«E que ganhamos nós com a mudança operada em 25 de Abril de 1974?
...se o regime anterior tivesse continuado e evoluísse nessa continuidade, como Marcello Caetano pretendia.»
Os anos pré-25 de abril foram muito diferentes do chamado estado-novo. Maior abertura, menor perseguição política, aposta no desenvolvimento económico. Não sabemos se a continuidade daria frutos, será sempre uma incógnita...
O que sei é que foi durante o estado-novo que se efectuaram as maiores apostas na educação e na reabilitação urbana e cultural de sempre.
Quantas escolas foram construídas? Quantos monumento foram reconstruídos depois de décadas e décadas ou séculos de abandono? Foram também feitas apostas sérias na agricultura, pescas e indústria.
Foi pena que grande parte desse esforço tenha ido por água abaixo com a guerra colonial, factor major para a estagnação da economia.
A perseguição política: um tema controverso, porque muito sensível a estigmatização de parte da população. De um lado aqueles que queriam mudar o panorama político, congeminando golpes de estado. Do outro aqueles que defendiam o sistema político vigente na altura. No meio estava a população em geral, aqueles que apenas queriam seguir com a sua vida, afastados da politiquice.
Houveram culpas dos 2 lados. Uns porque pretendiam golpes de estado, fosse em Portugal ou nas colónias. Outros porque eram patriotas e queriam defender o estado, a pátria. e por isso congeminaram formas de controlar os opositores.
Sim, quando a nossa esquerda altruísta de hoje diz que defende Portugal, defende a pátria, dá-me vontade de rir: agora inverteram-se os papéis...

Subitamente os que querem mudar Portugal apelidam-se de patriotas, e os que comandam a nação não o são. Uma visão cínica só ao alcance dos predestinados, na linha daqueles que atacando a nação achavam que estavam a fazer o melhor pelo país. E que pretendiam dar novo golpe palaciano no imediato do pós-25 de abril.
Vem isto a propósito da possibilidade do PCP ou do BE quererem governar. Eles que são os novos patriotas e que acham que os outros (leia-se a direita) não o são e apenas pretendem destruir o país...
Estes não são capazes de o fazer. Retrógadas no pensamento político, obsoletos num tempo em que está mais que provado que as ideologias que os sustentam (mais o PCP) não são mais um caminho sustentável.
Falta também falar de uma parte do PS que comunga dos ideais do socialismo e que por isso, partindo de um partido verdadeiramente "partido ao meio", nos mostra que não são a solução para o país que pretendemos evoluído.