Gado bovino português e o Auroque



Aristocrata

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Muito interessante belem:thumbsup:

Falaste dos genes da maronesa. Afinal é mais antiga a raça do que a barrosã ou não? É que fiquei um pouco confuso.:huh:
A maronesa já conheço há bastante tempo e pensei que seria bem mais nova que a barrosã.
Sempre pensei que a maronesa fosse tão antiga como a arouquesa e não mais antiga que a barrosã.
Confuso...:D
 

Aristocrata

Super Célula
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Este touro tem boa aparência.
Da raça maronesa...concerteza.
168gbw6.jpg

Ver aqui
Pelos vistos não é só a raça maronesa que está a servir para este trabalho. Também as raças enanas da Córsega e Turquía, a sayaguesa, o toiro bravo e da Camarga.
Esperemos que vá dar a bom porto todo este trabalho;)
 

belem

Cumulonimbus
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Este touro tem boa aparência.
Da raça maronesa...concerteza.
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Pelos vistos não é só a raça maronesa que está a servir para este trabalho. Também as raças enanas da Córsega e Turquía, a sayaguesa, o toiro bravo e da Camarga.
Esperemos que vá dar a bom porto todo este trabalho;)

Olá Aristocrata

Desde já obrigado pelo interesse.
A Raça Maronesa, segundo o estudo de que falei, apareceu como mais isolada em relação à Raça Barrosã. Pelo menos, os animais que foram analisados apresentaram esses resultados.


Na tua zona, existe que tipo de gado?
 
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Aristocrata

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Na tua zona, existe que tipo de gado?

Na minha zona não há neste momento, que eu saiba, um tipo de gado específico. Há certamente o tipo de gado leiteiro normal (penso que é a holandesa - não estou familiarizado com os nomes...;)) nas explorações leiteiras.

Mas, até há 20 anos atrás, era comum encontrar-se bovinos da raça barrosã. O planalto de Paços de Ferreira era a zona mais a sul certificada para o gado barrosão. Hoje em dia, com o abandono da agricultura, é muito difícil de encontrar. A descontinuidade das explorações desde o Barroso até esta zona dificulta a manutenção destes animais. De crescimento mais lento terão sido substituídos por raças economicamente mais apetecíveis.

Não sou entendido na matéria, mas gosto de apreciar os bons exemplares autóctones das zonas que visito. Ver estes animais nos seus pastos delicia-me. E certamente provar estas carnes ainda mais...:D

Relativamente aos projetos...esperemos que sejam úteis e que sirvam não só os propósitos definidos, como para dar um novo alento às raças Portuguesas. Poderá ser uma nova oportunidade para elas e para os negócios que se desenvolvem ao seu redor.
 

belem

Cumulonimbus
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Na minha zona não há neste momento, que eu saiba, um tipo de gado específico. Há certamente o tipo de gado leiteiro normal (penso que é a holandesa - não estou familiarizado com os nomes...;)) nas explorações leiteiras.

Mas, até há 20 anos atrás, era comum encontrar-se bovinos da raça barrosã. O planalto de Paços de Ferreira era a zona mais a sul certificada para o gado barrosão. Hoje em dia, com o abandono da agricultura, é muito difícil de encontrar. A descontinuidade das explorações desde o Barroso até esta zona dificulta a manutenção destes animais. De crescimento mais lento terão sido substituídos por raças economicamente mais apetecíveis.

Não sou entendido na matéria, mas gosto de apreciar os bons exemplares autóctones das zonas que visito. Ver estes animais nos seus pastos delicia-me. E certamente provar estas carnes ainda mais...:D

Relativamente aos projetos...esperemos que sejam úteis e que sirvam não só os propósitos definidos, como para dar um novo alento às raças Portuguesas. Poderá ser uma nova oportunidade para elas e para os negócios que se desenvolvem ao seu redor.


A invasão de gado estrangeiro e mais sintético ( mais artificializado no sentido de aumentar a produção de leite e carne) tem sido bastante problemática e com a melhoria das vias de comunicação, já atinge zonas nucleares de gado primitivo.

Como tal é urgente proteger e divulgar as nossas autóctones.

Assim, concordo perfeitamente contigo e já existem planos para divulgar e proteger as nossas raças nativas.

Outra raça de grande primitividade, é a Mirandesa.
No entanto, está a braços com grandes problemas: está a começar a perder variedade genética e até o seu aspeto, está a mudar radicalmente.

