Um dos grandes problemas deste país é a 'invejite' crónica. Uma boa parte dos Portugueses prefere ver o vizinho pior do que eles próprios melhor.Os subsídios de desemprego são uma chulice a não ser que sejam eles os beneficiários. Aí é um direito alienável. As baixas médicas são uma trafulhice a não ser que estejam, eles próprios doentes. Aí, são insuficientes. O RSI é um convite à preguiça. A não ser que sejam eles que não tenham mais rendimento nenhum. As reformas devem cortar-se porque são incomportáveis. A não ser que estejam eles perto da reforma. Os funcionários públicos são uma cambada de lambões cheios de regalias. A não ser que eles próprios consigam um 'tacho' na função pública. Aí, passa a ser um trabalho em que é impossível fugir aos impostos e são as primeiras vítimas dos cortes e das crises. A ADSE é uma roubalheira a não ser que possam beneficiar dela. Aí passa a ser um sistema justo porque descontam para ele. Isso explica, em muito, a meu ver, o facto de desde que me lembro estarmos sempre no fim da lista (das coisas boas, claro). Somos o nosso maior inimigo. Quando se fala com alguém, regra geral esse alguém sabe tudo o que o vizinho do lado tem e não tem. E são frequentes as conversas do género 'não sei de onde lhe vem o dinheiro para x, y e z. A trabalhar não deve ser' e coisas afins. Preocupamo-nos mais com a vida alheia do que com a nossa e o resultado está à vista. Viseu é (era) uma cidade de função pública e serviços/comércio, basicamente. Toda a vida ouvi os comerciantes a dizerem o piorio dos funcionários públicos. Lambões que não fazem nada e ganham balúrdios. Pois bem, com a crise, e todos sabemos como os funcionários públicos foram afectados, o comércio desta cidade está pelas ruas da amargura. Quando abre uma loja cá em casa fazem-se apostas para acertar no tempo que aguenta aberta. Lojas com décadas de história fecharam. E as pessoas que agora se 'choram', foram as mesmas que se regozijaram com a 'desgraça' dos funcionários públicos. Agora é que vão ver, diziam, o que é trabalhar muito e ganhar mal. Falta muita inteligência neste país. Ou então existe mas é adormecida pela alegria de ver os outros caírem. Até sermos nós mesmos a estar no chão. Para quem, como eu, nasceu num país completamente diferente, esta mentalidade faz-me muita confusão. E entristece-me. Porque mudam governos e políticos e estratégias e formas de ver/fazer as coisas mas nós continuamos iguais.