O Estado do País 2015

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Esta coisa de as pessoas assumirem e darem como normal que tudo o que se diga em campanha é mentira e não é para levar em conta, é, não só, inacreditável mas explica o total desrespeito dos políticos deste país para com os eleitores e o estado a que este país chegou. É que já nem é uma questão de não se penalizar os mentirosos mas sim de os desculpar à partida, de interiorizar que
é assim que tem de ser. Mas que pensamento miserabilista é este? Então votamos em quem? No que achamos que mentiu um bocadinho menos? No que é melhor a mentir? Não votamos porque eles são todos mentirosos? Votamos em qualquer um porque eles mentem mas é mesmo assim? Depois admiram-se que exista quem ache (eu, assumidamente), que merecemos tudo o que nos tem acontecido nas últimas décadas. Quem não exige respeito, nunca será respeitado. Mudem lá de governo as vezes que quiserem, que enquanto não for o povo a mudar, a atitude e o pensamento a evoluir, as alterações nunca serão de monta. Os nossos políticos são um reflexo nosso. E o reflexo não é grande coisa.

Como já escrevi, a campanha eleitoral é publicidade, nada mais. Fazes lembrar aquele indivíduo que processou um fabricante de automóveis porque o carro dele não dançava, como no anúncio.

E mesmo sendo verdade ou mentira, discutiu-se alguma coisa de relevante nesta campanha? Exceptuando a questão da Segurança Social não se discutiu nenhum assunto estruturante. Discute-se o passado, assuntos menores (portagens, taxistas, gaffes, casos judiciais - não esquecer que as eleições são legislativas, não estamos a eleger um órgão judiciário), mas nada de estruturante. E sobre a SS discutiu-se a um nível rasteiro, com partidos a nem conseguirem justificar as contas, outros a dizer que mais tarde discutem, outros aos gritos porque o outro partido vai entregar as pensões aos privados, nada de concreto foi dito. (E sobre o seu plafonamento muitas mentiras (desonestidades intelectuais) foram ditas pela extrema esquerda, mas com estas mentiras ninguém se escandalizou).
 
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A campanha eleitoral tem a mesma finalidade que a publicidade na televisão. Serve para vender o produto.

A campanha eleitoral poderia servir aos partidos pequenos para aparecerem, mas nem isso é conseguido.

A meu ver as duas frases estão relacionadas. A primeira é a justificação da segunda. Os pequenos sofrem com os grandes.

Se o PSD fizer governo o próximo Ministro das Finanças é Maria Luís Albuquerque. Dias Loureiro é tão provável a ministro como José Sócrates.

Verdade. Mas as ligações do PPC também não são as melhores. Por algum motivo o Relvas não desaparece da política. As oligarquias tendem a não desaparecer. Renovam-se e ocupam o espaço deixado livre por outros. Ao contrário de ti não vejo um governo que foi contra tudo e contra todos. Em relação ao BES foi a consequência da auto-preservação, não ter dinheiro e ser mandado por gente de fora. Quanto ao Sócrates, quantos casos mediáticos em Portugal tiveram grandes penas independentemente dos partidos (sabes mais do que eu em política doméstica. Eu não sei. Se souberes escreve)?

Essa do Passos (e este governo) ser liberal é daquelas que me dá vontade de rir. Qualquer coisa que se afaste ligeiramente do marxismo é logo liberal. As poucas medidas liberais que este governo tomou foram impostas pelo exterior com o intuito de arrumar as contas públicas. Um governo liberal não aumenta impostos. Ainda estou à espera da Reforma do Estado.

Não fui eu que escrevi isso do liberal (foi alguém do Observador) :D Quanto à reforma do Estado, devias-te perguntar porque nem CDS nem PSD estão interessados. Isso do tribunal constitucional é treta. O documento do PP não tinha 100 e tal páginas com espaçamento duplo (indicativo da vontade que tinha)? Viste o PPC pegar naquilo e elaborar? Qual seria o resultado mais óbvio da reestruturação do estado? A perda de votos. Quem quer isso? Achas que qualquer líder partidário fica muito tempo se não ganhar eleições (novamente a estrutura)? A verdade é inconveniente.
 
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Como já escrevi, a campanha eleitoral é publicidade, nada mais. Fazes lembrar aquele indivíduo que processou um fabricante de automóveis porque o carro dele não dançava, como no anúncio.

