "eucaliptos na paisagem" não se poder confundir com "precisamos de mais carvalhos na paisagem". São duas coisas distintas.

Há espaço para eucaliptos (que aliás podem ser majestosos e terem muitos benefícios para o nosso nível de vida - já aqui e aqui tive essa discussão com o Cova da Beira e o Orion) e também imenso espaço para mais carvalhos, pinheiros, sobreiros e outras árvores autóctones. As duas coisas não são mutuamente exclusivas.

Temos que declamar menos contra os eucaliptos e arborizar mais, como o demonstrou a câmara de Gaia em Avintes e, sobretudo, oferecer soluções viáveis para os proprietários privados "mudarem de vida"; em último recurso, comprar-lhes as terras, ou obter o direito de superfície por 50 ou 100 anos.

É assim que os ingleses (que o Frederico tanto cita) fazem: vão plantar uma grande nova floresta de 30000 hectares no centro de Inglaterra, durante 30 anos, e com recurso também a doações e dádivas: https://www.independent.co.uk/news/...gove-manchester-liverpool-leeds-a8146761.html

Um grande exemplo.

Concordo totalmente com as tuas palavras, se á árvore que eu adoro são os Quercus, principalmente dos carvalhos, pois são de folha caduca, e fica fascinado ao olhar para o seu redor coberto de matéria organica, á 15 dias, encontrei um carvalho, onde enterrei a mão, até ao punho, só na manta morta, é uma coisa incrivel.
Os ingleses estão no bom caminho então, pena é que não se siga o exemplo aqui em Portugal, um dos exemplos podia ser por plantar mais árvores autóctones em espaços públicos.
 
Concordo totalmente com as tuas palavras, se á árvore que eu adoro são os Quercus, principalmente dos carvalhos, pois são de folha caduca, e fica fascinado ao olhar para o seu redor coberto de matéria organica, á 15 dias, encontrei um carvalho, onde enterrei a mão, até ao punho, só na manta morta, é uma coisa incrivel.
Os ingleses estão no bom caminho então, pena é que não se siga o exemplo aqui em Portugal, um dos exemplos podia ser por plantar mais árvores autóctones em espaços públicos.

Eu gosto particularmente do estilo pragmático do povo inglês.

Achei esquisito que nas estatísticas europeias que aqui postei no outro dia não viessem os dados do Reino Unido. Depois de seguir o link que o João Pedro aqui postou

https://scotland.forestry.gov.uk/supporting/strategy-policy-guidance/landscape
Recomendo uma leitura :)
Os escoceses há décadas que fazem planos para a integração paisagística das florestas comerciais, porque a dada altura reconheceram que estavam a destruir um dos maiores valores que tinham — a paisagem.

percebi que cerca de 75% da floresta no Reino Unido é de espécies não nativas (pinheiros, abetos, piceas, etc.) (https://www.forestresearch.gov.uk/tools-and-resources/statistics/forestry-statistics/), sobretudo na Escócia e no norte de Inglaterra, que são conduzidas em monoculturas e com um visual "pesadão" o ano inteiro (não são caducifólias) e daí o esforço de melhoria da paisagem, que eles levam muito a sério.

É notável a prioridade política britânica em aumentar a área de espécies autóctones, não só com verbas do governo mas também das pessoas e das empresas, e fazem disso um grande projeto nacional pós-Brexit!

Quanto aos carvalhos, nota que uma das espécies mais abundante de Quercus no norte litoral é o sobreiro, que mantém a folhagem o ano inteiro, mas que também produz bons solos e matéria orgânica...
 
O sobreiro tem um problema. Passo a explicar. Como está protegido por lei, houve ao longo de séculos uma maciça selecçáo positiva. Conheço inúmeros terrenos no Grande Porto que foram «limpos» em anos recentes e os carvalhos foram todos à vida, alguns eram de grande porte. Mas ninguém tocou nos sobreiros. Sabe-se hoje que em algumas zonas do Alentejo já houve mais carvalhos que sobreiros, caso da zona de Nisa. Penso que esta protecção ao sobreiro deveria ser revista, e eliminada em alguns concelhos de Portugal, onde seria substituída pela protecção ao carvalho.
 
Outro problema por detrás dos incêndios está no Ordenamento. O português por vezes parece uma praga que se espalha na paisagem, por todo o lado há armazéns, arrumos, casas, cabanas, visto do céu somos o país mais desordenado da Europa. Claro que aquelas casas salpicadas pela paisagem dificultam e muito o combate aos incêndios, e além disso são um peso enorme para os contribuintes, pois é mais barato fornecer esgotos, electricidade ou água quando as pessoas vivem concentradas em aglomerados. O Grande Porto, por exemplo, está cheio de armazéns devolutos, fábricas abandonadas, casas em ruínas. Outro mau exemplo está no Algarve, com vastas zonas salpicadas de casas onde não mora ninguém, basta ver o que fizeram à serra de Monte Figo entre Loulé e Olhão nas últimas décadas.
 
