O Estado do País 2016

Era o caminho mais rápido para haver cidadãos de primeira (espanhóis com os seus 40 milhões) e cidadãos de segunda (portugueses com 10 mihões):



http://www.publico.pt/sociedade/not...-a-uma-uniao-entre-portugal-e-espanha-1273741

Claro que o nome dos arquipélagos portugueses tinha que mudar. A Madeira passava a Canárias II (tem que ser inferior ao vizinho) e os Açores passavam a ser Las Islas de las Aves ou algo do género.

A união política com Espanha não tem nenhum sentido, temos áreas de influência distintas e interesses geoestratégicos opostos.

Da última vez que isso aconteceu as coisas correram bem no início mas e depois? Perdemos a maior parte do Império e andámos em guerra com espanhóis, holandeses e franceses durante décadas. Houve o milagre da descoberta do ouro no Brasil que depois salvou as nossas contas, e houve também o milagre dos espanhóis estarem esgotados da guerra com a França e dos problemas na Catalunha.
 
Como li algures, o principal entrave ao federalismo europeu é a relação entre a Alemanha e a França. Alguém vai ter que liderar. Está-se mesmo a ver quem vai ser. Os franceses estão indecisos (pudera já que vão ser quase sempre o sub-chefe). Quando este imbróglio ficar resolvido, que ficará mais cedo ou mais tarde e de uma forma ou de outra, o processo deverá ser bastante rápido*. A Europa federal foi e é, em parte, um projeto americano**. Tem semelhanças com a OTAN. Portanto, todos os problemas (Rússia, etc.) são bem-vindos na medida em que os objetivos são cumpridos. Como também li nesse artigo, a UE não impede guerras. Nesse aspeto, a OTAN (que é uma organização terrorista; como não sofremos com ela é a nossa lutadora da liberdade) é mais útil, como é possível ver na relação entre a Grécia e a Turquia.

A Europa tem muitos povos diferentes. O multiculturalismo funciona e é benéfico até certo ponto. Geralmente as pessoas não têm grande interesse em se envolver nos problemas dos outros. Os estereótipos dificilmente vão desaparecer. São séculos de lutas pela independência. Mais cedo ou mais tarde tudo se (vai) repete(ir).

* Deverá ser bastante rápido na europa ocidental. Já na Europa de Leste o caminho poderá ser bastante tortuoso. São as memórias de um outro federalismo recente.

** É americano... mais ou menos. As pessoas à frente deste tipo de coisas não são propriamente nacionalistas nem magnânimas. Como abordo recorrentemente, não há muitas diferenças entre lá e cá:

mdzDVAg.png


Não é por repetirem uma mentira que se torna verdade. A solidariedade entre os povos é a fachada. É poder (e dinheiro). Nada mais nada menos.
 
Última edição:
Para terminar a minha intervenção anterior...

O que seria do RU sem estar na UE (e consequentemente sem a indústria financeira)? Olhando para o défice comercial, as coisas não ficariam bem durante muito tempo:

zHVRxVi.png


NuYV4KX.png


Volto a mencionar. Uma europa federal será pouco transparente e pouco democrática. Está tudo muito longe da população (a política doméstica ou regional, que pouca importância terá, será sempre prioridade na população geral):

yqorBYm.png


It’s official: Last EU election had lowest-ever turnout

http://www.euractiv.com/section/eu-...ial-last-eu-election-had-lowest-ever-turnout/

6dHKOQI.png


http://www.europarl.europa.eu/elections2014-results/en/turnout.html

Por fim, duas notícias que apenas vêm confirmar o que venho escrevendo...

O QE nos atuais moldes não ajuda a economia (a do trabalhador comum). E por mais que o Draghi aumente o QE continuará tudo na mesma (e até piorará se comprar, como no Japão, ETF's e ações):

Researchers at the German Institute for Economic Research in Berlin (DIW) have been the first to broach the subject and their findings have shown that, at least in the short-term, it is mainly wealthy households that are benefitting.

“Due to the fact that stocks, bonds and real estate are held mainly by the wealthy and not by poorer people, it is likely that the wealth gap is going to increase,” said the authors of the study. Low interest rates in the eurozone are also fuelling the demand for alternative investments such as stocks and real estate – which, naturally, drives up the price.