E mesmo sendo verdade ou mentira, discutiu-se alguma coisa de relevante nesta campanha? Exceptuando a questão da Segurança Social não se discutiu nenhum assunto estruturante. Discute-se o passado, assuntos menores (portagens, taxistas, gaffes, casos judiciais - não esquecer que as eleições são legislativas, não estamos a eleger um órgão judiciário), mas nada de estruturante. E sobre a SS discutiu-se a um nível rasteiro, com partidos a nem conseguirem justificar as contas, outros a dizer que mais tarde discutem, outros aos gritos porque o outro partido vai entregar as pensões aos privados, nada de concreto foi dito. (E sobre o seu plafonamento muitas mentiras (desonestidades intelectuais) foram ditas pela extrema esquerda, mas com estas mentiras ninguém se escandalizou).

O teu segundo parágrafo confirma, exactamente, aquilo que eu acho. Não se discutiu porque os eleitores não o exigem. No dia em que eles perceberem que ou falam do que importa e o fazem de forma séria ou não põem as patas no poder, tudo mudará. Mas eles sabem que não é isso que acontece. Se estivermos à espera que a mudança de atitude parta deles e que não seja forçada por nós, podemos esperar sentadinhos e bem confortáveis.
 
Ao contrário de ti não vejo um governo que foi contra tudo e contra todos. Em relação ao BES foi a consequência da auto-preservação, não ter dinheiro e ser mandando por gente de fora. Quanto ao Sócrates, quantos casos mediáticos tiveram grandes penas independentemente dos partidos (sabes mais do que eu em política doméstica. Eu não sei. Se souberes escreve)?

Não foi contra tudo e todos mas foi contra alguns. Costa é mais amigo do sistema. Digo isso agora e disse-o aquando da campanha interna do PS, não é uma questão partidária.

Nenhum caso mediático teve grandes penas. Também temos que ver que não se tratam de crimes muito graves. O único caso mediático que envolvia crimes bem graves foi o da Casa Pia, mas foi bem abafado porque todos tinham telhados de vidro.

Não fui eu que escrevi isso do liberal :D Quanto à reforma do Estado, devias-te perguntar porque nem CDS nem PSD estão interessados. Isso do tribunal constitucional é treta. O documento do PP não era 100 e tal páginas com espaçamento duplo (indicativo da vontade que tinha)? Viste o PPC pegar naquilo e elaborar? Qual seria o resultado mais óbvio da reestruturação do estado? A perda de votos. Quem quer isso? Achas que qualquer líder partidário fica muito tempo se não ganhar eleições (novamente a estrutura)? A verdade é inconveniente.

A questão do TC não é treta, uma boa Reforma do Estado seria bloqueada neste TC. A principal razão seria a perda de votos, concordo. Outra razão é ideológica. A liderança do CDS não é liberal, é conservadora (são antónimos, ou se é uma coisa ou se é outra, se bem que António Costa tenha dito há uns dias que o governo era ambas as coisas). O PSD é tendencialmente social-democrata. Na política portuguesa há meia dúzia de liberais - quase todos eles nas bases do CDS e na sua maioria varridos da lista para as eleições de amanhã.

O teu segundo parágrafo confirma, exactamente, aquilo que eu acho. Não se discutiu porque os eleitores não o exigem. No dia em que eles perceberem que ou falam do que importa e o fazem de forma séria ou não põem as patas no poder, tudo mudará. Mas eles sabem que não é isso que acontece. Se estivermos à espera que a mudança de atitude parta deles e que não seja forçada por nós, podemos esperar sentadinhos e bem confortáveis.

Todos mentem. Nenhum discutiu nada que interesse. Qual é a solução. Votamos todos em branco? Haverá sempre algum a pôr "as patas no poder".
 
Eu sei usar o google, assisti ao nascimento dele quando usava o altavista, mas gostaria que pelo menos uma vez pensasses pela tua cabeça, e neste caso, ao menos que me ajudasses a entender melhor essa história do Passos e o crucifixo. É que essa história do crucifixo ou muito me engano ou é mais uma das muitas baixarias que tem aparecido na campanha, parte delas alimentada também por ti, e desconfio que afinal estás é com medo que te confronte com a verdade.

Claro. Adivinhaste. Estou aqui a tremer que nem varas verdes. Por acaso é uma coisa de que sofro muito. Medo. É isso e rinite alérgica.
O motivo pelo qual te tenho ignorado e o voltarei a fazer (independentemente do que digas e faças) depois deste post, é, apenas e só, porque és a única pessoa neste fórum que eu não respeito o suficiente. Podes concordar ou discordar, gostar menos ou mais ou mesmo ser-te indiferente. Mas é o meu direito e pretendo usufruir dele em pleno.
 
