É melhor para os alunos estarem num centro escolar numa turma só com alunos do seu ano do que numa escola com meia dúzia de colegas de anos diferentes. Mesmo que façam 20 ou 30 kms num dia. Hoje em dia as estradas são muito melhores e as autarquias têm autocarros. Antigamente nas serras as crianças andavam por vezes mais de uma hora a pé para chegarem à escola, com frio, chuva e neve, aí sim era duro. E isto levanta outra questão mais vasta, numa sociedade futura este modelo de povoamento disperso que temos em parte do país, com os habitantes dispersos por montes, sítios, quintas, bermas de estradas, este modelo não serve.
Quanto ao exame de inglês faz todo o sentido, é uma forma de obrigar os professores a cumprir os programas. Quando cheguei ao Superior e apanhei os livros da minha área todos em inglês e tive de escrever artigos científicos em inglês tive muitas dificuldades nos primeiros tempos, devido à má preparação que tinha. Um aluno que começa inglês no quinto ano deve estar a ler obras no 11.º ano, ora no meu 11.º ano andava a ver matéria que já tinha sido vista no Básico, parte da turma nem sabia conjugar o verbo To Be. Neste momento 90% dos artigos científicos estão em inglês, noutras áreas como a Economia o inglês é a língua franca. As três grandes línguas são o Inglês, Francês e Alemão, mas saber escrever e falar bem em inglês não é fácil, é quem sabe tem uma grande vantagem. O castelhano é a segunda língua europeia mais falada mas praticamente não conta, a produção científica e humanística nessa língua é insignificante.
Os exames são fundamentais, se não fossem os exames nacionais boa parte dos alunos da escola pública ficavam fora do Superior. Agreste, aí no Algarve há escolas onde os alunos têm tratamento diferenciado nas notas, quem é filho do médico ou do juiz tem direito a turma especial e atenção nas notas, mas quem é filho do trolha se tem média de testes 18 se calhar leva com um 16 ou 17 porque não «participa» o suficiente. E depois há quem faça política nas escolas, os filhos dos comerciantes ou construtores são filhos de fascistas. Tive um colega que era filho de um retornado, atreveu-se a mencionar numa aula um caso polémico associado a Macau e ao Mário Soares, a professora era ligada ao PS e chumbou-o, e ele tinha média de testes positiva, a professora manipulava as correcções dos testes do rapaz e fazia-lhe vida negra.
Eu sou a favor de um sistema de exames de acesso ao Superior, só conta a nota de exames para acesso, com duas fases por ano. Não há outra forma de acabar com as injustiças que há nas notas de Secundário, este sistema só beneficia quem tem dinheiro para pôr os filhos nos colégios privados e quem arranja favores de professores amigos.