A Mirandesa genuína e primitiva, que apresenta uma notória semelhança com o auroque está em grande risco de extinção.

O focinho está a ficar curto ( de porco como se diz na gíria ganadeira), as côres da pelagem estão a ficar demasiado claras, está a perder tamanho e proporções, e algumas já parecem umas padeiras com bom apetite de tão gordas que estão...:D

Esta raça atinge ( ou cada vez mais, atingia) grandes proporções e boas cornamentas e no passado eram animais ainda mais imponentes que os modernos.


Penso que a sua recuperação, passa pela seleção de dos ultimos animais originais e primitivos da raça.
Alistana Sanabresa e Mirandesa, tiveram origem no mesmo núcleo inicial de animais, mas depois, separaram-se e foram evoluindo separadamente. Mas esta deriva, não é muito longínqua.


E vou fazer menção a uma raça extinta, que existia no Algarve, que era algo parecida com um auroque, mas em miniatura.
Pesava poucas centenas de quilos de peso e contentava-se com a vegetação das dunas e de zonas rochosas. Dizia-se que este gado ficava satisfeito com muito pouco e tirava sustento de campos secos, sem precisar de quase mais nada.
No fundo e nos nossos dias, reparamos que em zonas mais áridas, o gado doméstico normal tem dificuldade em ser rentável ou por vezes até em sobreviver, mas muitas das nossas raças nativas mais primitivas, já não têm esses problemas, pois são muito mais autosuficientes e resistentes.
Assim, acredito que a aposta, em gados bravios ou mesmo nos auroques, pode ser, para muitos casos, a melhor opção para o futuro.
São mais resistentes a doenças, aos predadores, às secas e são muito mais independentes do Homem, não necessitando de quase ou mesmo nenhum cuidado especial. São também animais mais férteis e de fácil gestação, em que muitas vezes não precisam de qualquer ajuda no parto. Por vezes, as vacas destas raças, têm bezerros em montanhas com lobos e com neve, e passado um certo tempo aparecem na quinta, já com um novo rebento e sem qualquer problema.
 
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belem

Cumulonimbus
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1g9000BC.jpg


Caça ao Auroque, na Mesopotâmia ( 9000 AC).
Com a progenitora cravejada de lanças e já prostrada no chão, os caçadores tentam derrubar a sua cria, que tão valentemente tentou proteger.


10bc.gif
 

belem

Cumulonimbus
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Relativamente à verdadeira estatura do auroque, existe uma concepção generalizada errada, sobre o seu tamanho.

Na verdade, nem mesmo nas zonas onde crescia mais ( Noroeste Europeu) e durante as melhores fases climáticas, a sua estatura média, chegava perto dos 2 metros. Isto segundo os últimos estudos.
Na verdade era cerca de 1 metro e 73 centímetros ao ombro, para os machos adultos. Isto parecendo que não, ainda é bastante, pois o animal tem as 4 patas no chão...

Sei contudo, que há pelo menos um fóssil de um touro com quase 2 metros ao ombro, mas prima mais pela raridade do que pela regra.

O tamanho dos cornos relativo ao corpo, diminuiu muito, antes de se tornar extinto. Vi os chifres do último auroque macho) e se ele era já adulto, o seu pequeno tamanho chocou-me. Isto certamente deveu-se aos problemas típicos de uma espécie prestes a tornar-se extinta.

Na Sicília, os auroques machos tinham entre 130 cm - 140 cm ao ombro e isto deve-se sobretudo por ser uma ilha.

Na Hungria, estes touros tinham cerca de 155 cm.


Na Península Ibérica, ainda não se sabe, mas pelo menos uma população que existia na zona de Muge, está a ser estudada.


Atenção que isto são estimativas, baseadas em fósseis encontrados.
Decerto poderá haver algum erro.
Certamente que também haviam animais gigantes, em quase toda a Europa, sobretudo nas melhores fases climáticas ( para o seu desenvolvimento) e quando tinham que enfrentar numerosos predadores, como leões, tigres dentes de sabre, hienas gigantes, etc...

No Holoceno e sobretudo por razões humanas, o numero de animais diminuiu drasticamente ( assim como dos seus predadores) e consequentemente o seu tamanho também ( pois aliado aos típicos problemas de baixo número populacional, juntava-se a falta de acesso às melhores pastagens, as doenças transmitidas por gado doméstico e a uma falta de seleção natural imposta pelos seus predadores).

Ainda assim, eram bem maiores do que a maior parte dos touros que vemos. :)