O sobreiro tem um problema. Passo a explicar. Como está protegido por lei, houve ao longo de séculos uma maciça selecçáo positiva. Conheço inúmeros terrenos no Grande Porto que foram «limpos» em anos recentes e os carvalhos foram todos à vida, alguns eram de grande porte. Mas ninguém tocou nos sobreiros. Sabe-se hoje que em algumas zonas do Alentejo já houve mais carvalhos que sobreiros, caso da zona de Nisa. Penso que esta protecção ao sobreiro deveria ser revista, e eliminada em alguns concelhos de Portugal, onde seria substituída pela protecção ao carvalho.

Concordo 100% com isto! É só ver debaixo das linhas eléctricas, limpam os carvalhos todos e ficam só os sobreiros... depois são estes que dão as bolotas disponíveis para os animais espalharem, é uma estupidez a lei tal como está.
 
É um pouco discutível se se justifica a protecção dada ao sobreiro em alguns distritos, especialmente Viana do Castelo, Braga, Porto e Aveiro. Por outro lado sou totalmente favorável à protecção do carvalho-roble.

Na zona de Pedrogão havia carvalhos em barreiras do Zêzere e a crescer debaixo dos eucaliptos, aquela região é terra de carvalho e muita gente não sabe disto. E aqueles carvalhos do ponto de vista genético são um pouco diferentes, por isso qualquer repovoamento deve ser sempre feito com bolotas locais.
 
Uma das consequências da protecção dada ao sobreiro que está estudada numa tese de doutoramento sobre carvalhais marcescentes do Sul foi o quase desaparecimento do Quercus faginea a Sul do Tejo. Para madeira ia-se ao carvalho pois o sobreiro tinha protecção... e num passado não muito distante a madeira era muito procurada no Sul, pois alimentava os fornos de cal, o negócio dos carvoeiros, os fornos de pão...
 
O problema nao está na ptotecao ao quercus suber mas sim na ausencia de protecção ao quercus robur e quercus pyrenaica

É verdade, a que se junta a maior resistência do sobreiro aos fogos e à secura - tudo isto junto faz com que o sobreiro tenha vantagem na ocupação dos terrenos, que não teria sem estes fatores ajudados por uma lei se calhar bem intencionada mas de todo errada para o norte do país.
 
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Uma das consequências da protecção dada ao sobreiro que está estudada numa tese de doutoramento sobre carvalhais marcescentes do Sul foi o quase desaparecimento do Quercus faginea a Sul do Tejo. Para madeira ia-se ao carvalho pois o sobreiro tinha protecção... e num passado não muito distante a madeira era muito procurada no Sul, pois alimentava os fornos de cal, o negócio dos carvoeiros, os fornos de pão...

Eu na minha opinião acho que seria bom ideia, existir uma lei que protegesse os carvalhos, pois muitas pessoas continuam a abate-los para usar a lenha em lareiras, alguns deles de grandes dimensões, mas depois acabam por queimar as figueras logo directamente nos terrenos, um desperdício de lenha, e mais libertações de CO2 para a atmosfera.
A minha lareira e eu nunca fomos esquisitos, no que toca a lenhas, ela simplesmente tem de queimar o que eu lhe colocar lá dentro.
Outro uso que pode dar a troncos velhos de figueiras, é o de "alimentar", o solo, pois é uma madeira de rápida decomposição, e assim cria-se um solo rico.
 
Eu na minha opinião acho que seria bom ideia, existir uma lei que protegesse os carvalhos, pois muitas pessoas continuam a abate-los para usar a lenha em lareiras, alguns deles de grandes dimensões, mas depois acabam por queimar as figueras logo directamente nos terrenos, um desperdício de lenha, e mais libertações de CO2 para a atmosfera.
A minha lareira e eu nunca fomos esquisitos, no que toca a lenhas, ela simplesmente tem de queimar o que eu lhe colocar lá dentro.
Outro uso que pode dar a troncos velhos de figueiras, é o de "alimentar", o solo, pois é uma madeira de rápida decomposição, e assim cria-se um solo rico.

Concordo parcialmente: o que se quer impedir é que os carvalhos desapareçam, ou sejam arrancados, não que sejam simplesmente cortados, porque essa é uma forma de os tratar, tal como se faz com os eucaliptos, os salgueiros, os choupos, etc., etc.

Os carvalhos rebrotam bem após o corte (o sobreiro também!) e a lenha que dão é muito boa (e o seu preço alto), pelo que esse seria um incentivo para os proprietários manterem os carvalhais - podendo uma parte deles ser cortada periodicamente para lenha, e outra parte mantida para crescer e dar boas peças de madeira (ou para paisagem e biodiversidade).

Assim se conjugava as duas necessidades (do proprietário e da sociedade em geral). Com leis complicadas e proibitivas só se afugentam os proprietários, como aconteceu num concelho aqui ao lado de Aveiro: há uns anos a câmara de Vouzela criou um parque natural no concelho e os proprietários, temendo que fosse criada uma legislação que os proibisse de cortar as árvores, desataram de repente todos a cortar os carvalhos antes que fosse tarde...
 
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