2ª A democracia será sempre cumprida... mas só que for conveniente (mão de ferro):

18h50 : "On peut suspendre un pays du droit de rester dans l'Union européenne"

François Hollande a déclaré que si, dans un pays de l'Union européenne, "un parti d'extrême droite prenait le pouvoir", "il y aurait des procédures qui s'appliqueraient" pouvant aller jusqu'à la suspension de ce pays. "On peut suspendre un pays du droit de rester dans l'Union européenne", a rappelé le chef de l'État, interrogé sur la situation politique de la Hongrie et de la Pologne.

Infelizmente duvido que qualquer uma das notícias terá a devida importância na comunicação social geral.
 
A TAP registou no ano passado o pior resultado dos últimos 15 anos. As dificuldades vieram do Brasil e Angola.

http://www.dinheirovivo.pt/empresas/tap-com-prejuizo-superior-a-120-milhoes-em-2015-2/

Já tinha feito referência a isto (possibilidade de péssimos resultados) aquando da análise ao relatório de 2014. Ainda falta a publicação do relatório de 2015.

---

The International Air Transport Association (IATA) announced its airline industry outlook for 2016 which sees an average net profit margin of 5.1% being generated with total net profits of $36.3 billion. IATA also announced a revision to its airline industry outlook for 2015 upwards to a net profit of $33 billion (4.6% net profit margin) from $29.3 billion forecast in June.

https://www.iata.org/pressroom/pr/Pages/2015-12-10-01.aspx

A TAP não tem grande sorte nos principais destinos. 2016 poderá ser ligeiramente diferente. Dependerá da rentabilidade dos voos para os JO. Mas a economia brasileira não deverá ter um grande desempenho. Como tal, aposto em mais um ano de prejuízos (não especulo sobre a dimensão).
 
Hoje em dia, já não faz qualquer sentido a existência de sub - sistemas de saúde. Devia haver um único sistema de saúde público, que é o Serviço Nacional de Saúde. E com qualidade, que é algo que não existe atualmente. Mas não vai melhorar, pois o atual Governo, no esboço de orçamento, nem sequer garante o orçamento necessário para os aumentos salariais, quanto mais um aumento do investimento na qualidade dos serviços de saúde.
Eu contra mim falo, pois já usufrui da ADSE, pois os meus pais eram agentes da Administração Pública. Mas não vejo qual a lógica da ADSE ser alargada a filhos de funcionários públicos até 30 anos. A existir, só devia ser para filhos menores.

E se dá lucro, isso deve - se ao governo PPC. E por que razão o excedente não é aplicado em investimentos na saúde, em prol de toda a população e não apenas dos funcionários públicos?
 
Frases infelizes, versão portuguesa:

Guterres: "As elites portuguesas não estão à altura do povo que somos"

http://www.jornaldenegocios.pt/econ...ltura_do_povo_que_somos_analisa_guterres.html

O Guterres não faz parte da 'elite'?

E a melhor do dia...

Durão diz que, agora que não está na política, o seu "nível de sinceridade está sempre a aumentar"

http://www.jornaldenegocios.pt/econ...idade_esta_sempre_a_aumentar_diz_barroso.html

... que é algo transversal ao cargo. Contudo, discordo dele:

Durão Barroso, que liderou a Comissão Europeia durante uma década, não tem dúvidas: "Não somos, nem seremos num futuro próximo, uns Estados Unidos da Europa". "Somos povos distintos, diferentes culturas". No caso de qualquer problema, "a Europa é a parte da solução", concluiu.

http://www.jornaldenegocios.pt/econ...uro_proximo_uns_estados_unidos_da_europa.html

Se o Barroso for questionado daqui a 2/3/4 anos sobre o maior falhanço do seu mandato, a meu ver indicará a sua incapacidade em unir a Europa. Algo que já queria fazer no distante ano de 2005:

D67FkwD.png


Sai o Barroso, entra o Juncker que tem a mesma agenda. Quanto ao futuro, quem sabe? Porque não haver uma presidência rotativa Juncker -> Barroso -> Juncker -> Barroso? É a 'democracia' europeia.
 
http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/portugal/detalhe/foi_toda_roida_para_o_hospital.html

Mais curioso, é a CM Olhão dizer que não tem nada haver com isso. É o país que temos e aqueles que realmente precisam ninguém ajuda, a ajuda só vai para quem tem padrinhos...

Não sei como é na tua terra, mas sabes que sou natural de um concelho aí ao lado e os bairros sociais desse concelho estão cheios de gente com bons ordenados que não precisam de habitação social, no entanto há gente à espera de vaga que precisa e não tem direito a habitação social.
 
