Incrível a lata desta gente!
Apartheid laboral, com o silêncio cúmplice de CDS e PSD
Posted on
Fevereiro 24, 2016 by
Carlos Guimarães Pinto

Alguém decidiu que o Sistema Nacional de Saúde, que cobre desempregados e trabalhadores do sector privado, não era suficientemente bom para os trabalhadores do sector público. Para eles, existe a ADSE, um sistema que permite aos trabalhadores do sector público usarem hospitais privados de forma quase gratuita, mediante o pagamento de um prémio de seguro. A ideia da ADSE é boa. Oferecer liberdade de escolha na saúde é uma boa medida. Que o estado deixe de ser prestador de cuidados de saúde para ser apenas financiador e regulador é um bom passo em frente na desestatização da saúde. Dito isto, permanece a desigualdade: apenas é dado o direito de escolha aos funcionários públicos. Enquanto os funcionários do sector privado apenas têm acesso aos seguros privados, o funcionários públicos têm acesso aos seguros privados e ao seguro público (ADSE). O seguro é público, mas não é de todos. Sobre o alargamento da ADSE aos cônjuges dos funcionários públicos mas não as restantes portugueses, Joana Mortágua disse esta coisa fenomenal ao
Jornal de Negócios:
“A abertura da ADSE a outras pessoas que não funcionários públicos (e respectivos familiares) “não faz sentido”, porque “estaria a alargar o acesso de utentes aos hospitais privados com prejuízo claro para o SNS”. Por isso, “a ADSE deve manter-se como um sistema fechado aos funcionários públicos e às suas famílias”.”
Noutras palavras, o BE acha que a ADSE é um benefício para os funcionários públicos que deve ser reforçado, mas ao mesmo tempo considera que o (assumidamente inferior) SNS deve ser mantido por motivos ideológicos.
Como os funcionários públicos não são merecedores de tal castigo, sacrificam-se os trabalhadores do sector privado, uma espécie inferior, para manter o SNS em funcionamento.
Que o BE, boa parte do PS e o PCP assumam sem pudores a defesa deste apartheid laboral, já não é novidade. Que o PSD e o CDS assistam a isto calados sem a coragem de dar um murro na mesa e obrigar pessoas como a Mariana Mortágua a explicar aos portugueses porque é que não podem ter todos acesso à ADSE, já deveria ser mais surpreendente. Este silêncio cúmplice, esta cobardia em se afirmarem contra o tratamento desigual de funcionários públicos e trabalhadores do privado começa a ser exasperante. Todos aqueles trabalhadores do sector privado que votam e apoiam o PSD deveriam reflectir sobre esta passividade.
http://oinsurgente.org/2016/02/24/apartheid-laboral-com-o-silencio-cumplice-de-cds-e-psd/