Todos mentem. Nenhum discutiu nada que interesse. Qual é a solução. Votamos todos em branco? Haverá sempre algum a pôr "as patas no poder".

Qual a tua solução? Não sei. Não tenho, sequer, a certeza que esta realidade te incomode. E se não incomoda, estás no teu direito. A minha solução é votar em quem nunca lá esteve, mostrando aos que sempre lá estiveram, que não quero isto que temos tido. Sim, efectivamente, também já votei em branco em algumas situações em que não me senti minimamente representada. Neste caso em concreto, acho que tal seria beneficiar o(s) infractor(es). Mas não posso dizer que não entenda o desalento de quem vota em branco.
 
Já passa uma hora e meia da meia-noite e ainda não veio a polícia bater-me à porta. :)
Bom, vou ali terminar uma tradução. E reflectir, claro. Muito e bem.
 
A questão do TC não é treta, uma boa Reforma do Estado seria bloqueada neste TC.

O TC não os impediu de fazerem birra relativamente à rejeição dos cortes da FP. É que nem tentaram fazer um documento de jeito. E isso é algo relevante.

Não foi contra tudo e todos mas foi contra alguns. Costa é mais amigo do sistema. Digo isso agora e disse-o aquando da campanha interna do PS, não é uma questão partidária.

Nada contra.

A liderança do CDS não é liberal, é conservadora (são antónimos, ou se é uma coisa ou se é outra, se bem que António Costa tenha dito há uns dias que o governo era ambas as coisas).

O PP não dizia que o estado é mau gestor? Isso é extrema direita não nacionalista :D

Na política portuguesa há meia dúzia de liberais - quase todos eles nas bases do CDS e na sua maioria varridos da lista para as eleições de amanhã.

Claro. Não há cultura de extrema direita não nacionalista em Portugal (libertários). E ser neo-liberal geralmente tem má conotação (a longo prazo cria os problemas que tenta evitar mas isso é outra discussão). Eles queriam, ou deviam querer, tirar os empregos aos boys do partido. Quem quer isso? :D Será interessante comparar Hong Kong com Singapura a médio prazo.
 
O PP não dizia que o estado é mau gestor? Isso é extrema direita não nacionalista :D

O Paulo Portas é conservador, é lembrarmo-nos da campanha do aborto e da Santa que desviou o crude do Prestige para a Galiza. Diz que o Estado é mau gestor, mas o seu liberalismo esgota-se aí.

Claro. Não há cultura de extrema direita não nacionalista em Portugal (libertários). E ser neo-liberal geralmente tem má conotação (a longo prazo cria os problemas que tenta evitar mas isso é outra discussão). Em relação a isso será interessante comparar Hong Kong com Singapura.

Não chamaria o movimento libertário de extrema direita. As ideologias que se costumam definir como extrema direita (fascismo, nazismo, nacionalismo) tem uma componente estatal muito forte. O libertarianismo situa-se ao centro, ou se gostares mais, situa-se da parte de fora do sistema.
 
Não chamaria o movimento libertário de extrema direita. As ideologias que se costumam definir como extrema direita (fascismo, nazismo, nacionalismo) tem uma componente estatal muito forte. O libertarianismo situa-se ao centro, ou se gostares mais, situa-se da parte de fora do sistema.

O sistema engloba tudo, não podes incluir-te numa classe à parte :D É extrema direita em termos laborais, papel do estado (tipo diferente dos que mencionaste) e em termos de apoios sociais. Pode considerar-se que é de extrema esquerda em termos da sua indiferença em termos religiosos, étnicos... Mas isso é implícito. Daí que tenha escrito extrema direita não nacionalista (sim, inventei um novo termo para libertários e acho que define bem e de forma não prejudicial :D).
 
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Muita gente a votar de manhã na Alves Martins em Viseu. Como estou habituada a votar de tarde, fiquei surpreendida com a afluência matinal que até deu direito a filas extensas. Lá me explicaram que há muita gente que vai à missa e aproveita para votar logo. Na minha secção de voto, até às 11h30, já tinham votado cerca de 30% dos inscritos.
 
Muita gente a votar de manhã na Alves Martins em Viseu. Como estou habituada a votar de tarde, fiquei surpreendida com a afluência matinal que até deu direito a filas extensas. Lá me explicaram que há muita gente que vai à missa e aproveita para votar logo. Na minha secção de voto, até às 11h30, já tinham votado cerca de 30% dos inscritos.

E há futebol à tarde.
 
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