Europe declares crisis era for banks is over, despite growing market chaos

http://www.telegraph.co.uk/business...is-era-for-banks-is-over-despite-growing-mar/

Stress tests are usually conducted on the biggest banks in the country in which they are based. However, the eurozone is being treated as if it is only one country. That means than banks from countries such as Portugal, where lenders have failed in recent years, are not taking part in this year’s EBA test.

Only one Greek bank will take part, and none from Cyprus will be tested.

Pessoal, está tudo bem. Tudo seguro. Até nem é preciso testar os bancos das economias mais frágeis... :rolleyes: Porque até:

Officials at the EBA argue that those banks are not important on a eurozone-wide basis, and so are only of interest to national regulators.

:rolleyes: O DB é que é seguro. Os germanos que tenham cuidado. Os bail-ins vão chegar lá.
 
Incrível a lata desta gente!



Apartheid laboral, com o silêncio cúmplice de CDS e PSD
Posted on Fevereiro 24, 2016 by Carlos Guimarães Pinto



Alguém decidiu que o Sistema Nacional de Saúde, que cobre desempregados e trabalhadores do sector privado, não era suficientemente bom para os trabalhadores do sector público. Para eles, existe a ADSE, um sistema que permite aos trabalhadores do sector público usarem hospitais privados de forma quase gratuita, mediante o pagamento de um prémio de seguro. A ideia da ADSE é boa. Oferecer liberdade de escolha na saúde é uma boa medida. Que o estado deixe de ser prestador de cuidados de saúde para ser apenas financiador e regulador é um bom passo em frente na desestatização da saúde. Dito isto, permanece a desigualdade: apenas é dado o direito de escolha aos funcionários públicos. Enquanto os funcionários do sector privado apenas têm acesso aos seguros privados, o funcionários públicos têm acesso aos seguros privados e ao seguro público (ADSE). O seguro é público, mas não é de todos. Sobre o alargamento da ADSE aos cônjuges dos funcionários públicos mas não as restantes portugueses, Joana Mortágua disse esta coisa fenomenal ao Jornal de Negócios:

“A abertura da ADSE a outras pessoas que não funcionários públicos (e respectivos familiares) “não faz sentido”, porque “estaria a alargar o acesso de utentes aos hospitais privados com prejuízo claro para o SNS”. Por isso, “a ADSE deve manter-se como um sistema fechado aos funcionários públicos e às suas famílias”.”

Noutras palavras, o BE acha que a ADSE é um benefício para os funcionários públicos que deve ser reforçado, mas ao mesmo tempo considera que o (assumidamente inferior) SNS deve ser mantido por motivos ideológicos. Como os funcionários públicos não são merecedores de tal castigo, sacrificam-se os trabalhadores do sector privado, uma espécie inferior, para manter o SNS em funcionamento.

Que o BE, boa parte do PS e o PCP assumam sem pudores a defesa deste apartheid laboral, já não é novidade. Que o PSD e o CDS assistam a isto calados sem a coragem de dar um murro na mesa e obrigar pessoas como a Mariana Mortágua a explicar aos portugueses porque é que não podem ter todos acesso à ADSE, já deveria ser mais surpreendente. Este silêncio cúmplice, esta cobardia em se afirmarem contra o tratamento desigual de funcionários públicos e trabalhadores do privado começa a ser exasperante. Todos aqueles trabalhadores do sector privado que votam e apoiam o PSD deveriam reflectir sobre esta passividade.
http://oinsurgente.org/2016/02/24/apartheid-laboral-com-o-silencio-cumplice-de-cds-e-psd/

Opiniões infelizes e silêncios dos políticos à parte, também podemos ver a questão de outra forma:

Eu não tenho ADSE por opção própria, porque há uns anos foi me dada oportunidade de aderir, mas não quis. Assim poupo 3.5% no ordenado. Se aderisse à ADSE ia descontar o mesmo para a segurança social, além dos 3.5%.

Achas que os trabalhadores do privado deviam ter um seguro de saúde familiar obrigatório?

Por outras palavras, até podia ser um seguro de assistência médica familiar chamado ADSE.. Mas como iriam reagir os trabalhadores perante um desconto adicional obrigatório de 3.5%, além do que já descontam para a SS?
 
Os sub- sistemas de saúde apenas existem, porque é do interesse dos grandes grupos privados de saúde, em total promiscuidade com o Estado.
E registe - se, isto é feito com o aval total de BE e PCP. Só para dar ideia do tipo de organizações ( que se dizem de esquerda) estamos a falar.